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Jornalismo não é ornamento: o legado de Mino Carta

Jornalista ítalo-brasileiro faleceu aos 92 anos

02/09/2025

Mino Carta morreu nesta segunda-feira, aos 92 anos, em São Paulo. Jornalista, editor, fundador de publicações que marcaram época, deixou como herança uma pergunta incômoda e permanente: para que serve a imprensa?

Nascido em Gênova, em 1933, radicado no Brasil desde a adolescência, Mino foi mais que um imigrante bem-sucedido. Criou revistas que moldaram o imaginário de leitores e jornalistas – Quatro Rodas, Veja, IstoÉ e, por fim, CartaCapital, sua trincheira final, onde manteve até os últimos anos o tom crítico, quase desabusado, contra o poder político e econômico.

A trajetória foi feita de rupturas. Saiu da Veja quando percebeu que o projeto liberal original havia se transformado em algo distinto. Fundou a IstoÉ para insistir na independência editorial. Criou a CartaCapital para não ceder. No meio, acumulou inimizades e reverências. Nunca se acomodou.

Mino tinha voz grave, sotaque estrangeiro e uma desconfiança visceral das versões oficiais. Fez do jornalismo uma arena de enfrentamento: contra generais, banqueiros, marqueteiros e presidentes da República. Para ele, imprensa era combate, nunca ornamento.

Sua morte encerra um ciclo raro – o de jornalistas que, em vez de seguir o mercado, tentaram mudar o mercado. Como lembrou certa vez em uma de suas colunas, “a verdade não pertence a ninguém, mas a mentira costuma ter bons patrões”.

Agora, resta a pergunta: quem ainda ousará incomodar tanto?

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