Geral

Todo o respeito ao mito Axl Rose

PAULO ESTECHE

25/09/2017

Axl Rose não é mais o mesmo. Nós não somos mais os mesmos. Nem por isso fracassamos. Pelo contrário.

​Trinta anos atrás, o loiro de cabelos lisos compridos subia nos palcos com um short vermelho apertado, e soltava sua inconfundível voz de timbre marcante. Abusava dos falsetes e drive, parecia um gato grunhindo nos tons mais agudos.

Três décadas depois, o garoto que começou a cantar aos 5 anos no coral de uma igreja pentencostal nos Estados Unidos, hoje com 55 anos, certamente não é mais o mesmo de voz performática que compactuava com os acordes da guitarra de Slash como se um fosse extensão do outro. E de fato eram.

Não podemos penalizar a juventude de hoje que foi ao Rock'in Rio esperando o Axl Rose de 25 ou 30 anos, pois é assim que o vê em gravações antigas que povoam as redes sociais. O Axl Rose de 2017 tem 55 anos e sua voz acompanha as rugas do tempo. O marketing errático do business-show vende um Guns que não consegue entregar a um sedento e exigente consumidor. Fazem marketing sem conteúdo cultural. O resultado é que esta juventude ignora o lado do mito Axl Rose.

Com todo respeito às diferenças, apenas por analogia, Pelé não joga mais pelota nenhuma, mas é um ícone do futebol, é figura mitológica. Ocorre que no futebol há toda uma cultura de informação permanente. Já na música, a indústria fonográfica é burra, e emburrece. Porque formação musical pressupõe um conjunto de enriquecimento cultural que não interessa à subcultura que envolve a indústria da alienação. Rock'in Rio é comércio de terceira categoria, não é cultura. Pobre Axl Rose, ter que se submeter a essa estupidez.

 

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