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Histórico de abusos e impunidade envolve o escândalo do padre preso em Cascavel

Bispo falecido é citado em investigação de crimes sexuais cometidos pelo religioso

25/08/2025

CASCAVEL –  Cada vez que os investigadores se debruçam sobre os elementos que levaram à prisão de um padre de 41 anos, em Cascavel, Oeste do Paraná, mais detalhes de perversidade vêm à tona. Por último, a polícia descobriu que ele dopava as vítimas para praticar abusos sexuais. O religioso é investigado por crimes sexuais, gestão financeira irregular e exercício ilegal da medicina. O caso, segundo os policiais, expõe não apenas a conduta predatória do religioso, mas também uma rede de proteção institucional que teria se formado em torno dele desde os tempos de seminário.

O inquérito, aberto em 16 de julho, reúne depoimentos que apontam para abusos praticados desde 2010, quando o suspeito ainda se preparava para o sacerdócio. Pelo menos três vítimas já foram identificadas – incluindo uma adolescente à época – mas a polícia suspeita que o número seja maior. De acordo com relatos, jovens em situação de vulnerabilidade social e ligados à vida religiosa eram aliciados com dinheiro, presentes, viagens e convites para pernoitar na residência do padre.

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Uma das linhas mais sensíveis da investigação é a menção ao envolvimento de um bispo já falecido, que teria atuado para silenciar denúncias e proteger a carreira eclesiástica do então seminarista. Pessoas ouvidas pela polícia relataram pressão explícita para que vítimas não confirmassem os crimes, em um esforço para evitar que o escândalo comprometesse a imagem da Igreja local.

O padre continuou a ascender na hierarquia clerical, assumindo paróquias e funções de liderança. Apenas em 14 de agosto deste ano foi afastado oficialmente de suas atividades, quando surgiram as primeiras evidências formais contra ele. Até então, registros anteriores – como uma tentativa de abuso contra um colega seminarista, em 2010 – não haviam resultado em punições efetivas.

Além das acusações de abuso sexual, o inquérito apura irregularidades na administração financeira da paróquia e a realização de “terapias alternativas” em um consultório particular, configurando prática ilegal da medicina. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos tanto na casa do padre quanto na clínica.

A Polícia Civil afirma que as investigações seguem em curso e reforça a importância de que novas vítimas ou testemunhas se apresentem. A Arquidiocese de Cascavel não respondeu aos pedidos de comentário até o fechamento desta reportagem.

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