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Feminicídio de Suelen volta a expor violência contra mulheres

Caso se soma a episódios cotidianos e a outros que marcaram a cidade

30/06/2026

O assassinato de Suelen Cristina Cordeiro, 31 anos, na madrugada deste domingo (28), voltou a colocar Guarapuava diante de uma realidade que há anos provoca indignação e temor: a violência cotidiana que chega ao extremo contra mulheres.

O caso, tratado como feminicídio, gerou forte repercussão no município e reacendeu lembranças de outros crimes que marcaram a cidade – entre eles o assassinato de Tatiane Spitzner (2018), que permanece como uma das feridas mais profundas da memória coletiva local.

O homem que matou Suelen tem 29 anos, condenado por crimes e com tornozeleira eletrônica, e foi preso horas depois do crime. Os dois conviviam há algum tempo, junto com os três filhos menores de Suelen. Na noite de domingo, o assassino – cujo nome não foi divulgado – desferiu vários golpes de faca na mulher, por motivos inicialmente passionais.

O crime ocorreu em uma residência localizada nos fundos de um terreno no bairro Boqueirão, onde funciona uma oficina na parte da frente. No imóvel mora uma senhora idosa. 
Segundo o relato, o assasino havia passado a residir no local após deixar o sistema prisional.

Informações levantadas pelo Portal RSN apontam que Suelen iniciou o relacionamento com o homem e passou a frequentar a residência, permanecendo por períodos prolongados no local.

Na noite de sábado (27), o casal saiu acompanhado da moradora da casa e de um jovem de 19 anos, apontado como primo do autor. O grupo retornou posteriormente e, conforme o relato, não havia sinais aparentes de discussão ou conflito.

Ao chegarem ao imóvel, porém, Suelen e o companheiro entraram primeiro na residência. Em seguida, segundo a testemunha, o homem fechou a porta, impedindo a entrada dos demais.

Pouco tempo depois, ocorreu o ataque. Suelen foi atingida por golpes de faca, incluindo um ferimento na região do pescoço.

Equipes do Samu foram acionadas e encontraram a vítima ainda com vida. Houve tentativa de atendimento e estabilização, mas ela não resistiu aos ferimentos.

Após o ataque o suspeito deixou o imóvel caminhando e ainda carregava a faca utilizada no crime. Em seguida, retornou brevemente à residência e deixou o local novamente antes da chegada das equipes policiais.

Posteriormente, conforme informações repassadas no local, policiais localizaram e prenderam o homem. O jovem que estava na residência também foi conduzido à delegacia após apresentar versões consideradas contraditórias pelos agentes. A Polícia Científica permaneceu por várias horas realizando a perícia e o corpo foi recolhido pelo Instituto Médico-Legal durante a madrugada.

Nas redes sociais, moradores manifestaram indignação e mensagens de despedida à vítima. O caso voltou a mobilizar discussões sobre proteção às mulheres, prevenção da violência doméstica e resposta do poder público diante de situações de risco. O assunto foi tema de debate entre vereadores na Câmara Municipal. 

Tatiane Spitzner e o assassino, o ex-marido Luiz Felipe Manvailer, condenado a mais de 31 anos de prisão: vida interrompida por ciúmes

O crime também trouxe de volta à memória outro episódio que marcou Guarapuava e teve repercussão nacional. Em 22 de julho de 2018, a advogada Tatiane Spitzner foi morta pelo próprio marido, Luiz Felipe Manvailer. O caso ganhou notoriedade após imagens registrarem momentos de agressão anteriores ao crime e se tornou símbolo do debate sobre violência contra a mulher no país. Posteriormente, Manvailer foi condenado a mais de 31 anos de prisão.

O assassinato de Suelen agora se soma a uma sequência de episódios que voltam a colocar Guarapuava diante de uma discussão que permanece aberta: como impedir que relacionamentos marcados pela violência terminem em morte.

Os boletins policiais registram um dia a dia de violências dentro dos lares familiares, em Guarapuava e nos municípios abrangidos pelo 16⁰ Batalhão de Polícia Militar. 

É essa realidade que se tornou habitual que chega ao limite da violência, transformada em morte e sofrimento para as famílias.

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