Guerra no Oriente Médio puxa alta da soja e milho em Chicago
Valorização acompanhou a cotação do petróleo
07/03/2026
A escalada da guerra no Oriente Médio voltou a pressionar os mercados globais de commodities e levou a uma rodada de alta nos preços agrícolas negociados na Chicago Board of Trade (CBOT). O encarecimento do petróleo e as incertezas geopolíticas sustentaram a valorização da soja e do milho nesta quinta-feira (5).
Os contratos da soja com vencimento em maio fecharam em alta de 0,83%, cotados a US$ 11,7925 por bushel.
A valorização acompanhou o movimento do petróleo, que subiu mais de 4% no dia diante da preocupação com o conflito no Oriente Médio e com o eventual fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de energia. O petróleo mais caro tende a elevar o preço dos óleos vegetais, o que impulsionou o óleo de soja — que avançou mais de 3% na sessão — e contribuiu para sustentar o grão.
Segundo Ronaldo Fernandes, analista da consultoria Royal Rural, o conflito pode gerar movimentos contraditórios no mercado.
De um lado, a guerra pode provocar queda nas commodities agrícolas quando cresce a aversão ao risco entre investidores, como ocorreu na quarta-feira (4). De outro, o impacto sobre o petróleo pode puxar os preços para cima.
“O petróleo, em conjunto com o dólar, virou ativo de segurança nesse momento de instabilidade geopolítica. Enquanto tivermos o estreito fechado e a China ainda manter alguma presença nas compras de soja dos EUA, Chicago pode subir. Isso, no entanto, não é uma tendência”, afirmou.
Milho
O milho também registrou valorização expressiva na sessão. Os contratos com vencimento em maio avançaram 2,20%, para US$ 4,5350 por bushel.
De acordo com Fernandes, além do petróleo, o possível bloqueio do Estreito de Ormuz traz implicações importantes para o mercado de fertilizantes, com reflexos diretos sobre o cereal.
“Cerca de 45% dos nitrogenados passam pelo estreito. Esse é um insumo muito importante para o milho de regiões como Estados Unidos e Europa. Alguns produtores ainda não efetuaram as compras, e isso pode elevar o custo de produção mais adiante”, disse.
O cereal também foi impulsionado por dados fortes de demanda externa. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), as vendas líquidas semanais de milho dos EUA somaram 2 milhões de toneladas na semana encerrada em 26 de fevereiro. Na semana anterior, o volume havia sido de 685,8 mil toneladas.
Trigo
O trigo também fechou em alta na bolsa de Chicago, apoiado por preocupações climáticas nos Estados Unidos.
Os contratos para maio avançaram 2,73%, para US$ 5,8375 por bushel. O movimento reflete a persistência de condições desfavoráveis para o trigo de inverno nas Grandes Planícies, principal região produtora do país.
Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, 56% das áreas de trigo de inverno enfrentam algum grau de estresse climático, principalmente devido ao volume de chuvas abaixo do ideal nas últimas semanas.
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