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Luiz Fux, o ministro do STF que pode aliviar ou confirmar punições a Bolsonaro

Ministro do STF será o terceiro a votar no julgamento sobre a trama golpista

10/09/2025

Na primeira fileira da Primeira Turma do Supremo, Alexandre de Moraes falava com o dedo em riste, o tom categórico de sempre, quando Luiz Fux pediu a palavra. Não para discordar do relator em substância – pelo menos ainda não –, mas para avisar que guardava suas reservas. Era como se dissesse: esperem, a história ainda não acabou.

A cena, aparentemente banal, foi suficiente para colocar o ministro no centro das expectativas do julgamento mais rumoroso dos últimos anos: o processo que pode mandar Jair Bolsonaro para a cadeia por tentar um golpe de Estado depois de perder a eleição de 2022.

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Até agora, dois votos pela condenação. Alexandre de Moraes e Flávio Dino. No roteiro do Supremo, o terceiro a falar será Fux – e, de repente, um magistrado acostumado a ser previsível, duro, punitivista, transformou-se em incógnita.

O voto de Luiz Fux será pronunciado a partir das 9 horas desta quarta-feira, na reabertura das sessões do STF que julga o "núcleo 1" da trama golpista. Bolsonaro é apontado como líder da "organização criminosa", segundo o relator Alexandre de Moraes, posição que foi seguida pelo ministro Flávio Dino, o segundo a votar.

O ex-aliado da Lava Jato

Fux não nasceu garantista. Em 2016, procuradores da Lava Jato vibraram com a confiança que ele lhes inspirava. Numa troca de mensagens revelada por hackers anos depois, Deltan Dallagnol contava a Sergio Moro que o ministro tinha dito: “Podem contar comigo”. Moro respondeu: In Fux We Trust.

Naqueles dias, Fux era o juiz que aceitava indícios como prova robusta. O homem que defendia condenações sem esperar a certeza absoluta. O magistrado que ajudava a transformar o Supremo em braço de apoio da força-tarefa de Curitiba.

Agora, em 2025, a mesma frase causa riso nervoso até entre antigos aliados: quem confia em Fux?

A virada abrupta

O ponto de inflexão começou em 8 de janeiro de 2023, quando os bolsonaristas invadiram Brasília. Nas sessões que se seguiram, Moraes se tornou o carrasco dos radicais. Fux, para surpresa geral, virou o ministro que pedia calma.

Na hora de julgar Débora dos Santos, a mulher que pichou a estátua da Justiça com batom, Moraes viu crimes contra o Estado democrático de direito. Fux enxergou apenas dano qualificado. Um ano e meio de prisão bastava, na sua opinião. A maioria impôs 14 anos.

Foi nesse contraste que se instalou o mistério: o juiz linha-dura havia trocado de pele?

A esperança bolsonarista

Agora, diante de Bolsonaro, o mesmo contraste reaparece. Alexandre de Moraes, relator, lê um relatório de dezenas de páginas e afirma que não restam dúvidas: houve tentativa de golpe. Dino acompanha, mas suaviza penas para alguns generais. E Fux, sem ter votado ainda, já se tornou a última esperança da defesa.

Na matemática fria, um voto isolado pouco significa. Mas, na política, significa muito. Basta um gesto de discordância para alimentar a narrativa de que o julgamento não foi unânime, de que existe margem para contestação.

Bolsonaristas apostam que Fux pode aliviar a pena ou até absolver em parte. O suficiente para transformar derrota em discurso.

O fantasma de Trump

Enquanto isso, Donald Trump, de volta à Casa Branca, decidiu castigar os ministros do Supremo. Sete deles perderam o visto para entrar nos Estados Unidos, incluindo Moraes. Fux, não. A exceção virou munição para especulações: seria esse mais um indício de que Fux tende a destoar do relator?

Para juristas, bobagem. Para a base bolsonarista, um sinal. O Brasil político sempre preferiu os sinais aos fatos.

A dúvida que resta

Juristas tentam decifrar o enigma. Flávia Rahal, da FGV, fala em “mudança abrupta”. Caio Paiva, ex-defensor público, lembra que Fux é, paradoxalmente, o ministro que menos concede habeas corpus. Nestor Santiago, da Universidade de Fortaleza, aponta que julgar depredadores do Congresso não é a mesma coisa que julgar generais acusados de articular um golpe.

Ninguém, porém, arrisca prever com clareza.

O destino de Bolsonaro e de Fux

O desfecho parece dado: Bolsonaro será condenado. Mas a história registra não só resultados, também dissensos. E, nesse tribunal, um voto dissonante pode pesar mais na memória do que a unanimidade esmagadora.

Fux pode sair isolado, visto como garantista tardio. Pode, ao contrário, apenas ajustar as penas, mantendo-se no terreno seguro. Ou pode surpreender de novo, como tem feito desde 2023.

De qualquer modo, já garantiu o papel que talvez buscasse: o de personagem. O julgamento é de Bolsonaro, mas o enigma, neste momento, é outro. Chama-se Luiz Fux.

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