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No Brasil das desigualdades, ricos ganham mais e pagam menos imposto que a classe média

Segundo estudo, milionários concentram 27% da renda e geram 20,6% de tributos

29/08/2025
A miséria assombra cidades de até de pequeno porte, onde a população convive, lado a lado, entre um grande contingente afetado pela pobreza extrema e com um seleto número de ricosA miséria assombra cidades de até de pequeno porte, onde a população convive, lado a lado, entre um grande contingente afetado pela pobreza extrema e com um seleto número de ricos

Os números confirmam o que muitos economistas já suspeitavam: no Brasil, os muito ricos não apenas concentram a renda, mas também pagam proporcionalmente menos impostos que a classe média. Um estudo divulgado nesta sexta-feira (29) pelo Ministério da Fazenda, em parceria com o economista francês Gabriel Zucman e o EU Tax Observatory, mostra que o 1% mais rico da população — aqueles com rendimentos anuais acima de R$ 5,5 milhões – concentra 27% de toda a renda nacional, mas arca com uma alíquota efetiva de apenas 20,6%. Para comparação, famílias de renda média enfrentam uma carga próxima de 42,5%.

Esse desequilíbrio decorre de duas características do sistema brasileiro: a forte dependência de tributos sobre consumo e a ausência de tributação sobre dividendos. A combinação faz com que o país figure entre as dez maiores economias do mundo e, ao mesmo tempo, entre as mais desiguais.

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Zucman, especialista em desigualdade e evasão fiscal, destacou que, ao incluir ganhos empresariais no cálculo, a concentração de renda no Brasil é ainda maior do que se estimava. Internacionalmente, milionários pagam entre 22% e 42% em impostos, o que coloca o Brasil na faixa mais branda de tributação.

Fernando Haddad, ministro da Fazenda, busca aproveitar o estudo para reforçar o debate sobre a reforma tributária em curso no Congresso.

O governo propôs isentar quem ganha até R$ 5 mil e elevar as alíquotas sobre os mais ricos – uma medida descrita por Haddad como “modesta”, mas necessária para abrir caminho a uma tributação mais progressiva.

O relatório surge em meio a esforços da Receita Federal para enfrentar tanto a sonegação quanto a criminalidade organizada. Um dia antes, o governo anunciou uma operação contra esquemas de fraude ligados ao PCC, que Haddad descreveu como um ato de “patriotismo fiscal”.

Embora a pesquisa seja fruto de colaboração entre economistas brasileiros e estrangeiros, seu efeito político dependerá menos da técnica e mais da disposição do Congresso em enfrentar interesses de elites econômicas habituadas a um sistema tributário que as poupa.

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