GUARAPUAVA EM ESTADO DE ALERTA CONTRA A DENGUE
Aumento de casos provoca filas nas unidades de saúde; 4 horas de espera para receber atendimento
15/03/2024
O aumento vertiginoso dos casos de dengue em Guarapuava já está impactando o sistema municipal de saúde, com filas de até 4 horas para um paciente ser atendido nas UPA, e a tendência é de que a situação piore ainda mais diante do quadro geral que atinge o Paraná e o Brasil. Dados oficiais do Município indicam cerca de 280 casos confirmados e 80 sob suspeita, para uma população de 182.000 habitantes. Para um comparativo, o município de Cascavel, com 348.000 moradores, registrou 2.237 casos em uma semana, chegando a 6.863 casos neste ano epidemiológico. É transparente em Guarapuava que a doença está aumentando, causando transtornos às pessoas e levando maior demanda à rede básica de saúde e hospitais.
Ainda distante dos problemas da epidemia da covid-19, que causou o colapso no sistema hospitalar e milhares de mortos, a dengue está sendo considerada uma endemia, atingindo áreas específicas, que podem ser combatidas com medidas de controle do mosquito Aedes aegypti. A batalha envolve toda a população, não apenas os órgãos públicos, pois o vetor da doença está presente dentro das casas, nos terrenos, nos depósitos de entulho, em qualquer canto onde o mosquito encontrar água parada. Basta uma picada e o inseto, do tamanho de um pernilongo, conduz a doença de um lado para o outro.
SINTOMAS
Os sintomas são febre, diarreia e dor no corpo. Em Guarapuava, conforme destaca a chefe da Divisão de Vigilância Ambiental em Saúde, Sabina Cury, os pacientes podem recorrer primeiro o SARA, pelo aplicativo “Fala Saúde”. Dependendo do estado, o atendente virtual faz o encaminhamento, com apoio na triagem de um médico de plantão que pode conversar com o paciente.
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O efeito multiplicador da dengue é devastador. Um único Aedes aegypti tem capacidade de picar até seis pessoas por dia. Uma fêmea carrega até 700 ovos, dos quais cerca de 400 sobrevivem, depositados em diferentes locais. Durante o período de gestação, o inseto precisa de sangue para se alimentar e é aí que ocorre a contaminação. Essa dinâmica mostra a importância de a população fazer o controle das propriedades, na sua casa ou no local do trabalho, onde estiver.
REGIÕES AFETADAS
Levantamento da Divisão de Vigilância Ambiental em Saúde, órgão da Secretaria Municipal da Saúde, aponta quatro regiões de Guarapuava com mais ocorrências de dengue: Boqueirão, Tancredo Neves, Vila Bela e Planalto. A conclusão se deu com base numa estatística dos locais de moradia dos pacientes que comparecem às unidades de saúde. Nesta sexta-feira (15), uma “força-tarefa” com agentes treinados foi mobilizada para fazer uma varredura nessas áreas, com orientação aos moradores, busca-ativa de paradouros de insetos e pulverização com inseticida usando bomba-costal e imagens aéreas de drones em lugares de mais difícil acesso.
Mutirão nesta sexta-feira atinge quatro regiões da cidade com maior foco do mosquito transmissor da dengue. Esforço concentrado para eliminar o inseto e conscientizar a população
A Vigilância Ambiental leva em conta, por protocolo, a necessidade de fazer bloqueio (inseticida, busca-ativa) na área onde o paciente mora, num raio em circunferência de 300 metros. Como explica a diretora Sabina Cury, o inseto pode vir do vizinho ou pode ir do terreno da pessoa contaminado para toda a redondeza. O calor das últimas semanas tornou-se agravante, aumentando a circulação de pernilongos. O problema é que 80% dos insetos voadores são Aedes aegypti, segundo Sabina Cury. “Passou a ser uma espécie predominante”, alertou ela. “Por isso é uma responsabilidade coletiva, da população inteira, cada um cuidando do seu terreno e do local de trabalho também”, ressalta.
CUIDADO COM AS ABELHAS
O inseticida utilizado na pulverização, da marca Cielo, levantou dúvidas em Guarapuava, depois que uma certa quantidade de abelhas sem ferrão apareceu morta. Meliponicultores procuraram o Portal Paraná Central para falar do problema, que não estavam sendo avisados com um dia de antecedência, para recolher e proteger as abelhas. Sabina Cury afirmou que a Vigilância Municipal cumpriu à risca um acordo com os criadores e que a 5ª Regional de Saúde fez uma aplicação durante treinamento com municípios da região, sem comunicar os meliponicultores. “Isto não vai mais acontecer”, disse ela.
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Também está sendo questionada a eficácia do Cielo, conforme a própria descrição técnica do produto. Embora seja destinado ao controle de fêmeas adultos, o Cielo ressalva: “Ressalva: eficiência limitada considerando os hábitos do inseto como modo de vida preferencialmente intradomiciliar e que somente os insetos adultos que estiverem em voo no momento da pulverização serão controlados”.
A diretora Sabina Cury justificou que o Cielo é indicação do Ministério da Saúde e o que tem demonstrado o melhor resultado.
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