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Convenções iniciam corrida pelo Governo do Paraná e colocam vice-governadores no centro da disputa

Sandro Alex, Requião Filho, Sérgio Moro e Rafael Greca entram na fase decisiva da campanha

24/07/2026

A corrida pelo Governo do Paraná entra, a partir deste sábado (25), em sua etapa mais decisiva. Com o início das convenções partidárias, as principais pré-candidaturas começam a ser oficializadas e inauguram um novo momento da campanha: o da consolidação das alianças, definição dos candidatos a vice-governador e montagem das chapas proporcionais para o Senado, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa.

As convenções de Sandro Alex (PSD) e Requião Filho (PDT) acontecem neste sábado (25), em Curitiba. Sérgio Moro (PL) marcou sua convenção para o dia 1º de agosto, enquanto Rafael Greca (MDB) realizará o encontro partidário em 2 de agosto. Pela legislação eleitoral, as federações e partidos têm até 5 de agosto para concluir as chapas completas e registrar os candidatos.

Embora as candidaturas ao governo estejam praticamente consolidadas, o principal elemento de incerteza permanece sendo a escolha dos candidatos a vice. A definição poderá alterar o equilíbrio político da disputa, ampliar alianças regionais e influenciar diretamente o tempo de propaganda eleitoral gratuita.

Sandro Alex larga com a maior coalizão

Entre os principais concorrentes, Sandro Alex chega às convenções com a estrutura política mais robusta. Apadrinhado pelo governador Ratinho Junior, o deputado federal reúne uma ampla base governista formada por PSD, União Brasil, PP, Republicanos, Podemos e, agora por último, da federação PSDB-Cidadania do ex-governador Beto Richa (veja abaixo), além do apoio declarado de aproximadamente 200 prefeitos.

A aliança agrega partidos com forte representação no Congresso Nacional, o que tende a lhe garantir uma das maiores fatias de tempo de rádio e televisão durante a campanha.

Mesmo assim, um dos principais movimentos do PSD ainda está em aberto. O nome para a vice-governadoria permanece indefinido.

Nos bastidores, interlocutores do grupo avaliam que a escolha poderá ser adiada até o encerramento do calendário das convenções, especialmente para acompanhar os desdobramentos da candidatura de Rafael Greca.

A estratégia permite ao governador Ratinho Junior preservar margem de negociação com aliados até os últimos dias do prazo legal. Em linha auxiliar, a jornalista Cristina Graeml (PSD) seria a opção sobressalente para a vice.

Requião Filho aposta na frente de esquerda e amplia diálogo ao centro

Principal representante da oposição ao grupo governista, Requião Filho chega às convenções sustentado por uma ampla frente de esquerda formada por PDT, PT, PSB, PSOL, PV, Rede e PCdoB.

A aliança reproduz, em grande medida, a base nacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e tem como principal nome ao Senado a ministra Gleisi Hoffmann.

Ao mesmo tempo, o pedetista procura ampliar seu alcance para além do campo ideológico tradicional.

Nos últimos meses, a campanha intensificou conversas com lideranças do centro e do centro-direita. Um exemplo é a indicação do empresário Assis Gurgacz Neto (PDT) como suplente de Gleisi Hoffmann ao Senado.

Outro movimento importante envolve o PSB. Embora a legenda permaneça formalmente na coligação, existem resistências internas, especialmente por parte do deputado federal Luciano Ducci.

Para consolidar essa aliança, o PDT avalia oferecer a vaga de vice ao ex-ministro Alceni Guerra, figura historicamente vinculada ao PSB e respeitada também entre setores moderados do eleitorado.

Caso a composição se confirme, Requião Filho reforçará o discurso de frente ampla e poderá reduzir resistências entre eleitores mais ao centro.

Moro tenta repetir protagonismo de 2022

Sérgio Moro chega à disputa apostando no recall eleitoral construído nas eleições de 2022, quando foi o senador mais votado do Paraná.

Sua coligação reúne o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro e do candidato a presidente Flávio Bolsonaro, além do Novo e do Democracia Cristã.

O Novo indicará Deltan Dallagnol para disputar o Senado (cua elegibilidade vem sendo reiteradamente questionada), reproduzindo uma parceria política iniciada durante a Operação Lava Jato.

Embora disponha de uma estrutura menor que a do bloco governista, Moro permanece competitivo graças ao elevado índice de conhecimento do eleitorado e à consolidação entre os segmentos conservadores. É a maior bancada individual de deputados federais, o que lhe proporciona tempo no horário de rádio e tv.

