Mercados brasileiros estremecem enquanto disputa sobre Lei Magnitsky provoca queda
Dólar caiu para R$ 5,50; Bovespa recuou 2,1%
19/08/2025
Os mercados financeiros do Brasil recuaram nesta terça-feira em meio à crescente preocupação com o alcance extraterritorial das sanções americanas. O real caiu para R$ 5,50 por dólar, enquanto o índice Bovespa recuou 2,1% – sua maior queda desde o início de agosto – com ações de bancos liderando as perdas.
O gatilho foi uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, que reiterou que leis estrangeiras não podem ser aplicadas no Brasil sem validação doméstica. Embora não tenha citado o caso diretamente, investidores interpretaram o gesto como resposta ao uso da Lei Global Magnitsky pelos Estados Unidos para sancionar o ministro Alexandre de Moraes, figura central no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.
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As sanções americanas congelam bens de Moraes sob jurisdição dos EUA e o impedem de acessar serviços financeiros vinculados a instituições daquele país. A medida — inédita contra um ministro da Suprema Corte de uma grande democracia — gerou receio entre bancos brasileiros com presença no exterior, que viram suas ações despencar diante do risco de sanções secundárias caso não apliquem as restrições.
Para Brasília, o episódio vai além de um único magistrado. Ele revela como sanções americanas — originalmente criadas para punir cleptocratas e violadores de direitos humanos — podem desestabilizar fluxos financeiros em mercados emergentes quando direcionadas a figuras políticas de peso. Mesmo brasileiros sem ativos no exterior podem sentir os efeitos indiretos, já que operadoras de cartão e empresas digitais ligadas a bancos americanos podem ser obrigadas a cortar vínculos.
O real, que acumula queda de 11% no ano, já vinha pressionado por aversão global ao risco e pela desaceleração das exportações. Mas o tombo desta terça-feira foi incomum, refletindo a inquietação dos investidores diante do choque entre o Judiciário brasileiro e o braço extraterritorial da legislação americana.
A evolução do impasse dependerá da disposição de Brasília em blindar suas instituições contra a pressão dos Estados Unidos – e da percepção de mercado sobre se essa proteção é de fato crível.
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