Com fim da fábrica em Quedas, Millpar concentra produção em Guarapuava
Empresa fechou a matriz após 53 anos de atividades
20/08/2025
Fábrica da antiga Giacomet Marodin/Araupel em Quedas do Iguaçu chegou a ter 5.000 funcionáriosO fechamento da histórica fábrica de Quedas do Iguaçu, que há 53 anos nasceu com o nome de Giacomet Marodin e depois Araupel, é mais um capítulo na vida desse grupo empresarial, hoje denominado Millpar.
A partir de agora, em meio à crise entre Brasil e Estados Unidos, com as tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, toda a produção de madeira processada para a construção civil e moveleiro, passa a ser concentrada na unidade de Guarapuava – situada no bairro Atalaia, margem da PR-466, perto do distrito de Palmeirinha.
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A unidade guarapuavana recebeu investimentos iniciais de R$ 40 milhões, com previsão de 1.700 funcionários, e prospectou a grande parte dos negócios nos Estados Unidos.
Até ontem com 1.100 empregados, a Millpar terá redução de "menos de 10%" desse contingente com o fechamento em Quedas do Iguaçu. Para o porte da fábrica de Guarapuava, serão necessários cerca de 1.000 trabalhadores, que era o número com o qual vinha operando, antes do "tarifaço" imposto pelo governo estadunidense. No atual quadro internacional, haverá readequação de produção e, consequentemente, de operários, mas o impacto ainda está sendo mensurado pela empresa.
A transição de Quedas do Iguaçu para Guarapuava começou depois de grandes e extenuantes enfrentamentos entre o grupo empresarial, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o MST. A região de Quedas e Rio Bonito do Iguaçu transformou-se no maior assentamento de sem-terra da América Latina.
Um dos caminhos do grupo foi começar vida nova em Guarapuava. Até que veio "tarifaço" e uma nova fase de dificuldades começou a se desenhar no horizonte do grupo, sob o comando SEO Ettore Giacomet Basile, baseado em Porto Alegre (RS).
"Tarifaço" dos EUA
As recentes medidas do grupo, segundo comunicado oficial, decorrem exclusivamente da perda de competitividade causada pelo aumento das tarifas de importação dos Estados Unidos.
O repentino aumento tarifário reduziu drasticamente a atratividade do produto brasileiro e obrigou a empresa a adotar ajustes. Em julho, a Millpar já havia concedido férias coletivas em suas fábricas, tornando-se a primeira indústria do Paraná a reagir ao “tarifaço”.
“São decisões extremamente difíceis, mas necessárias para manter a sustentabilidade do negócio e preservar parcela significativa dos postos de trabalho”, afirmou Ettore Giacomet Basile.
Impacto regional
O fechamento representa um duro golpe para Quedas do Iguaçu, município de cerca de 33 mil habitantes cuja economia depende fortemente da indústria madeireira. A fábrica da Millpar era um dos principais empregadores locais e sua saída deve afetar fornecedores de insumos, transportadoras e prestadores de serviços terceirizados.
Com menos renda circulando, o comércio e o setor de serviços tendem a sentir os reflexos de forma imediata. Já em Guarapuava, cidade polo da região com 190 mil habitantes, a decisão tem efeito duplo: embora haja cortes de pessoal, a concentração das operações garante a manutenção de uma base industrial que sustenta parte relevante da economia local.
Setor em risco
Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), as medidas do governo brasileiro são insuficientes diante da magnitude do problema. O setor exportou US$ 1,6 bilhão em 2024 apenas para os EUA, e estima-se que 180 mil empregos estejam em risco em todo o país caso não haja revisão tarifária.
A Millpar afirma ter concedido, além dos direitos trabalhistas, benefícios adicionais aos demitidos, como auxílio-alimentação temporário, apoio psicológico e suporte para recolocação. A empresa diz acompanhar de perto a conjuntura internacional e defende que uma solução só será possível por meio de negociação direta entre Brasília e Washington.
“Já enfrentamos grandes desafios antes. É justamente nesses momentos que reforçamos nossa capacidade de adaptação e resiliência”, concluiu Basile.
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