Flávio encosta em Lula em nova pesquisa DataFolha
Empate técnico: bolsonarista chega a 43% contra 46% do atual presidente
07/03/2026
Pesquisa aponta que os dois presidenciáveis também empatam no índice de rejeiçãoA corrida presidencial de 2026 começa a ganhar contornos de disputa real – e apertada. Pesquisa divulgada neste sábado (7) pelo instituto Datafolha indica que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece numericamente à frente do senador Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, mas a diferença encolheu de forma significativa nos últimos meses, levando o confronto para um empate técnico dentro da margem de erro.
Segundo o levantamento, Lula teria 46% das intenções de voto, contra 43% de Flávio Bolsonaro, em um cenário direto de segundo turno nas Eleições presidenciais do Brasil de 2026. A pesquisa ouviu 2.004 eleitores em 137 municípios entre os dias 3 e 5 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Brancos, nulos ou nenhum candidato somam 10%, enquanto 1% dos entrevistados disseram não saber em quem votariam.
Embora ainda lidere numericamente, o dado mais relevante da pesquisa é a queda consistente da vantagem do presidente. Em dezembro, Lula aparecia com 51% contra 36% do senador. Em julho de 2025, o placar era 48% a 37%.
O encurtamento da distância sugere que a eleição de 2026, ainda distante no calendário, pode caminhar para uma polarização reeditada — mas menos confortável para o atual presidente.
Polarização sobrevive à inelegibilidade de Bolsonaro
Mesmo com o ex-presidente Jair Bolsonaro fora do jogo eleitoral, o levantamento reforça que o bolsonarismo continua competitivo no eleitorado nacional.
Filho do ex-presidente, Flávio Bolsonaro desponta como principal herdeiro político do campo conservador em um eventual confronto direto com Lula. O crescimento do senador dentro da série histórica da pesquisa indica que o eleitorado identificado com o bolsonarismo tende a se reorganizar rapidamente em torno de um nome competitivo.
Para analistas políticos, o movimento também reflete um fenômeno recorrente no Brasil: presidentes em exercício costumam sofrer desgaste natural ao longo do mandato, abrindo espaço para adversários na reta intermediária do governo.
Lula ainda lidera contra outros nomes da direita
Apesar da aproximação de Flávio Bolsonaro, o levantamento mostra que Lula continua à frente de outros possíveis adversários da direita e do centro-direita.
Em um cenário contra o governador paulista Tarcísio de Freitas, Lula aparece com 45%, contra 42% do governador — também dentro da margem de erro.
A disputa apresenta estabilidade em relação ao final de 2025 e confirma Tarcísio como um dos nomes mais competitivos do campo conservador, embora ainda sem ultrapassar o presidente.
Contra o governador do Paraná, Ratinho Junior, o presidente tem 45%, enquanto o paranaense soma 41%. O desempenho sugere que Ratinho mantém potencial eleitoral relevante, sobretudo fora do eixo Sudeste.
Já contra o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, Lula teria 46% contra 36%.
Em um eventual confronto com o governador gaúcho Eduardo Leite, o presidente alcançaria 46%, enquanto Leite teria 34%.
Em ambos os casos, o percentual de eleitores que declaram voto branco ou nulo cresce — sinalizando menor polarização direta do que no embate entre lulismo e bolsonarismo.
Teste sem Lula revela disputa mais aberta
O instituto também simulou cenários em que o candidato do campo governista seria o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Contra Flávio Bolsonaro, Haddad aparece ligeiramente atrás:
- Haddad: 41%
- Flávio Bolsonaro: 43%
Já contra Ratinho Junior há empate absoluto, com 40% para cada lado.
Os números indicam que a força eleitoral do governo ainda está fortemente associada à figura de Lula, e que a transferência automática de votos para um sucessor petista permanece incerta.
Sinais políticos por trás dos números
A pesquisa traz três mensagens centrais para o tabuleiro político:
1. A eleição começou antes do esperado
Mesmo faltando mais de dois anos para o pleito, a consolidação de cenários de segundo turno mostra que os eleitores já começam a projetar alternativas de poder.
2. A polarização segue viva
Apesar de novos nomes da direita aparecerem nas simulações, o embate que mobiliza o eleitorado continua sendo Lula versus herdeiros do bolsonarismo.
3. O governo enfrenta desgaste natural
A queda gradual da vantagem de Lula desde 2025 indica que o governo começa a enfrentar pressões políticas e econômicas que tendem a marcar a segunda metade do mandato.
O jogo ainda está longe do fim
Embora os números indiquem uma disputa mais apertada, analistas ressaltam que pesquisas realizadas a mais de dois anos da eleição funcionam sobretudo como termômetros de momento político, e não como previsão de resultado.
Até 2026, o cenário ainda pode mudar por fatores como:
- desempenho da economia
- evolução da popularidade do governo
- decisões judiciais envolvendo lideranças políticas
- definição das candidaturas da direita
Por ora, o levantamento do Datafolha aponta para uma conclusão clara: se a eleição fosse hoje, o Brasil reviveria um segundo turno competitivo – e potencialmente polarizado – entre lulismo e bolsonarismo.
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