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Lula x Flávio: pessimismo sobre economia empurra avaliação do governo para baixo

Em nova pesquisa, empate técnico entre pré-candidatos é confirmado

11/03/2026

A percepção dos brasileiros sobre a economia piorou nas últimas semanas e passou a impactar a avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo levantamento recente, 46% dos entrevistados afirmam que a situação econômica do país piorou, enquanto apenas 24% dizem que houve melhora.

O resultado indica deterioração em relação à pesquisa anterior, realizada em fevereiro, quando 43% afirmavam que a economia havia piorado e 30% avaliavam que estava “do mesmo jeito”. Já o percentual dos que acreditam em melhora permaneceu estável nas três últimas medições.

A expectativa em relação ao futuro também perdeu força. Atualmente, 41% dizem acreditar que a economia vai melhorar nos próximos meses, contra 34% que projetam piora e 21% que avaliam que a situação deve permanecer estável. Em janeiro, a parcela otimista era maior, o que indica queda gradual na confiança do eleitorado.

Avaliação do governo

O cenário econômico influencia diretamente a avaliação política do governo. A desaprovação da gestão de Luiz Inácio Lula da Silva segue numericamente superior à aprovação, embora a variação em relação ao levantamento anterior esteja dentro da margem de erro.

Analistas apontam que a percepção econômica costuma ser um dos principais fatores para definir a popularidade de governos em exercício. A inflação de alimentos e a sensação de perda de poder de compra são elementos frequentemente citados como motores do desgaste.

Apesar disso, o governo ainda mantém um núcleo consistente de apoio, o que ajuda a explicar por que as oscilações, até agora, não se traduziram em quedas abruptas de aprovação.

Impacto eleitoral

O ambiente de maior ceticismo econômico coincide com um cenário eleitoral mais apertado para 2026.

Pesquisa divulgada no fim de semana pelo Datafolha apontou empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro em uma eventual disputa de segundo turno.

No levantamento, Lula aparece com 46% das intenções de voto, contra 43% de Flávio. Considerando a margem de erro, o resultado configura empate técnico.

A comparação com a rodada anterior da pesquisa, realizada no início de dezembro, mostra redução significativa da vantagem do presidente. Na ocasião, Lula tinha 51% das intenções de voto, enquanto o senador registrava 36% – diferença de 15 pontos percentuais, agora reduzida para três.

Tendência semelhante no DataFolha

Outra pesquisa divulgada nesta quarta-feira, realizada pelo instituto Instituto Ideia em parceria com o portal Meio, apresentou resultado próximo.

Segundo o estudo, Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 47,4% das intenções de voto em um cenário de segundo turno, enquanto Flávio Bolsonaro soma 45,3%.

A proximidade dos números reforça a tendência de maior competitividade eleitoral e sugere que o debate econômico pode ganhar peso central na disputa política nos próximos meses.

Economia como eixo da disputa

Para cientistas políticos, a combinação entre deterioração na percepção econômica e queda na vantagem eleitoral tende a intensificar a pressão sobre o governo.

Historicamente, presidentes em exercício dependem da avaliação econômica para sustentar capital político e competitividade eleitoral. Quando a percepção do eleitor piora, adversários ganham espaço para disputar o voto de eleitores indecisos ou descontentes.

Nesse contexto, a evolução da inflação, do emprego e da renda real nos próximos meses pode se tornar um dos fatores decisivos tanto para a popularidade do governo quanto para o desenho da corrida presidencial de 2026.

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