Lula se afasta de Moraes e tenta impedir que crise no STF contamine campanha
Presidente conversou com Edson Fachin e passou a defender publicamente que ninguém está acima da lei após revelação de mensagens de Daniel Vorcaro
02/09/2026
Em plena eleição, Lula enfrenta ofensiva de seu maior adversário, Flávio Bolsonaro, que pede afastamento de Alexandre de MoraesO presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu manter distância do ministro Alexandre de Moraes diante do agravamento da crise no Supremo Tribunal Federal. A preocupação no Palácio do Planalto é impedir que as suspeitas relacionadas ao caso Banco Master contaminem a campanha pela reeleição.
Lula conversou com o presidente do STF, Edson Fachin, e adotou como orientação política o discurso de que “ninguém está acima da lei”. A estratégia procura conciliar a defesa institucional do Supremo com a cobrança por esclarecimentos sobre a relação entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
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A crise ganhou força depois da divulgação de mensagens atribuídas a Vorcaro. Em uma delas, o então controlador do Banco Master teria perguntado a Moraes se deveria deixar o país pouco antes de ser preso. O conteúdo levantou questionamentos sobre a proximidade entre o investigado e o ministro.
Até o surgimento das mensagens, Lula mantinha uma relação política próxima com Moraes, sobretudo por causa da atuação do ministro nos processos relacionados aos ataques às instituições e à tentativa de golpe. A mudança de postura ocorre a um mês do primeiro turno e reflete o receio de que a oposição transforme o episódio em tema central da disputa.
A avaliação de aliados é que uma defesa pessoal de Moraes poderia associar Lula diretamente ao desgaste do STF. Por isso, o presidente pretende entregar a condução da crise a Fachin e apoiar apurações institucionais, sem assumir a defesa individual dos ministros envolvidos.
A oposição já explora o episódio. Flávio Bolsonaro (PL) e outros candidatos de direita passaram a cobrar a saída de Moraes e acusam o governo de tentar proteger o ministro. Com o segundo turno presidencial tecnicamente empatado, a crise do Supremo passa a representar um risco eleitoral concreto para Lula.
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