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Sucesso da Festa da Cevada e do Malte é oportunidade para indústria cervejeira

Com a maior maltaria da América Latina, Guarapuava ainda sonha com uma grande cervejaria

17/11/2025
Festa ofereceu opções para um público diversificado: é como se a cidade inteira e a região passassem pelo Centro de Eventos Cidade dos LagosFesta ofereceu opções para um público diversificado: é como se a cidade inteira e a região passassem pelo Centro de Eventos Cidade dos Lagos

A 1ª Festa Nacional da Cevada e do Malte terminou neste domingo (16) em Guarapuava com avaliação altamente positiva: três dias de shows, preços relativamente acessíveis e gastronomia popular e um público que lotou o Centro de Eventos Cidade dos Lagos desde a abertura, na sexta-feira, até o encerramento. O prefeito Denilson Baitala e a vice-prefeita Rosângela Virmond saem do fim de semana convencidos de que a cidade comporta, simultaneamente, múltiplos eventos de grande porte – e de que o marketing do “capital nacional da cevada e do malte” finalmente encontrou um palco proporcional à sua ambição.

Baitala e Rosângela participaram ativamente de toda a programação. O prefeito anotou um dado que deve orientá-lo politicamente pelos próximos meses: enquanto a festa rolava solta no Centro de Eventos, um show de Almir Sater acontecia simultaneamente no auditório da UTFPR. No mesmo Centro de Eventos, em área anexa à Festa da Cevada e do Malte, a CooperAliança lotava o salão no XV Festival de Carnes Nobres. “Há público para grandes eventos num único dia em Guarapuava”, disse o prefeito.

A administração pode transformar volume de público em política pública – e política pública, em investimento.

Prefeito Denilson Baitala e vice-prefeita Rosângela Virmond: anfitriões do público nos três dias de intensa programação

Organizada pela Secretaria Municipal de Turismo e Eventos, com participação direta da vice-prefeita Rosângela Virmond e da diretora do Departamento de Eventos, Leila Pires, a festa mobilizou todas as secretarias municipais em conjunto com a Abrasel, cervejeiros e núcleo de agricultura familiar.

O resultado foi um tablado de cultura popular que misturou sertanejo e rock, hambúrgueres e churros, artesanato e malte em estado sólido, líquido e experimental.

A engenharia da euforia

A festa foi construída em três camadas.

A primeira camada, a musical, variou de Guilherme & Benuto – que estrearam a programação exaltando Guarapuava “como polo nacional da cevada e do malte” – à Banda Malta, para quem o festival poderia ser denominado de Festa da Cevada e da “Malta”. O recado implícito: artistas de diferentes circuitos atraem e diversificam o público quando a cidade oferece estrutura, público e narrativa.

A segunda camada, a gastronômica, se apoiou em 26 barracas que funcionaram como um termômetro do apetite local. Pizza, crepes, hambúrgueres, doces, lá estavam as opções que a Abrasel – parceira contumaz do Departamento de Eventos – leva às promoções de gastronomia da cidade. Para os comerciantes, como João Santos, que trabalhou nos três dias, a avaliação foi objetiva: “Para quem vive de gastronomia, um evento assim é fundamental.”

A terceira camada, e talvez a mais estratégica, foi a cervejeira – o coração ideológico da festa. Oito cervejarias artesanais da região transformaram seus estandes em pequenas arenas sensoriais. A gramática do festival não era apenas provar: era provar o local.

O repertório variou de pilsen clássica a receitas com goiaba, pitaya, erva-mate e bacon. Para visitantes como Ana Paula Ribeiro, que experimentou a polêmica cerveja de bacon, a experiência serviu como prova de conceito: “Não imaginava que bacon combinaria com cerveja. Mas combina. E é marcante”, relatou.

Além do copo: o malte como estética

Por trás do entretenimento, o evento atuou como vitrine para outro braço da economia local: a cadeia de produtos derivados de malte. Ali, a lógica era outra. Não se tratava de bebida, mas de transformação.

