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Guarapuava registra crescimento tímido no emprego em 2025 e sinaliza cautela econômica

Números confirmam estilo conservador do empreendedor e falta de oportunidades para os jovens

30/05/2025

O início de 2025 trouxe números ambíguos para o mercado de trabalho de Guarapuava. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) revelam um mercado formal que cresce, mas em marcha lenta – com sinais de recuperação pontual, porém ainda distante de um ciclo robusto de geração de empregos.

O ano começou com o pé esquerdo: Guarapuava registrou saldo negativo de 27 vagas formais. Embora discreto, o número acendeu o sinal amarelo. O setor de comércio, termômetro imediato da atividade econômica, encolheu com o fechamento de 89 postos, refletindo o desaquecimento típico do pós-Natal. A construção civil, por outro lado, surpreendeu positivamente, com saldo de 54 vagas – indicador que pode sugerir movimentações no setor habitacional ou obras públicas iniciadas ainda em 2024. Com melhor performance dos setores de serviços e indústria, o município em 2024 encerrou com saldo de 3,91% de crescimento na geração de empregos.

Fevereiro trouxe alívio, com saldo de 308 novos empregos. O setor de serviços puxou a fila, com 1.281 contratações líquidas, seguido pelo comércio (+1.115). Mas esse bom desempenho foi altamente concentrado, e a base de crescimento ainda é frágil – dependente do consumo interno e do calendário sazonal. A retomada pode estar mais ligada ao aquecimento de atividades como educação, saúde privada e logística, do que a investimentos estruturais. É o período que os estudantes retornam às universidades e, segundo cálculos, Guarapuava tem cerca de 17.000 inscritos no ensino superior.

Março consolidou a tendência de estabilidade: saldo quase nulo, com apenas 4 empregos líquidos gerados. A indústria salvou o mês com 157 novas vagas, enquanto o comércio novamente apresentou retração (-129 vagas), evidenciando oscilação no setor varejista.

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Guarapuava firma-se como um polo de ensino superior, mas a discussão que precisa ser encarada: estão sendo criadas oportunidades reais de empregos para fixar a mão de emprego e oportunidades de negócios ou o município "exporta" mão de obra?

Uma questão carente de discussão mais ampla é o conceito corrente de que Guarapuava é uma "exportadora de mão de obra", diante da falta de oportunidades de empregos e de estímulo para o empreendedorismo, já que esses jovens deixam a universidade com a opção de trabalhar como empregados, criarem seu próprio negócio ou engrossarem a fila de desempregados. Diante desse cenário, o recém-formado cobiça a chance de buscar mercados mais ativos em outras regiões. O estudante vai embora com a expectativa de um dia retornar, o que não acontece na maioria das vezes.

O segmento estudantil movimenta uma máquina econômica que inclui o setor imobiliário, bares, restaurantes e entretenimento, embalado também pelo grande contingente de estudantes do ensino médio, que é mão de obra ativa em diferentes áreas do setor econômico.

É aqui, nesta etapa do conhecimento (ensino médio) que aumenta a necessidade de ensino profissionalizante e qualificação técnica.

O trabalhador guarapuavano

O retrato do novo trabalhador formal em Guarapuava em 2025 segue um padrão já observado em anos anteriores: jovem (entre 18 e 24 anos), com ensino médio completo e – em sua maioria –homem. Ainda que as mulheres representem cerca de 41% das admissões, a disparidade de gênero persiste, o que aponta para desafios estruturais no acesso feminino ao emprego formal, especialmente nos setores mais aquecidos, como indústria e construção civil.

Com saldo acumulado de apenas 285 novas vagas no primeiro trimestre, Guarapuava caminha com prudência. O desempenho é positivo, mas modesto, e revela um mercado de trabalho ainda atrelado a fatores conjunturais. A cidade, que em 2024 encerrou o ano com quase 1.800 vagas geradas, parece encontrar mais dificuldades em manter o ritmo em 2025.

O cenário nacional, com juros ainda elevados e inflação resistente, também contribui para a cautela dos empresários locais. Para que o município volte a registrar um boom no emprego, será necessário mais do que sazonalidade: investimentos privados, obras públicas e uma política ativa de atração de empresas.

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