Diretor do Hospital Santa Tereza nega crise financeira e cobra reajuste na tabela do SUS
Todavia, admite que pagamentos dos médicos estão em atraso
16/06/2025
Marlon Malassa, diretor do Novo Santa TerezaO diretor do Novo Hospital Santa Tereza, Marlon Malassa, afirmou que a unidade enfrenta um déficit mensal devido à defasagem da tabela de pagamentos do Sistema Único de Saúde (SUS). Em entrevista ao Portal Paraná Central, ele negou que o hospital esteja em crise financeira semelhante à registrada antes da reestruturação da instituição, mas admitiu atraso no pagamento dos médicos.
Segundo Malassa, a reunião com técnicos da Secretaria de Estado da Saúde, realizada nesta segunda-feira (16), teve como pauta principal a reformulação do contrato com o SUS, especialmente no que diz respeito ao valor repassado por internação hospitalar. A reunião em Curitiba contou com a presença de gestores do Hospital, do deputado estadual Artagão Junior e diretores da Secretaria de Estado da Saúde.
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“Hoje temos um custo operacional de R$ 3.700,00 por internação contra uma receita de R$ 2.100,00. A conta não fecha”, afirmou Malassa, referindo-se aos termos da renegociação que estão sendo encaminhados junto à Secretaria Estadual da Saúde, responsável por esses repasses.
O diretor ressaltou que os salários dos funcionários estão em dia e que os atrasos atingem exclusivamente os médicos. “É importante deixar isso bem claro. Não há atraso de salário dos funcionários”, disse.
Reestruturação assistencial
Ainda de acordo com Malassa, não houve solicitação por parte da Secretaria para acesso às contas do hospital. O que foi pedido, segundo ele, foi a apresentação de um "plano de reestruturação assistencial", com o objetivo de embasar uma eventual revisão contratual.
“Fomos muito transparentes em dizer que existe um déficit. Mas não estamos escondendo informação alguma. Nem nos foi solicitado nada nesse sentido”, afirmou.
O hospital, que passou por um processo de ampliação e modernização nos últimos anos, atende pacientes de diversos municípios da Região Central do Paraná. A reestruturação, concluída em 2023, foi financiada com recursos estaduais e federais, além de contrapartidas municipais.
Com a mudança, a unidade passou a operar com um volume maior de leitos e serviços, mas os gestores afirmam que o modelo atual de financiamento não acompanha a demanda e os custos envolvidos.
Repasses e cenário regional
Fontes próximas à gestão estadual afirmam que há discussões internas sobre a necessidade de revisão de contratos com hospitais regionais, não só os vinculados diretamente ao governo do Estado (como o Hospital Regional d e Guarapuava), mas todos que recebem repasses de recursos públicos,diante do aumento dos custos assistenciais e da demanda reprimida por cirurgias e internações.
Prefeitos da região ouvidos sob reserva relataram preocupação com a situação dos hospitais, mas afirmaram que aguardam um posicionamento oficial do Estado, já que as unidades de Guarapuava atendem os pacientes de seus municípios.
Atualmente, o Santa Tereza abrange aproximadamente 200 mil habitantes e é uma das principais referências de média complexidade da região.
O outro hospital é o São Vicente, que está subdividido em duas unidades, do Centro e da Cidade dos Lagos, com média e alta complexidades.
O Hospital Regional, mantido pelo governo do Estado, sob coordenação da Funeas, é dedicado exclusivamente a cirurgias eletivas e sofre fortes críticas de representantes locais, por não atender de "portas abertas" (igual ao São Vicente e Santa Tereza), especialmente a candente necessidade de mais um pronto-socorro. Em consequência disso, o Santa Tereza e o São Vicente estão sobrecarregados.
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