Queijo maturado na cerveja – criado após um desafio da Secretaria Municipal de Agricultura. Cookies de malte – fornecidos diretamente por produtores. Artesanato inspirado na cevada – de canetas a pratos decorativos. Cosméticos – sabonetes e hidratantes artesanais, vendidos como “malte para a pele”.

Esse ecossistema não apenas amplia a narrativa do mercado cervejeiro artesanal de Guarapuava, mas dá forma material à sua identidade. É a tentativa de transformar a cidade em marca – e o malte em símbolo cultural.

O que falta a Guarapuava, como consequência natural por abrigar a maior maltaria da América Latina (Agromalte) e o cultivo da Cevada alicerçado em avançadas pesquisas, é a instalação de uma grande indústria cervejeira. É um desejo que a cidade cultiva há meio século, desde que a maltaria Agromalte ganhou formato em meio aos campos verdejantes do distrito de Entre Rios.

A rota está amplamente aberta: a Cooperativa Agrária está investindo R$ 1,1 bilhão para ampliar a Agromalte e, em parceria com a Ireks do Brasil, na produção de malte especial. Paralelamente, empresários das cervejarias artesanais se desdobram como podem para sustentar marcas premiadas, com potencial para indústrias maiores. Alguns cervejeiros já pensaram, ou continuam pensando, em aumentar o tamanho de suas indústrias caseiras, para uma unidade com produção em larga escala. O sonho continua, sob a dependência de um projeto econômico estruturado com apoio oficial, a exemplo da Agrária, que alicerçou seu novo empreendimento sob a tutela de programas governamentais (Paraná Competitivo).

A resposta do público: participação

A cada noite, o Centro de Eventos enchia com famílias e muitos jovens. O movimento constante rendeu ao festival uma atmosfera de parque urbano temporário. A guarapuavana Mariana Fernandes sintetizou essa percepção: “É um momento para relaxar, encontrar pessoas e sentir a cidade viva.”

É esse “sentir a cidade viva” que pode alimentar, politicamente, a gestão Baitala nesse campo econômico, que une cultura, alimento e economia.

A festa funcionou como vitrine pública para o título de Capital Nacional da Cevada e do Malte, recebido no fim de 2024. Um selo federal que, na prática, precisa de demonstrações concretas – feiras, congressos, festivais – para existir além do papel.

Faltou uma área temática para ressaltar a importância da cevada e do malte para a região.  Os estantes poderiam ocupar um espaço com teor técnico-científico, levando o público a experiências imaginativas dentro uma "mini" Agromalte, áreas e método de plantio de cevada, a transformação em malte, até réplicas das indústrias cervejeiras artesanais em funcionamento.

Se quisesse ir além, a Festa poderia ter um dia dedicado a uma conferência sobre a atividade agrícola. Sem contar, que há uma semana o governador Ratinho Júnior anunciou junto com a diretoria da Agrária o investimento na Agromalte, que deverá gerar cerca de 1.000 empregos diretos e indiretos no município. Trazer Entre Rios para mais perto do povo que lotou o Centro de Eventos seria um exercício cultural, didático e, acima de tudo, de integração com os "suábios" que transformaram, há sete décadas, áreas de pastagens em modernas plantações. A cultura de um povo se fixa e se expande quando há compreensão real do seu significado.

Nenhuma dessas conclusões seria possível sem a coragem da gestão Denilson Baitala em realizar a 1ª Festa, oferecendo à imprensa profissional e aos observadores a possibilidade de noticiar, avaliar, aplaudir e oferecer elementos para reflexões. Antes de todos, a Ouvidoria do Município estava lá, solicitando que o público avaliasse a festa, fizesse críticas e sugerisse novas ideias. Sinal de que a administração municipal sabe escutar e quer melhorar, sempre.

O que fica é uma síntese simples: o malte saiu do copo, ganhou corpo, virou identidade – e por três dias, colocou a cultura cervejeira como opção de investimento para o setor de eventos e turismo no município. A partir de agora, com as condições oferecidas pela Prefeitura, a cerveja pode ser mais do que um brinde.

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