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Guarapuava lidera recorde nacional no milho sequeiro

Produtores de Guarapuava e Candói dominam ranking do Sul no concurso Getap

27/06/2026

A região de Guarapuava consolidou nesta safra um novo patamar de produtividade agrícola no país. Em um cenário marcado por oscilações climáticas e aumento dos custos de produção, produtores de Guarapuava e Candói transformaram o milho sequeiro – cultivo dependente exclusivamente das chuvas – em vitrine nacional de eficiência e tecnologia.

O principal resultado veio de Guarapuava. O produtor Eduardo Pletz alcançou 369,92 sacas por hectare, o maior índice registrado em todo o concurso Getap Verão 2026 na categoria sequeiro na Região Sul – desempenho que superou marcas anteriores e colocou o município no topo do ranking nacional entre áreas não irrigadas.

A presença regional não ficou restrita ao primeiro lugar. Entre os seis maiores resultados do Sul, quatro pertencem ao eixo Centro-Sul do Paraná: além de Pletz, aparecem Ralf Karly, de Candói (353,23 sc/ha) e Ricardo Arthur Leh, também de Guarapuava (348,97 sc/ha). O ranking foi completado pelo Grupo Reinhofer, em Reserva do Iguaçu (362,82 sc/ha), Agro Mallon, de Canoinhas (360,55 sc/ha), em Santa Catarina, e Karl Eduard Milla, de Pinhão (354,62 sc/ha), também no Terceiro Planalto Paranaense. 

Os números reforçam uma transformação silenciosa que vem ocorrendo no campo paranaense: o avanço da produtividade deixou de depender exclusivamente da expansão de área e passou a ser sustentado por manejo de precisão, genética, correção de solo e uso mais intenso de dados agronômicos.

Segundo Gustavo Capanema, coordenador técnico do Grupo Tático de Produtividade do Milho (Getap), os resultados obtidos no Sul chamaram atenção pelo desempenho coletivo dos produtores.

“Na Região Sul tivemos recordes expressivos, com o top 10 das categorias superando os resultados do ano passado e alcançando médias excelentes”, afirmou.

O que explica o salto produtivo 

Historicamente reconhecida pela produção de grãos e pelas condições climáticas favoráveis ao milho de verão, a região de Guarapuava vem ampliando seu protagonismo em produtividade. O diferencial, segundo especialistas do setor, está menos em fatores isolados e mais na combinação entre planejamento agronômico e capacidade de adaptação.

No milho sequeiro, atingir produtividades próximas ou superiores a 350 sacas por hectare exige alto nível de estabilidade do sistema produtivo. Isso inclui escolha de híbridos, janela adequada de plantio, monitoramento climático, fertilidade e controle fitossanitário.

O dado ganha relevância porque não se trata de produção irrigada –modalidade normalmente associada aos maiores rendimentos. O resultado obtido em Guarapuava ocorreu sem suplementação artificial de água, ampliando o peso técnico do desempenho.

​Paraná amplia protagonismo na agricultura de alta performance 

Embora outras regiões tenham apresentado resultados expressivos – com a Bahia superando 315 sacas por hectare no Norte e Minas Gerais ultrapassando 300 sacas por hectare na Região Centro – foi no Sul que surgiram as maiores médias gerais do concurso.

Para o setor produtivo, os resultados indicam um movimento mais amplo: o interior do Paraná passa a disputar liderança não apenas em volume de produção, mas também em produtividade por área.

Esse avanço ocorre em um momento em que o agronegócio brasileiro enfrenta pressão por eficiência diante de custos elevados de fertilizantes, crédito mais caro e maior exigência por sustentabilidade.

Na prática, colher mais sem ampliar fronteiras agrícolas tornou-se um dos principais indicadores de competitividade.

Corrida tecnológica continua

O desempenho desta safra também evidencia uma mudança de comportamento no campo. Se em ciclos anteriores os concursos de produtividade eram vistos como exceção, hoje os resultados passaram a servir como referência técnica para produtores de diferentes portes.

Para Capanema, a tendência é de continuidade.

“O produtor colheu os resultados do seu trabalho e já começa a se preparar para o próximo ano, buscando produtividades cada vez maiores.”

No Centro-Sul do Paraná, onde Guarapuava e Candói aparecem entre os protagonistas nacionais, o desafio agora deixa de ser alcançar recordes – e passa a ser sustentar esses números em safras futuras.

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