A solidariedade pode salvar o mundo
14/11/2025
JOSIEL LIMA
A História Humana está repleta de tragédias, ruínas e recomeços. Povos inteiros foram devastados por guerras, epidemias e catástrofes naturais, mas o que sempre garantiu a sobrevivência da espécie foi a capacidade de reconstrução – e, acima de tudo, a solidariedade.
Quando o Vesúvio enterrou Pompéia sob cinzas em 79 d.C., comunidades vizinhas acolheram sobreviventes e preservaram a memória do desastre como um alerta à posteridade. Após o incêndio de Roma, em 64 d.C., cidadãos comuns se uniram para reerguer uma cidade ferida. Na Grécia Antiga, durante as Guerras Médicas, as pólis rivais – Atenas e Esparta – se uniram para enfrentar o inimigo persa. A cooperação, mesmo entre adversários, foi a força motriz que evitou a destruição total e moldou o rumo da civilização ocidental.
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Josiel Lima é agrônomo, pai de família, produtor rural, empresário, presidente do MDB em Guarapuava, foi candidato a deputado federal e secretário municipal de Agricultura
O que parecia uma lição distante dos livros de História ou das superproduções de Hollywood agora se impõe sobre nós com uma violência tangível. O tornado que devastou Rio Bonito do Iguaçu e chegou a comunidades de Guarapuava, Turvo e Porto Barreiro, com ventos que atingiram até 350 km/h, arrancou telhados, árvores e, por um instante, a sensação de segurança que acreditávamos inabalável. O som dos ventos substituiu o das vozes; o chão tremeu; a impotência foi coletiva. Em poucos minutos, as habitações e comércios se tornaram ruínas.
Mas, quando o vento cessou, emergiu algo mais forte que a destruição: a solidariedade. Guarapuava, que tantas vezes enfrentou alagamentos gigantes, viu sua população novamente se mobilizar. Caminhões de donativos cruzaram estradas; voluntários deixaram seus trabalhos para empunhar pás, carregar entulhos e erguer abrigos. E não foram apenas as mãos anônimas – o Estado inteiro se moveu. O Paraná, que já havia estendido a mão ao Rio Grande do Sul nas enchentes recentes, agora viu seus próprios filhos necessitarem do mesmo gesto.
Há algo profundamente humano nesse ciclo de dar e receber. A solidariedade é o antídoto contra o desamparo, a ponte que conecta indivíduos isolados pela dor.
Quando o servente de pedreiro oferece sua força, quando o governante flexibiliza a burocracia para acelerar a ajuda, quando o comerciante doa o que tem – não é apenas a reconstrução material que acontece. É uma reconstrução moral.
O que testemunhamos nesses dias é uma lição que as catástrofes antigas já tentaram nos ensinar: não somos entidades separadas, mas partes de um mesmo corpo social. A ideia de Aldeia Global, tão repetida nos discursos acadêmicos, revelou-se uma realidade palpável. O sofrimento de um torna-se o dever de muitos. A solidariedade, então, não é apenas uma virtude: é um instinto de sobrevivência da espécie.
Sem ela, a humanidade teria sucumbido há milênios. Foi o gesto coletivo que salvou cidades, manteve civilizações de pé e permitiu avanços científicos, culturais e éticos.
É o que diferencia o homem da fera: a capacidade de sentir a dor do outro e agir para aliviá-la.
Hoje, diante dos escombros e da dor, percebemos que a solidariedade é a força mais poderosa que temos. Mais que o vento, mais que a destruição. Ela nos lembra que, mesmo em meio ao caos, a compaixão é capaz de reconstruir o que parecia perdido.
A solidariedade pode salvar o mundo. Não como metáfora, mas como constatação. Estamos vendo e vivenciando isso: é possível, sim, transformar o medo em empatia, o desastre em união e a tragédia em recomeço. Quando um povo se levanta pelos seus, a humanidade renasce – e o mundo, ao menos por um instante, se torna um lugar melhor. Para que continue assim, só depende nós.
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