Requião Filho oficializa candidatura e mira 2º turno contra Moro e a máquina de Ratinho Junior
Convenção deste sábado oficializa frente de esquerda com PT e Gleisi Hoffmann,
25/07/2026
A convenção estadual marcada deste sábado (25), em Curitiba, oficializou a candidatura do deputado estadual Requião Filho (PDT) ao Governo do Paraná e consolida a principal frente de centro-esquerda na sucessão estadual. O ato político formaliza a aliança entre PDT, PT, PV, PCdoB e demais partidos que compõem a federação e o bloco progressista, além de confirmar a ex-presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, como candidata ao Senado. A convenção também homologou as candidaturas proporcionais, entre elas a de Dr. Antenor (estadual) e Professora Terezinha (federal), ambas de Guarapuava.
O evento também simboliza o início de uma nova etapa da corrida eleitoral: encerrado o período de articulações, a disputa passa a ser determinada pela capacidade de cada campanha transformar estrutura política, alianças e comunicação em intenção efetiva de voto.
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Se até aqui a eleição foi marcada pelo predomínio das pesquisas e das negociações partidárias, a partir das convenções o cenário passa a privilegiar candidatos capazes de ampliar sua base eleitoral além do núcleo ideológico que já possuem.
É justamente nesse ponto que se concentra o desafio de Requião Filho.
O único candidato que permaneceu estável desde o início da corrida
Do ponto de vista estatístico, a candidatura do pedetista apresenta o fator estabilidade como sua principal característica.
Desde os primeiros levantamentos divulgados ainda no início do ano, Requião Filho permanece isolado na segunda colocação, praticamente sem oscilações relevantes, enquanto os demais nomes alternaram posições ou sequer haviam determinado suas candidaturas.
Essa consistência sugere a existência de um eleitorado relativamente fiel, formado principalmente pelo campo progressista, por parte do eleitorado lulista e por segmentos historicamente identificados com o legado político do ex-governador Roberto Requião.
Requião mantém uma faixa de intenção de voto relativamente constante, oscilando dentro da margem de erro dos institutos.
Sob a ótica da ciência política, esse comportamento costuma indicar baixo índice de volatilidade eleitoral. Em outras palavras, o candidato já firmou seu eleitorado básico antes mesmo do início oficial da campanha.
Esse ativo possui vantagens e limitações.
A vantagem é entrar na campanha sem depender da construção de conhecimento junto ao eleitor.
A limitação é que, para alcançar o segundo turno, será necessário romper essa estabilidade e conquistar eleitores que hoje permanecem indecisos ou vinculados a outros candidatos.
Moro lidera, mas a disputa permanece aberta
As pesquisas publicadas ao longo do semestre mostram um quadro aparentemente confortável para o senador Sérgio Moro (PL).
O ex-juiz da Lava Jato lidera praticamente todos os levantamentos realizados até agora, com índices próximos ou superiores a 40% das intenções de voto.
Entretanto, uma leitura técnica das pesquisas recomenda cautela antes de transformar essa liderança em prognóstico definitivo.
Nenhum instituto trabalha apenas com intenção espontânea ou estimulada.
Analistas observam também indicadores como rejeição, potencial de crescimento, conhecimento do candidato, consistência da preferência e, principalmente, o universo de eleitores que ainda não consolidou sua escolha.
Embora Moro apareça numericamente distante dos adversários, o contingente de eleitores indecisos, aliado aos votos brancos e nulos, ainda representa um universo suficientemente grande para alterar a composição da disputa ao longo da campanha.
Em termos eleitorais, isso significa que existe espaço estatístico para redistribuição de votos. Essa leitura é compartilhada, nos bastidores, por estrategistas das campanhas adversárias.
A avaliação predominante é que Moro antecipou boa parte do seu potencial eleitoral graças à elevada exposição pública acumulada desde a Operação Lava Jato e durante seu período como ministro da Justiça.
Na linguagem das campanhas, o senador estaria próximo de seu chamado "teto eleitoral" – percentual máximo de votos que um candidato consegue alcançar antes do início da propaganda oficial.
Essa hipótese, contudo, ainda não foi confirmada empiricamente pelas pesquisas. Ela representa uma expectativa estratégica dos adversários, que apostam na entrada em cena da propaganda eleitoral, dos debates televisivos e da comparação direta entre propostas para reduzir a vantagem do líder.
Nesse ponto, Requião Filho tem como tarefa principal trabalhar as estatísticas, que o colocam com maior índice de rejeição entre todos os pré-candidatos.
A estratégia de expansão de Requião
Consciente desse cenário, Requião Filho iniciou uma ofensiva política voltada à ampliação do seu arco de alianças.
O movimento mais significativo ocorreu em Brasília, durante reunião com o vice-presidente Geraldo Alckmin, principal liderança nacional do PSB.
O objetivo é aproximar definitivamente o partido da candidatura no Paraná e ampliar o espaço político além do núcleo tradicional da esquerda.
O PSB paranaense, presidido pelo deputado federal Luciano Ducci, ainda não ingressou integralmente na campanha estadual, apesar de integrar a base do governo Lula em nível nacional.
A eventual adesão teria peso simbólico e prático.
Além de ampliar o tempo de propaganda, permitiria a Requião dialogar com segmentos moderados do eleitorado urbano, especialmente em Curitiba e na Região Metropolitana.
O efeito Lula
A principal aposta eleitoral do PDT continua sendo a nacionalização parcial da disputa.
A presença de Gleisi Hoffmann na chapa majoritária fortalece a vinculação da candidatura ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cuja influência eleitoral permanece significativa entre o eleitorado progressista.
A estratégia busca reproduzir, em escala estadual, um comportamento observado em eleições anteriores: candidatos a governador impulsionados pela polarização presidencial.
No Paraná, entretanto, essa transferência nunca foi automática.
O Estado apresenta, historicamente, um eleitorado mais conservador do que a média nacional, o que exige da campanha um discurso capaz de dialogar também com segmentos moderados e independentes. Com um aceno mais ao centro-direita, Gleisi Hoffmann trouxe o empresário cascavelense Assis Gurgacz Neto, do Grupo Eucatur, como seu primeiro-suplente.
O verdadeiro teste começa agora
As convenções encerram a fase da especulação política e inauguram o período em que campanhas passam a ser medidas menos pelas alianças anunciadas e mais pela capacidade de alterar tendências eleitorais.
Nesse contexto, Requião Filho inicia oficialmente a corrida ocupando uma posição politicamente relevante.
É o único candidato que permaneceu de forma consistente na segunda colocação desde o início das sondagens, lidera o campo progressista e parte para a campanha com uma base eleitoral consolidada.
Mas essa estabilidade, que até agora foi sua principal virtude, precisará ser transformada em crescimento.
Para chegar ao segundo turno, será necessário ampliar o diálogo para além do eleitorado tradicional da esquerda, converter parte dos indecisos e impedir que a estrutura construída pelo governador Ratinho Junior impulsione Sandro Alex justamente no momento em que a campanha entra em sua fase de maior exposição.
Se Moro inicia a disputa como favorito e a máquina estadual trabalha para construir um adversário competitivo, Requião Filho aposta em outro ativo: a combinação entre um eleitorado fiel, a força da campanha presidencial de Lula e a expectativa de que a eleição, como ocorre com frequência no Paraná, seja efetivamente decidida apenas quando a propaganda eleitoral colocar todos os candidatos diante do mesmo nível de exposição pública. Nesse momento, a estabilidade demonstrada nas pesquisas poderá representar não um teto, mas um ponto de partida para uma disputa que ainda está longe de ser encerrada.
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