Indígenas de Turvo iniciam reconstrução após granizo
Fenômeno climático atingiu 80% das casas na reserva Marrecas
30/06/2026
A Terra Indígena Marrecas, considerada a maior reserva do povo kaingang no Paraná, amanheceu em cenário de destruição nesta segunda-feira (29), após uma forte tempestade acompanhada de granizo atingir a comunidade na noite de domingo (28).
Pedras de gelo descritas pelos moradores como semelhantes ao tamanho de ovos de galinha perfuraram telhados, deixaram casas expostas à chuva e atingiram cerca de 80% das residências da aldeia.
Localizada entre os municípios de Turvo e Guarapuava, a comunidade indígena iniciou um esforço coletivo para recuperar moradias e reduzir os impactos imediatos do temporal. Os danos mais frequentes foram registrados em coberturas de amianto e zinco, além de infiltrações que comprometeram forros, móveis, roupas e alimentos armazenados nas casas.
Durante a madrugada e ao longo do dia, famílias improvisaram coberturas e tentaram salvar pertences ainda secos. Em vários pontos da aldeia, moradores se organizaram em mutirões para retirar água acumulada e iniciar reparos emergenciais.
A dimensão dos prejuízos levou à mobilização da Defesa Civil de Turvo, que iniciou a distribuição de telhas para atendimento emergencial e passou a coordenar campanhas de arrecadação destinadas às famílias afetadas. Entre as necessidades prioritárias apontadas estão lonas para cobertura provisória, colchões, alimentos e materiais básicos para reconstrução das moradias.
Além da perda material imediata, o episódio ampliou a preocupação com a vulnerabilidade estrutural enfrentada por comunidades indígenas diante de eventos climáticos extremos. Em áreas onde o acesso a infraestrutura e materiais de reposição já costuma ser mais limitado, tempestades severas podem prolongar por semanas os efeitos sobre habitação e condições de permanência das famílias.
A Terra Indígena Marrecas está situada em uma região de relevo elevado do Centro-Sul paranaense, área que historicamente registra episódios de instabilidade atmosférica e ocorrência de granizo associados às mudanças bruscas de temperatura e à formação de tempestades intensas.
Para os moradores, no entanto, a preocupação imediata é menos meteorológica e mais prática: reconstruir os telhados antes da continuidade das chuvas previstas para os próximos dias e evitar que o frio agrave ainda mais a situação das famílias atingidas.
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