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Secretário de Trânsito apresenta propostas e desafios para um novo transporte urbano

Estudo foi elaborado por empresa de Curitiba; valor da passagem, sem desconto ou subsídio, iria a R$ 11,00

30/08/2025
Secretário municipal de Trânsito, Péricles de Matos: “Cada cidadão tem espaço para dar a sua sugestão ou críticaSecretário municipal de Trânsito, Péricles de Matos: “Cada cidadão tem espaço para dar a sua sugestão ou crítica"

Linhas diretas para desafogar o Terminal da Fonte, já saturado, renovação e modernização da frota e financiamentos para custear a implantação do novo projeto. Estas foram algumas das propostas durante a audiência pública sobre o transporte público de Guarapuava, promovida pela Secretaria Municipal de Trânsito (SeTran) na noite desta sexta-feira, na Câmara Municipal. O maior desafio, porém, é o valor da passagem a ser pago pelo usuário, que, sem subsídio ou desconto por parte da Prefeitura, ficaria em torno de R$ 11,00, quase três vezes mais que o valor cobrado atualmente.

As propostas da Secretaria se basearam num estudo realizada pela Urbitec, empresa de consultoria e planejamento urbano, com sede em Curitiba. O encontro reuniu vereadores, lideranças comunitárias e moradores, que puderam opinar diretamente sobre o plano em elaboração. Atualmente, uma única empresa, a Transportes Coletivos Pérola do Oeste, explora com exclusividade, sem concorrência, o serviço em Guarapuava.

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A pesquisa de campo realizada entre outubro e novembro de 2024 ouviu 2.425 usuários e revelou insatisfação generalizada com o serviço:

  • 70% consideram a tarifa “ruim ou péssima”;
  • 61%avaliam as condições das paradas como inadequadas;
  • 48% reclamam da lotação nos veículos.

Entre os gargalos, destaca-se o Terminal da Fonte, que foi projetado para receber 12 ônibus, mas chega a operar com até 39 simultaneamente. Além disso, bairros como Alto Cascavel, Cidade dos Lagos, Araucária e Morro Alto apresentam atendimento precário ou inexistente.

O que muda com o novo plano

A proposta busca aliar sustentabilidade, acessibilidade e eficiência. Os principais pontos incluem:

  • Frota: ônibus de baixa emissão, todos com ar-condicionado e acessibilidade, com capacidade para 75 a 90 passageiros.
  • Infraestrutura: criação de novos terminais de integração em bairros como Cidade dos Lagos, Santa Cruz, Cascavel e Mattos Leão.
  • Linhas: redesenho completo, com linhas troncais de maior frequência, linhas alimentadoras e uma linha circular conectando os terminais sem necessidade de passar pelo centro.
  • Intervenções viárias: implantação de canaletas exclusivas e faixas prioritárias para agilizar o tráfego.
  • Menos tempo no trajeto

Um dos principais atrativos do plano é a redução no tempo de viagem entre bairros. Em alguns casos, a diminuição pode chegar a 65%:

  • Cidade dos Lagos – Residencial 2000: -65%;
  • Industrial – Santa Cruz: -39%;
  • Boqueirão – Jardim das Américas: -36%;
  • Cidade dos Lagos – Alto Cascavel: -37%.

Com esta metodologia, as linhas atravessariam a cidade sem passar pelo Terminal da Fonte, desviando áreas nevrálgicas do trânsito que ficam problemáticas principalmente no horário de “rush”, na entrada e saída do trabalho.

O Terminal da Fonte foi implantado há cerca de 30 anos, na área mais central da cidade, para ser um centro de distribuição de linhas e permitir ao usuário o pagamento de uma única passagem, pegando dois ônibus. Pelo menos dois terminais paralelos foram construídos, para servir à mobilidade em bairros, mas estão desativados.

No passado também se discutiu “tarifa zero”, com subsídio total da Prefeitura. O assunto não evoluiu.

O peso no bolso

Agora, com a nova proposta, da Urbitec, a preocupação central o valor da tarifa. O estudo projeta passagens entre R$ 10,46 e R$ 11,15. A nova bilhetagem, no entanto, permitirá integração temporal de até 1h30 entre linhas sem cobrança extra.

A implantação exigirá pesados investimentos em terminais, adequação viária e tecnologia. O financiamento poderá vir de bancos públicos como BNDES e BRDE, além de recursos federais via Novo PAC e até agências internacionais. O cronograma prevê execução em fases ao longo de dez anos.

Desafio político e social

Embora tecnicamente consistente, o plano terá de superar dois obstáculos: a resistência dos usuários a uma tarifa considerada alta e a dependência de financiamentos externos. Em uma cidade onde a maioria já reclama do valor atual, a elevação para patamares acima de R$ 10 pode gerar forte contestação social.

Segundo o secretário de Trânsito e Transportes, Péricles de Matos, a audiência simboliza um exercício democrático.

“Cada cidadão tem espaço para dar a sua sugestão ou crítica, contribuindo diretamente para a construção de opções que melhorem a mobilidade urbana de Guarapuava”, afirmou o secretário municipal de Trânsito.

O evento abriu espaço para questionamentos sobre a qualidade do serviço e a pontualidade dos ônibus, problemas recorrentes no sistema atual. Parte do público pediu maior transparência no cronograma de implementação das medidas.

As contribuições recebidas serão incorporadas à versão final do plano, que ainda está em fase de ajustes. A administração municipal afirma que o objetivo é transformar o transporte coletivo em um serviço mais eficiente e acessível.

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