Guarapuava “trocando de roupa” entre cerejeiras e ipês
Fotógrafo Hélio Oliveira transforma cenários conhecidos do Parque do Lago, da Lagoa das Lágrimas e de praças da cidade em imagens marcadas por detalhes, contrastes e delicadeza
22/08/2026
Com olhar atento aos detalhes, Hélio Oliveira revela as cores e os ciclos da natureza que passam despercebidos na rotina urbanaHá paisagens que todos enxergam, mas poucas pessoas realmente observam.
Em Guarapuava, Hélio Oliveira transformou essa diferença entre ver e reparar em fotografia.
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Natural de Rio Negrinho, em Santa Catarina, ele vive atualmente em Guarapuava e ganhou projeção nas redes sociais ao registrar espaços públicos conhecidos da população.
Seu percurso visual inclui a Lagoa das Lágrimas, o Parque do Lago e a Praça Doutora Terezinha Saldanha, em frente à Unicentro.
São lugares atravessados diariamente por estudantes, trabalhadores, famílias e praticantes de atividades físicas.
No meio da pressa, porém, cores, formas e pequenos movimentos da natureza frequentemente passam despercebidos.
É justamente nesse ponto que começa o trabalho de Hélio.
Com um olhar minimalista, o fotógrafo retira o cenário da rotina e devolve a ele a capacidade de surpreender.
Seu enquadramento procura o detalhe, explora o contraste e revela uma beleza que nem sempre se oferece de imediato.
A mais recente série foi produzida no Parque do Lago, durante a transição que modifica a paisagem de Guarapuava nesta época do ano.
As cerejeiras encerram seu espetáculo, enquanto os ipês começam a ocupar o horizonte com novas cores.
Hélio batizou o conjunto de imagens de “Guarapuava trocando de roupa”.
O nome traduz uma cidade que muda de aparência sem perder sua identidade.
Pétalas que se despedem e flores que chegam estabelecem uma espécie de passagem silenciosa entre duas paisagens.
Nas fotografias, o Parque do Lago deixa de ser apenas um conhecido cartão-postal.
Torna-se cenário de uma transformação delicada, percebida em tonalidades, sombras, reflexos e pequenos fragmentos.
O trabalho de Hélio Oliveira também funciona como um convite à pausa.
Suas imagens lembram que a paisagem urbana não é estática e que a natureza continua cumprindo seus ciclos em meio ao movimento da cidade.
Ao direcionar a lente para aquilo que muitos deixam escapar, o fotógrafo constrói uma crônica visual de Guarapuava.
Uma cidade que, entre a despedida das cerejeiras e a chegada dos ipês, muda de roupa diante de todos – embora poucos consigam notar.
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