Líder nas pesquisas, Moro enfrenta isolamento político em meio à disputa entre Ratinho Jr. e Flávio Bolsonaro
Senador aparece à frente nas intenções de voto para o governo estadual, mas resistência dentro da federação União Brasil-PP e movimentações nacionais colocam sua candidatura em xeque
12/03/2026
Sérgio Moro, Ratinho Júnior e Fábio Bolsonaro (Imagem gerada por IA)As pesquisas eleitorais divulgadas nos últimos meses – a mais recente nesta quinta-feira (12), pela Paraná Pesquisas – apontam o senador Sergio Moro (União Brasil-PR) como líder na corrida pelo governo do Paraná em 2026. O desempenho, porém, contrasta com um cenário político cada vez mais complexo para o ex-juiz da Operação Lava Jato, que enfrenta resistência dentro da própria federação partidária e vem sendo empurrado para uma posição de isolamento no tabuleiro eleitoral.
Eleito pela federação formada por União Brasil e Progressistas (PP), Moro encontra um obstáculo significativo dentro da aliança partidária. Lideranças do PP já manifestaram consenso de que não apoiam sua candidatura ao governo estadual, o que cria um “escudo” político dentro da própria estrutura que deveria sustentar sua campanha.
Guto Silva, com apenas 4,5% no levantamento da Paraná Pesquisas, o mais baixo índice entre os pretendentes da base governista. Com um detalhe: é o preferido de Ratinho Júnior, que tem mais de 80% de aprovação popular
Nos bastidores, aliados do senador afirmam que ele vem sendo gradualmente “rifado” em movimentos que envolvem dois polos da política nacional: o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o governador Ratinho Júnior (PSD). O senador insiste que será candidato pelo União Brasil, mas se especula que ele poderá migrar para o PL, na janela partidária que se abre em abril e permite a troca de partido.
Por isso, quem apoia outro candidato no Paraná, como é o caso de Ratinho Júnior, favorável ao seu atual secretário (das Cidades) Guto Silva, criar barreiras para Sérgio Moro está dentro de uma intrincada estratégia.
Ratinho Junior aposta em sucessão própria
As pesquisas também indicam que Ratinho Júnior mantém níveis elevados de aprovação administrativa no estado, em patamar superior a 80%. Esse capital político reforça a avaliação de que o governador terá forte capacidade de transferir votos para o candidato que decidir apoiar em sua sucessão.
Dentro do Palácio Iguaçu, a preferência do governador já é considerada clara, a favor de Guto Silva (PSD). A escolha é reconhecida inclusive entre outros dois nomes da base governista que aparecem como possíveis candidatos: o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca de Macedo (PSD) e o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (PSD).
Requião Filho, com 23,1%, pouco mais que a metade de Sérgio Moro: pré-candidato da esquerda, apoiado pelo lulo-petismo e movimentos populares
Está certo que Guto Silva deixará o cargo dentro do prazo previsto pela legislação eleitoral, em abril próximo, quando deverá ser oficialmente lançado como pré-candidato ao governo com apoio do Palácio Iguaçu.
O rearranjo eleitoral traria Greca na vice de Guto Silva e Alexandre Curi, fazendo duo no Senado com outra vaga da órbita do atual governador. Inclusive, com o próprio Ratinho Júnior, caso suas pretensões como presidenciável não progridam.
Ratinho Júnior aposta que seu alto índice de aprovação e a avaliação positiva do governo estadual poderão ser transferidos para Guto Silva, alterando o equilíbrio atual das pesquisas que hoje colocam Moro na liderança. O antipetismo entra nessa aritmética. Os governistas paranaenses dirão a seus fiéis seguidores, bolsonaristas por convicção, que votar em Guto é estar contra Lula; do contrário, é abrir espaço para os petistas continuarem no centro do poder da República.
Ambições nacionais ampliam disputa
O cálculo político do governador também está ligado à disputa presidencial. Ratinho Júnior avalia ter espaço, mesmo que momentaneamente, para viabilizar sua candidatura à Presidência da República dentro do PSD.
Pesquisas internas e levantamentos de opinião indicam que o governador aparece com baixo índice de rejeição em cenários que incluem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro. Os dados também apontam potencial de crescimento em grandes colégios eleitorais, sobretudo no Sudeste, onde estados como São Paulo concentram grande parte do eleitorado nacional.
É justamente esse perfil eleitoral que passou a ser visto como um incômodo por Flávio Bolsonaro, que a cada pesquisa vem crescendo na preferência do eleitorado, em disputa direta com Lula.
Queda de braço na direita
O enfrentamento entre os dois campos ficou explícito quando Flávio Bolsonaro condicionou sua estratégia no Paraná ao movimento de Ratinho Júnior. O senador afirmou que, caso o governador insista em disputar a Presidência, ele apoiará Sérgio Moro na eleição para o governo estadual, em oposição ao candidato do grupo governista.
Ratinho Júnior, por sua vez, reagiu sinalizando a possibilidade de “liberar” o diretório do Partido Liberal (PL) no Paraná – atualmente aliado de seu governo – para apoiar Flávio Bolsonaro na corrida presidencial.
