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O caso do agricultor que foi multado por extração irregular de musgo na Serra da Esperança

O rigor da lei e a falta de conscientização sobre os limites em área de preservação ambiental

20/08/2025

Um agricultor de Guarapuava foi autuado em R$ 6 mil e responderá a processo criminal após ser flagrado transportando 115 sacos de musgo retirados de sua propriedade, localizada na Área de Proteção Ambiental (APA) da Serra da Esperança. O episódio evidencia a crescente rigidez da legislação ambiental brasileira e expõe os riscos enfrentados por produtores rurais que negligenciam os limites legais de exploração em territórios preservados.

A Polícia Ambiental interceptou o veículo do agricultor na BR-277, em Guarapuava, na última semana. Segundo a corporação, ele não apresentou licença do Instituto Água e Terra (IAT) nem documentação fiscal que autorizasse a extração. O agricultor alegou que o material fora retirado durante a limpeza de sua lavoura de erva-mate e seria vendido, mas a justificativa não afastou a caracterização do crime ambiental. Caso a comercialização tivesse ocorrido, compradores também poderiam ser responsabilizados.

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O musgo apreendido – do tipo esfagno, muito utilizado em jardinagem e no cultivo de orquídeas – foi entregue à Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Guarapuava. Embora aparentemente inofensiva, a coleta em larga escala ameaça o equilíbrio ecológico das APAs, que desempenham funções cruciais de conservação da biodiversidade e proteção de nascentes.

A legislação brasileira é clara: Áreas de Proteção Ambiental não proíbem a atividade humana, mas impõem regras estritas de manejo, exigindo autorizações específicas para qualquer retirada de recursos naturais. No Paraná, cabe ao IAT regulamentar essas permissões. Especialistas em direito ambiental destacam que a rigidez legal é uma resposta ao avanço da pressão agrícola sobre ecossistemas frágeis.

“O desconhecimento ou a banalização da norma não reduzem a gravidade do dano. Cada intervenção irregular em áreas de preservação contribui para a perda de serviços ambientais essenciais”, afirma um consultor ouvido pela reportagem.

O caso também ilumina um mercado paralelo de plantas ornamentais, que cresce à margem da regulação e frequentemente se abastece de práticas de extração ilegal. Para autoridades ambientais, episódios como este reforçam a necessidade de maior conscientização entre produtores sobre os limites legais de cultivo e a importância de incorporar práticas sustentáveis ao agronegócio.

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