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Começam os estudos para reformar o "novo" aeroporto de Guarapuava

Aeródromo foi reinaugurado há 6 anos e já necessita de ampla reestruturação

24/09/2025

Está sendo iniciada uma etapa considerada decisiva para a modernização do Aeroporto Tancredo Thomaz de Faria, de Guarapuava. Técnicos de topografia estão levantando dados do terreno para projetar uma nova pista, parte de um pacote de obras que inclui também melhorias no pátio e no projeto arquitetônico do terminal de passageiros.

A proposta de restauração do Aeroporto Municipal é patrocinada por um grupo de empresários, encabeçados pela Associação Comercial e Empresarial (ACIG), e conta com apoio da Prefeitura. 

Empresa contratada por R$ 600.000,00 começa o levantamento topográfico para sugerir novo projeto de remodelação do Aeroporto de Guarapuava 

O objetivo é ampliar a pista dos atuais 1.200 metros para 1.700 m, extensão mínima para pouso e descolagem de jatos com capacidade acima de 120 passageiros.

Além do alargamento, aventa-se a possibilidade de colocar uma nova capa asfáltica, de até 15 centímetros de espessura, para comportar a pressão das aeronaves maiores. Os estudos incluem análise de solo, para avaliar se a compactação existente é suficiente. Onde não for, na pista atual, poderá ocorrer a retirada de trechos inteiros de pavimento, para fazer nova compactação. 

REFORMA DA REFORMA

Tudo isso acontece porque o atual aeroporto, inaugurado há 6 anos, na gestão do então prefeito Cesar Silvestri Filho, foi projetado somente para comportar turboelices ATR-72, numa negociação onde a empresa Azul passou a atuar com exclusividade. A crise financeira na empresa aérea foi o suficiente para colocar o projeto abaixo, já que outras companhias, como a Gol e a Latam, só operam com aviões maiores.

Em meio à nova reforma, que vem sendo processada agora, setores da sociedade começam a refletir se não seria o caso de partir para um projeto mais arrojado, a exemplo do que vem sendo planejado em Ponta Grossa, com a construção de um novo aeroporto e pista de 2.800 metros.

Em Guarapuava, um projeto mais amplo consideraria a viabilidade de pelo menos duas pistas – uma para aviões de passageiros; outra, para cargueiros. A ideia leva em conta a necessidade emergente de implantação de um "hub" logístico, que tem forte apelo para atração de grandes investimentos, associados a programas de parques industriais e "link" nas instituições universitárias, de onde provém um considerável contingente de mão de obra formada e potencial empreendedorístico. 

Se a Região Central não pensar nessa modernização, a tendência é de que os investidores optem por locais com infraestrutura adequada, como Ponta Grossa e Cascavel – sem contar Curitiba, Londrina e Maringá. 

Só o projeto técnico da reforma em Guarapuava está custando R$ 600.000,00. Para as ampliações pretendidas, calcula-se que serão necessários pelo menos R$ 50 milhões, com a expectativa de recursos do governo do Estado.

Um estudo mais amplo poderia apontar um novo local, já que o atual aeroporto de Guarapuava oferece limitações de áreas para crescimento e está muito próximo do núcleo urbano. Por outro lado, municípios do entorno poderiam se associar ao objetivo, investindo recursos e também estímulos locais de empreendedorismo, valendo-se de um novo e moderno terminal de transporte de cargas. Assim, o aeródromo ganharia, verdadeiramente, o "status" de Aeroporto Regional e serviria ao acalentado sonho de desenvolvimento regional no polo central do Paraná.

Outra questão suscitada é: se há recursos estaduais, por que não aplicá-los num projeto abrangente e com durabilidade de longo prazo? A par disso, um investimento desta envergadura projetaria a região a um "upgrade" no seu modelo socioeconômico, com mais planejamento e infraestrutura, conduzindo à geração de efetivas oportunidades.

A Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) é uma vital alavanca para a conquista desta meta e vem se fortalecendo como propulsora de conhecimento. O problema é que, com aberturas restritas no campo de trabalho, os profissionais se formam em Guarapuava e saem para outros centros. A retenção de mão de obra qualificada exige infraestrutura condizente com um modelo suficientemente desenvolvimentista. 

O receio é de que, se isso não for pensado agora, incorra-se no mesmo processo que culminou em 2019 – ou seja, construir uma "obra nova" (o aeroporto) que 6 anos depois (hoje) precisa ser sensivelmente reformada. 

A gestão do prefeito Denilson Baitala tem as condições exigidas para inaugurar um novo paradigma de desenvolvimento, sem repetir os erros do passado recente e ampliar horizontes para além de demandas meramente paroquiais. É este conceito contemporâneo de economia que impulsionaram regiões mais favorecidas ao seu estágio de crescimento. E o contrário é totalmente verdadeiro.

AS NOVAS OBRAS

Os trabalhos da nova reestruturação vão persistir, com os levantamentos já iniciados nesta semana. Os empresários vinculados à ACIG ponderam a necessidade imediata de retorno dos voos comerciais regulares. Todavia, ainda que ocorra a reconstrução da pista e do terminal, junto com a instalação de equipamentos de navegação indispensáveis, as empresas aéreas irão decidir aterrissar em Guarapuava  com base na viabilidade da linha, se houver volume de passageiros em dias e horários contínuos.

No Paraná, a Azul continuou em Pato Branco, município do Sudoeste com 83.000 habitantes. Na última semana, os patobranquenses comemoraram mais de 1.000 voos.

Em Guarapuava, a tendência vigente aposta todas as fichas na reforma do atual aeroporto. O levantamento topográfico, segundo o comandante Hammer Schimidt, responsável pela empresa contratada para fazer o novo projeto, é fundamental para definir o eixo da pista e calcular os ajustes necessários no solo. 

“Precisamos de informações de geotecnia e geometria para compor o projeto da nova pista, identificar onde esse eixo vai ficar e qual o movimento máximo que podemos realizar para a nova estrutura”, disse o empresário. 

A previsão é que o levantamento, que deve durar de dez a quinze dias, permita à equipe técnica entregar o projeto até o fim de outubro. A partir daí, o município poderá protocolar a proposta e dar início aos trâmites burocráticos e de licenciamento.

Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Júlio Agner, o aeroporto terá que ser fechado temporariamente para sondagens na pista atual. Ele destacou que a operação foi planejada para reduzir o impacto no tráfego aéreo e que o terminal será reaberto logo após a conclusão da etapa.

O projeto é viabilizado por meio de uma parceria entre o poder público e entidades do setor privado, incluindo a ACIG, a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), sindicatos patronais e empresas locais. Essa colaboração, afirmou Agner, tem sido essencial para o andamento dos trabalhos.

O município vê na reestruturação do aeroporto um investimento estratégico. A modernização é tratada como um vetor de crescimento econômico, capaz de melhorar o escoamento da produção regional, ampliar a mobilidade e reforçar a atratividade de Guarapuava como polo logístico e empresarial.

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