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Programa de manejo do solo dobra produção de leite em pequenas propriedades do Paraná

lima e nutrição exigem adaptação constante no campo

28/01/2026

A assistência técnica voltada ao manejo do solo e da água tem elevado a produção e a renda de pequenos produtores de leite no Paraná. Desenvolvido pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), em parceria com a Itaipu Binacional, o programa Ação Integra do Solo e Água (Aisa) atende mais de mil produtores por ano e já alcança 228 municípios do Paraná e do Mato Grosso do Sul, na área de influência do reservatório da usina.

As ações incluem recuperação de pastagens degradadas, correção da fertilidade do solo, conservação de forragem, manejo nutricional do rebanho e melhoria da qualidade do leite. Segundo o IDR-Paraná, a combinação dessas medidas tem permitido ganhos expressivos de produtividade, mesmo em propriedades de pequeno porte.

Um dos exemplos está no sítio São Sebastião, em Goioerê (noroeste do Estado), conduzido por agricultores familiares. Com 16 vacas em lactação, pai e filho dobraram a produção diária de leite após a adesão ao programa. A média passou de 125 litros por dia, entre 2021 e 2022, para cerca de 300 litros atualmente.

De acordo com o técnico do IDR-Paraná Salvador Sarto, a receita mensal da propriedade subiu de R$ 10,9 mil para R$ 22,1 mil. “O foco foi organizar o manejo do pasto, ajustar a nutrição dos animais e implantar controles de produção e custos”, afirma.

Benedito Teodoro da Silva, 62, produtor desde a infância, diz que a assistência técnica foi decisiva. “Sempre trabalhei com leite, soja e milho, mas faltava organização. Hoje a gente entende melhor os números da propriedade”, relata. O filho Ricardo destaca que a atividade exige adaptação constante ao clima e aos custos. “No começo ficamos inseguros, mas seguimos as orientações e os resultados vieram.”

No oeste do Paraná, em Pato Bragado, o produtor Sérgio Paulo Marshnier também registrou avanços. Com a esposa, o filho e a nora, ele conduz a produção leiteira sem empregados desde 1990. Após ingressar no programa em 2021, a produção diária cresceu 72%, saltando de 440 para 763 litros.

Segundo o técnico do IDR-Paraná Adilson Winter, foram adotadas medidas como balanceamento da dieta, correção e adubação do solo, uso de dejetos orgânicos, implantação de plantas de cobertura e melhorias na criação de bezerras e novilhas. A renda mensal passou de R$ 5,1 mil para R$ 7,1 mil.

Criado há cerca de cinco anos, o programa Aisa reúne dados sobre solo, clima, vegetação, hidrologia e produção agropecuária para orientar decisões nas propriedades. “São ajustes que parecem simples, mas têm grande impacto na eficiência produtiva”, afirma Simony Lugão, coordenadora de Pesquisa do IDR-Paraná.

A pecuária leiteira do Paraná tem apresentado crescimento consistente. Em 2025, o Estado registrou aumento de 10% na produção, alcançando 1 bilhão de litros apenas no primeiro trimestre, segundo dados do IBGE e do Departamento de Economia Rural (Deral). O Paraná permanece como o segundo maior produtor de leite do país, com cerca de 114 mil propriedades ativas.

Além do IDR-Paraná e da Itaipu Binacional, o programa conta com a participação da Embrapa, da Esalq/USP e da Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento (Faped). Nos últimos quatro anos, foram investidos R$ 25,9 milhões em 17 projetos voltados à sustentabilidade e ao aumento da produtividade no campo.

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