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Lula sinaliza calma em resposta a tarifas dos EUA, mas insiste em negociação

Governo fala em "tarifaço" brasileiro para se antepor às restrições impostas pelo governo estadunidense

29/08/2025
Presidente afirma que prioridade é abrir espaço para diálogoPresidente afirma que prioridade é abrir espaço para diálogo

Diante da escalada de tarifas impostas por Washington contra produtos brasileiros, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira que “não tem pressa” em aplicar a Lei da Reciprocidade recém-aprovada pelo Congresso. Ainda assim, deixou claro que o Brasil está pronto para reagir se os Estados Unidos não demonstrarem disposição para negociar.

Em entrevista à Rádio Itatiaia, durante viagem a Belo Horizonte, Lula afirmou que já autorizou o início do processo formal de resposta, mas enfatizou que sua prioridade é abrir espaço para diálogo. “Eu não tenho pressa de fazer qualquer coisa com a reciprocidade contra os Estados Unidos”, disse. “Tomei a medida porque eu tenho que andar o processo.”

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A declaração ocorre em meio à tensão comercial mais séria entre os dois países em mais de uma década. No início de agosto, o governo do presidente Donald Trump elevou para 50% as tarifas sobre 35,6% das exportações brasileiras para os Estados Unidos – uma medida apresentada como retaliação a decisões judiciais no Brasil que afetaram gigantes de tecnologia americanas, além da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe.

Embora Lula tenha insistido que não vai telefonar diretamente para Trump, ele acenou com disposição para negociar “24 horas por dia” se houver reciprocidade de Washington. “Se o Trump quiser negociar, o Lulinha paz e amor está de volta”, disse, evocando a imagem mais conciliadora de suas campanhas presidenciais.

A estratégia brasileira é coordenada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, acompanhado dos ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Até agora, porém, o Planalto reconhece que os canais formais em Washington permanecem fechados.

As tarifas se inserem na política econômica inaugurada por Trump em seu primeiro mandato, que buscava conter o avanço da China com barreiras alfandegárias contra parceiros comerciais. Inicialmente, o Brasil havia sido atingido por uma taxa de 10%, mas a recente ampliação elevou drasticamente o custo de acesso ao mercado norte-americano.

“Temos que dizer para os Estados Unidos que nós também temos instrumentos”, afirmou Lula, mencionando o processo já iniciado na Organização Mundial do Comércio. “Mas eu quero negociar.”

Crime organizado em foco

Na mesma entrevista, Lula também comentou sobre operações policiais em andamento contra facções criminosas que usam o setor de combustíveis e fundos de investimento para lavar dinheiro. Ele classificou a ofensiva como “a mais importante da história” e prometeu que investigações chegarão “ao andar de cima” das estruturas financeiras que sustentam o crime organizado.

“O crime organizado hoje é uma verdadeira multinacional”, disse. “Está na política, no futebol, na Justiça. Ele está em tudo.”

A investigação, segundo a Polícia Federal, revelou um esquema sofisticado envolvendo fintechs e fundos de investimento, com indícios de ligação a facções do narcotráfico. A Justiça determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 1,2 bilhão, montante equivalente às autuações fiscais já registradas.

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