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Três golpes em um dia acendem alerta para avanço de fraudes digitais em Prudentópolis

Casos registrados envolvem falso advogado, falsa venda de bebidas e suposto representante de banco

08/08/2026

Uma sequência de três ocorrências de estelionato registradas em Prudentópolis, na região central do Paraná, em apenas um dia acendeu o alerta para o avanço das fraudes praticadas por meios digitais. Os casos, registrados pela Polícia Militar na sexta-feira (7), atingiram moradores e um estabelecimento comercial e envolveram prejuízos financeiros, transferências via Pix e tentativa de acesso a contas bancárias.

As ocorrências apresentam métodos diferentes, mas têm em comum o uso de informações e ferramentas digitais para conquistar a confiança das vítimas. A Polícia Civil deverá apurar os casos e verificar se existe alguma relação entre eles. Até o momento, não há confirmação de que os crimes tenham sido praticados pelo mesmo grupo ou pelos mesmos autores.

Falso advogado usa informações reais para aplicar golpe

Um dos casos chama atenção pelo grau de informação utilizado pelos criminosos. Uma mulher que possui ações trabalhistas a receber do Estado recebeu uma mensagem pelo WhatsApp de uma pessoa que se passou por seu advogado.

O falsário informou que os valores do processo estariam próximos de ser liberados, mas alegou que seria necessário pagar custas processuais. A vítima, acreditando estar falando com o advogado, compartilhou a tela do celular e fez um Pix de R$ 3.499,99.

Depois, o criminoso pediu o contato de um familiar, sob a justificativa de que ainda haveria outras taxas. A filha da vítima recebeu uma ligação de uma pessoa que se apresentou como juiz. Também orientada a compartilhar a tela do celular, ela contratou um empréstimo de R$ 1.066, correspondente ao limite disponível em sua conta no Mercado Pago, e transferiu o dinheiro por Pix.

A tentativa de obter valores de outros familiares levantou suspeitas. As vítimas entraram em contato diretamente com o escritório de advocacia, que informou não ter solicitado nenhum pagamento e confirmou que se tratava de um golpe.

Os comprovantes das transferências e as conversas mantidas com os criminosos foram anexados ao boletim de ocorrência. As vítimas também procuraram as instituições financeiras e bloquearam as contas envolvidas.

Como funciona o golpe do falso advogado

O caso reforça um tipo de fraude que merece atenção especial: o criminoso não necessariamente aborda a vítima de maneira aleatória. Ele pode utilizar nome, fotografia e informações reais relacionadas ao advogado, ao processo ou à própria vítima para construir uma aparência de legitimidade.

A utilização de uma fotografia real do profissional e de dados aparentemente privilegiados pode fazer com que a vítima acredite estar diante de uma comunicação legítima. O objetivo é criar urgência — normalmente com a promessa de liberação de valores — e induzir a pessoa a realizar pagamentos ou compartilhar informações bancárias.

Por isso, mesmo quando o contato utiliza imagem verdadeira do advogado e informações que parecem corretas, a recomendação é confirmar a solicitação diretamente com o escritório ou profissional por um canal já conhecido, e não pelo número utilizado pelo suposto advogado.

Falso fornecedor causa prejuízo de R$ 1.480

Em outra ocorrência, uma pizzaria do Centro foi vítima de uma fraude envolvendo a venda de bebidas.

Segundo o registro policial, um homem que se identificou como Allan entrou em contato com o estabelecimento e afirmou ser fornecedor. Ele ofereceu produtos e negociou a venda de bebidas por R$ 1.480.

O pagamento foi feito por Pix. No momento da entrega, porém, o verdadeiro proprietário das bebidas compareceu ao estabelecimento e informou que só liberaria a mercadoria depois de confirmar o pagamento.

Foi então que o responsável pela pizzaria percebeu que havia sido enganado. Segundo o relato, o homem que negociou a venda não era o proprietário das bebidas e teria utilizado a negociação para intermediar fraudulentamente o pagamento.

Golpista se passa por funcionário de banco

A terceira ocorrência envolveu um homem de 52 anos. Ele relatou à polícia que recebeu inicialmente uma comunicação pelo aplicativo do banco informando sobre uma suposta tentativa de invasão de sua conta.

Na sequência, recebeu ligação e mensagens pelo WhatsApp de uma pessoa que se apresentou como representante da instituição financeira. O suposto funcionário tentou orientar a instalação de um programa no celular para proteger a conta e convenceu a vítima a compartilhar a tela do aparelho e o código de verificação do cartão.

A instalação não foi concluída. Desconfiado, o homem encerrou o contato e verificou sua conta. Ele constatou duas compras realizadas com o cartão, uma delas em duas parcelas de R$ 2.549,88 e outra de R$ 49,88.

A vítima bloqueou a conta e comunicou o caso à instituição financeira e à polícia.

Os três registros ocorreram em Prudentópolis no mesmo dia, mas descrevem modalidades diferentes de fraude. A coincidência temporal, por si só, não permite afirmar que os crimes tenham sido praticados pelos mesmos autores.

A apuração deverá buscar elementos que possam indicar eventual ligação entre as ocorrências, como números de telefone utilizados, contas bancárias ou chaves Pix, dispositivos, dados obtidos pelas vítimas e outras informações deixadas durante as tentativas de fraude.

Enquanto os casos são investigados, a sequência serve de alerta para o crescimento dos golpes digitais e para a necessidade de confirmar qualquer solicitação de dinheiro ou informação bancária recebida por telefone, aplicativo ou rede social.

A regra mais segura é interromper o contato e procurar diretamente a instituição, advogado ou empresa envolvida por um canal oficial já conhecido.

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