A estratégia de Moro também concentra esforços em campanhas digitais e em forte exposição nas redes sociais, a mesma que está sendo preparada pelos estrategistas de Requião Filho, que organizam um esquema pesado de militância digital a partir deste sábado.

Greca mantém candidatura, mas cenário ainda pode mudar

A situação mais delicada é a de Rafael Greca.

O ex-prefeito de Curitiba ainda mantém sua candidatura em meio às alianças no entorno de Sandro Alex.

Entretanto, os acontecimentos desta última semana aumentaram a pressão política sobre o emedebista.

Greca tem íntima relação com o grupo político do governador – foi secretário estadual do Desenvolvimento Sustentável – e diversos dirigentes consideram improvável uma ruptura definitiva entre ambos.

Embora o ex-prefeito afirme repetidamente que não aceitará disputar a vice-governadoria, dirigentes partidários reconhecem que o tabuleiro mudou.

Caso permaneça candidato ao governo, Greca enfrentará uma campanha praticamente isolada, sustentada apenas pelo MDB, tendo Álvaro Dias como candidato ao Senado –que, por sua vez, é declaradamente favorável à união com Ratinho Júnior.

Caso aceite uma composição com Sandro Alex, Greca poderá fortalecer significativamente a candidatura governista, atraindo um eleitorado cativo em Curitiba e Região Metropolitana, a maior base de votantes do Paraná.

A definição deverá ocorrer apenas nos últimos dias do calendário eleitoral.

Tempo de rádio e TV pode ampliar vantagem das grandes alianças

Além da força política, a composição das coligações interfere diretamente no horário eleitoral gratuito.

A distribuição do tempo de propaganda leva em consideração, principalmente, o tamanho das bancadas dos partidos na Câmara dos Deputados. Nas eleições proporcionais, também pesam as federações partidárias, que funcionam como uma única legenda para fins eleitorais.

Nesse cenário, Sandro Alex aparece em posição privilegiada.

PSD, União Brasil, PP, Republicanos, PSDB/Cidadania e Podemos somam uma das maiores representações da Câmara Federal, o que deverá dar ao candidato governista um razoável tempo de exposição na televisão e no rádio. O Avante também é sondado por Sandro Alex.

Requião Filho também deverá contar com um bloco expressivo. Embora PDT e PSB possuam bancadas menores, o peso do PT – aliado à Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB) – amplia significativamente sua participação no horário eleitoral. A presença da Federação PSOL-Rede também contribui para aumentar o tempo disponível.

Sérgio Moro deverá ocupar uma posição intermediária. O PL possui uma das maiores bancadas da Câmara, mas Novo e Democracia Cristã acrescentam pouco tempo adicional.

Já Rafael Greca tende a enfrentar a maior limitação. Isolado apenas com o MDB, terá uma participação inferior à dos principais concorrentes, fator que poderá obrigar a campanha a concentrar investimentos em mídia digital e agendas presenciais.

Este cenário, porém, só ficará definido após 5 de agosto.


Nomes para o Senado

  • Gleisi Hoffmann
  • Alexandre Curi
  • Deltan Dallagnol
  • Álvaro Dias

 

Convenções marcam o início oficial da disputa

As convenções encerram a fase das articulações preliminares, mas inauguram outra ainda mais complexa.

A partir delas, as campanhas passam a disputar apoios municipais, definir estratégias regionais, organizar chapas proporcionais e estabelecer a narrativa que levarão ao eleitor.

Até 5 de agosto, entretanto, o maior foco continuará sendo a definição dos candidatos a vice-governador.

É justamente nessa etapa que poderá ocorrer o último grande movimento do xadrez político paranaense antes do início oficial da campanha.

Ratinho Júnior e Beto Richa em foto de 2019: troca de guarda no comando do Palácio Iguaçu

Ratinho atrai o PSDB/Cidadania de Beto Richa

Seguindo o mesmo diapasão do PP de Ricardo Barros, a federação PSDB/Cidadania de Beto fechou o circuito de “pesos-pesados” que dão a Sandro Alex uma considerável musculatura para entrar na etapa decisiva das eleições. Não é somente o apoio ao candidato a governista, mas, também, a desidratação de Sérgio Moro, que fica restrito aos nanicos Novo e Democracia Cristã.

A entrada da federação PSDB-Cidadania na coligação de Sandro Alex amplia a base de apoio do pré-candidato ao Governo do Paraná e fortalece a estratégia política liderada pelo governador Ratinho Junior às vésperas das convenções partidárias. O acordo, fechado após reunião com Beto Richa, também confirma o apoio à candidatura de Alexandre Curi (Republicanos) ao Senado.

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