BrasPine, outra indústria madeireira a adotar férias coletivas
Empresários alegam dúvidas de mercado com ameaças de "tarifaço" norte-americano
16/07/2025
Unidade fabril da BrasPine em Jaguariaíva, região dos Campos Gerais: mesma situação alegada pela Millpar, de Guarapuava A indústria de madeira BrasPine, de Jaguariaíva, nos Campos Gerais, também colocou seus 700 funcionários em férias coletivas, sob a mesma justificativa da Millpar, de Guarapuava, como prevenção a virtuais restrições tarifárias anunciadas pelo governo dos Estados Unidos a produtos brasileiros.
A medida é uma resposta à crescente instabilidade no mercado internacional, agravada por declarações e ações protecionistas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
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A BrasPine é referência na produção de molduras de madeira para o mercado externo. A Millpar, liderada pelo CEO Ettore G também adotou paralisações nas operações, sob um plano de contingência similar.
“As decisões fazem parte de um plano operacional construído com base em análises de riscos e cenários prospectivos, e foram desenhadas justamente para possibilitar respostas rápidas e estruturadas em situações de alta volatilidade econômica”, informou a BrasPine em nota.
Embora o setor madeireiro tenha mantido bons volumes de exportação nos últimos anos – somente em 2024, o Paraná exportou mais de US$ 627 milhões em produtos florestais, segundo dados da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre) –, o risco de novas barreiras tarifárias e mudanças abruptas na política comercial dos EUA vem gerando apreensão entre os empresários.
Há um componente político forte que está alterando a previsibilidade dos contratos, afirmam analistas que reverberam preocupação de executivos da indústria. A tensão maior gira em torno de eventuais sobretaxas sobre produtos manufaturados e beneficiados com alto valor agregado, como molduras e painéis de madeira, segmentos nos quais tanto a BrasPine quanto a Millpar têm forte atuação.
O setor madeireiro é estratégico para a economia paranaense, gerando cerca de 400 mil empregos diretos e indiretos no estado, de acordo com a Apre. As empresas atuam principalmente em regiões como os Campos Gerais e o Centro-Sul, áreas com forte tradição no manejo florestal e na industrialização da madeira.
Apesar da cautela no curto prazo, fontes do setor não descartam a retomada integral das operações, caso o cenário internacional volte a se estabilizar após o dia 1⁰ de agosto, data-limite imposto por Donald Trump e mesmo prazo anunciado pelo governo brasileiro, para superar a crise. Até lá, a ordem é preservar a saúde financeira das empresas e manter a capacidade produtiva em compasso com a demanda.
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