Alckmin minimiza impacto de tarifas dos EUA e aposta em novos acordos comerciais
Segundo o vice-presidente, apenas 3,3% das exportações para os Estados Unidos foram afetados pelo "tarifaço"
24/08/2025
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou que o Brasil tem condições de superar a crise comercial aberta com o pacote de tarifas imposto pelo governo dos Estados Unidos. Segundo ele, o impacto será limitado: apenas 3,3% das exportações brasileiras estão diretamente sujeitas ao chamado tarifaço de Donald Trump.
“Vai passar. Na década de 1980, 24% das exportações iam para os EUA, quase um quarto do total. Hoje esse número caiu para 12%. E o que foi afetado é 3,3%”, disse Alckmin, que também comanda o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
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O vice-presidente participou neste sábado (23) de um encontro do Partido dos Trabalhadores (PT) em Brasília, com especialistas da área econômica, para analisar o impacto das estremecidas relações bilaterais Brasil-Estados Unidos.
Em sua fala, Alckmin destacou que alguns setores industriais serão mais prejudicados. Entre eles, máquinas, equipamentos, calçados e têxteis, produtos com menor flexibilidade de realocação em outros mercados. Já alimentos, como carnes e café, podem ser redirecionados mais facilmente.
De acordo com dados apresentados por Alckmin, 36% das exportações brasileiras para os EUA foram atingidas pela tarifa de 50%. Outros 42% ficaram de fora, e 16% entraram em listas de sobretaxação aplicadas também a outros países, como no caso de aço, alumínio e cobre.
Para conter as perdas, o governo anunciou medidas de apoio aos exportadores, como abertura de linhas de crédito, suspensão de tributos sobre insumos importados e ampliação da restituição de impostos federais.
No campo diplomático, o Brasil ingressou com uma queixa na OMC (Organização Mundial do Comércio) contra as tarifas americanas e não descarta recorrer a cortes judiciais nos Estados Unidos. Paralelamente, o Planalto aposta em acordos de abertura de mercado, como o tratado Mercosul-União Europeia, cuja assinatura é esperada até o fim do ano, além de negociações com EFTA, Singapura e Emirados Árabes Unidos.
“Não vamos desistir de reduzir essa alíquota e ampliar a lista de produtos excluídos”, afirmou Alckmin, que tem atuado como principal negociador da resposta brasileira ao tarifaço.
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