Política > 8 DE JANEIRO

Malafaia emerge como opção de Bolsonaro diante do silêncio da oposição

Para o pastor, Alexandre de Moraes é um "criminoso"

21/08/2025
Líder evangélico: apoio à Líder evangélico: apoio à "resistência" e radicalização das sanções dos Estados Unidos. "Você está com a faca e o queijo", diz ele a Bolsonaro

Nem Tarcísio de Freitas, nem Romeu Zema, tampouco Ronaldo Caiado ou Ratinho Júnior. A figura que hoje desponta como potencial herdeiro político de Jair Bolsonaro não vem dos palácios estaduais, mas dos púlpitos evangélicos. O pastor Silas Malafaia, alvo de investigações da Polícia Federal e crítico feroz do Supremo Tribunal Federal (STF), passou a ser visto por aliados do ex-presidente como a encarnação da “resistência” bolsonarista.

Malafaia desembarcou no Brasil vindo de Lisboa nesta quarta-feira à noite, um dia depois de ter o passaporte e o celular apreendidos por ordem do ministro Alexandre de Moraes. No aeroporto, dobrou a aposta em sua retórica, chamando o magistrado de “criminoso” e ecoando o verso de Cazuza: “Que país é este?”.

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O relatório final da PF descreve o pastor como parte de uma engrenagem destinada a coagir membros do Judiciário e do Legislativo, em parceria com Bolsonaro e seu filho Eduardo. Nas conversas interceptadas, Malafaia chega a chamar o deputado de “babaca”, sinal de atritos internos no círculo mais próximo do ex-presidente.

Apesar disso, seu protagonismo cresce à medida que os principais governadores de oposição mantêm silêncio sobre os avanços do STF. Tarcísio, Zema, Caiado e Ratinho Júnior, potenciais candidatos em 2026, foram criticados pelo próprio Eduardo Bolsonaro, que os classificou como “ratos”. Nenhum reagiu.

Esse vácuo fortalece Malafaia, cuja trajetória mistura oratória religiosa com mobilização política. Estima-se que o bolsonarismo preserve cerca de 20% do eleitorado, base suficiente para garantir competitividade a qualquer candidatura apoiada por Bolsonaro.

Para o ex-presidente, a equação é simples: sua prisão, vista como inevitável por aliados, tende a se converter em capital simbólico para um sucessor. E ele prefere que esse papel seja ocupado não por gestores regionais, mas por alguém identificado com a essência de seu movimento.

Nesse cálculo, Malafaia aparece como nome natural. Sua radicalização pública contrasta com a cautela dos governadores e o coloca no centro de um cenário em que religião, política e ressentimento popular se misturam em torno de Bolsonaro.

Mais do que servir a interesses de outros candidatos, e continuar preso, Jair Bolsonaro prefere alguém alinhado à "essência do bolsonarismo". Malafaia é a própria essência.

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