O gesto foi interpretado por observadores políticos como uma tentativa de aproximação entre os dois grupos. Nesse cenário, passou a circular nos bastidores a hipótese de Ratinho Junior integrar uma chapa presidencial como vice de Flávio Bolsonaro – condicionante que o governador evita comentar publicamente, dizendo-se firme concorrente ao Palácio do Planalto. A quatro meses do período das convenções que definirão as candidaturas, previstas para julho/agosto, seria um erro fatal deixar qualquer lacuna passível de ser ocupada por outros pretendentes.
Analistas avaliam que os movimentos fazem parte de uma estratégia mais ampla do governador para manter protagonismo no debate sucessório nacional, garantindo espaço político para ele e para o PSD em uma eventual chapa majoritária – inclusive, numa hipotética vice de Flávio Bolsonaro, o que incluiria apoio fechado à candidatura do PSD no Paraná, ou seja, a Guto Silva. Sérgio Moro, o "herói da República de Curitiba", abdicaria da candidatura como um "dever patriótico".
Moro sob pressão política
Quando Flávio Bolsonaro engessa sua posição à desistência de Ratinho Junior da disputa presidencial, torna-se evidente o papel secundário que Moro pode assumir nesse jogo político mais amplo.
O fato é que, embora ainda carregue capital eleitoral associado à Lava Jato, especialmente em Curitiba – maior colégio eleitoral do Paraná e conhecida como “República de Curitiba” durante a operação que levou Lula à prisão –, o senador não possui uma estrutura partidária robusta no estado.
Sem o apoio pleno da federação União Brasil-PP e pressionado por disputas nacionais que ultrapassam a política paranaense, Moro corre o risco de ver sua candidatura perder sustentação política mesmo liderando as pesquisas.
O que dizem as pesquisas
O levantamento recente do instituto Paraná Pesquisas mostra Moro na liderança em diferentes cenários de primeiro turno para o governo estadual.
Na principal simulação, o senador aparece com cerca de 44% das intenções de voto. Em segundo lugar surge o deputado estadual Requião Filho (PDT), com pouco mais de 23%.
O parlamentar da oposição tenta consolidar uma candidatura ligada ao legado político do ex-governador Roberto Requião e aparece como principal nome de resistência ao atual governo estadual, com apoio do PT e dos movimentos populares. A divisão na direita e uma evidente campanha visando o crescimento de Lula no Paraná são fatores combinados na candidatura de Requião Filho.
Outros pré-candidatos também são citados nas sondagens eleitorais, como Alexandre Curi, Rafael Greca de Macedo e Guto Silva, com índices mais baixos nas intenções de voto no estágio atual da disputa. Quando observado o desempenho de Ratinho Júnior – o "árbitro do futuro", como definiu Rafael Greca, ao interpretar a submissão que ele e Curi têm em relação ao governador –, nenhum desses índices menores parecem ter importância. Tudo vai depender de como as cartas serão lançadas quando Guto Silva for declarado oficialmente como "o nome do governador".
Cenário ainda em construção
Apesar da vantagem de Moro nos levantamentos iniciais, o cenário eleitoral paranaense segue em formação. O fator considerado decisivo por analistas políticos é a definição do candidato apoiado por Ratinho Júnior.
A avaliação predominante é que, caso o governador consiga transferir parte de sua aprovação para Guto Silva, o quadro eleitoral poderá se alterar significativamente.
Nesse contexto, a corrida pelo governo do Paraná tende a ser definida menos pelas pesquisas atuais e mais pelas alianças políticas que se consolidarem ao longo dos próximos meses.
Alexandre Curi (no alto) e Rafael Greca (acima): sob a batuta de Ratinho Júnior, o "árbitro do futuro"
Paraná Pesquisas: Moro lidera com 44%; Requião Filho tem 23,1%
O senador Sergio Moro lidera com folga os cenários testados para a disputa eleitoral no Paraná, segundo levantamento recente.
No primeiro cenário, Moro soma 44% das intenções de voto. Na sequência aparecem o deputado estadual Requião Filho (PDT), com 23,1%, e o também deputado estadual Alexandre Curi (PSD), com 11,3%. O deputado federal Fernando Giacobo (PL) registra 4,5%, seguido pelo secretário das Cidades do Paraná, Guto Silva (PSD), com 4,3%. O advogado Luiz França (Missão) aparece com 0,9%.
Entre os entrevistados, 7,1% afirmaram que votariam em branco, nulo ou em nenhum candidato, enquanto 4,9% disseram não saber ou preferiram não opinar.
Em um segundo cenário, com a inclusão do ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (PSD), Moro mantém a liderança, com 40,1%. Requião Filho aparece em segundo lugar, com 20,4%, seguido por Greca, que pontua 19,1%.
Nesse recorte, Giacobo registra 4,7% das intenções de voto, Guto Silva tem 4,5% e Luiz França marca 0,7%. Brancos e nulos somam 5,7%, enquanto 4,7% dos entrevistados disseram não saber em quem votar.
No terceiro cenário testado, Moro amplia a vantagem e chega a 47% das intenções de voto. Requião Filho aparece com 26%. Giacobo registra 5,9% e Guto Silva, 5,5%. Luiz França tem 1,3%.
Nesse cenário, 8,2% dos entrevistados disseram que votariam em branco ou nulo, enquanto 6% afirmaram não saber em quem votar.
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