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“Não há chance de recuar um milímetro”, diz Alexandre de Moraes em "aviso" aos EUA

Declarações foram dadas ao influente jornal The Washington Post

18/08/2025

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes afirmou ao jornal norte-americano The Washington Post que não há possibilidade de retroceder na tramitação das ações relacionadas à trama que tentou manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder.

Em entrevista concedida aos correspondentes Marina Dias e Terrence McCoy, Moraes disse que seguirá rigorosamente os trâmites legais: “Vamos receber a denúncia, analisar as evidências, e quem tiver de ser condenado vai ser condenado, e quem tiver de ser absolvido vai ser absolvido”, afirmou, segundo a publicação.

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O perfil publicado pelo Post descreve Moraes como um magistrado acostumado a embates com autoridades políticas, guiado pela máxima pessoal “nunca desista, sempre avance”. Ele afirmou ainda que o Brasil foi infectado por uma doença “autoritária” e que seu trabalho é “aplicar a vacina”.

Para a reportagem, os jornalistas entrevistaram 12 pessoas próximas ao ministro, incluindo amigos e colegas, a maioria de forma anônima. Segundo o jornal, a postura rígida de Moraes é vista por alguns como essencial para preservar a democracia diante do avanço global do autoritarismo; outros críticos afirmam que suas decisões podem comprometer a legitimidade do STF.

O perfil também ressalta que Moraes se consolidou internacionalmente como “xerife da democracia”, em razão de despachos considerados abrangentes e de sua atuação sobre temas sensíveis, como liberdade de expressão, tecnologia e poder estatal. Entre as medidas citadas está a prisão domiciliar de Bolsonaro, determinada no início de agosto.

O artigo aborda ainda sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos ao ministro, incluindo a suspensão de visto e aplicação da Lei Magnitsky. Moraes atribui a iniciativa americana a informações falsas disseminadas nas redes sociais e pelo deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

“O que precisamos fazer, e o que o Brasil está fazendo, é esclarecer as coisas”, afirmou o ministro.

O julgamento da ação penal que tem Bolsonaro e sete antigos aliados como réus está marcado para 2 de setembro na Primeira Turma do STF, formada por Moraes, Cristiano Zanin, Luiz Fux, Flávio Dino e Cármen Lúcia.

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