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Formação de professores a distância tem desempenho 53% inferior no Enade

Mais da metade dos alunos de licenciaturas a distância teve desempenho insuficiente

21/05/2026

Dados divulgados pelo Ministério da Educação mostram que estudantes de licenciaturas EaD tiveram rendimento significativamente abaixo dos cursos presenciais no Enade 2025, reforçando a ofensiva do governo federal para restringir a modalidade na formação docente.

Segundo o levantamento do MEC, 53,1% dos concluintes de cursos de licenciatura a distância apresentaram desempenho insuficiente no exame. Já entre os estudantes de cursos presenciais, 73,9% alcançaram nível considerado adequado de proficiência.

Os números foram apresentados nesta quarta-feira (20), em Brasília, pelo ministro da Educação, Leonardo Barchini. O governo avalia os resultados como justificativa para endurecer a regulação do ensino superior a distância.

Atualmente, 60% dos estudantes concluintes de licenciaturas estão matriculados em cursos EaD, enquanto 40% frequentam graduações presenciais.

“O que estamos observando é a necessidade de garantir padrões mínimos de qualidade na formação docente”, afirmou Barchini durante coletiva no MEC.

Governo extinguirá licenciaturas 100% EaD até 2027

O ministro confirmou que todos os cursos de licenciatura integralmente a distância serão extintos até maio de 2027. Pela nova política do MEC, a formação de professores poderá ocorrer apenas nos formatos presencial ou semipresencial.

Segundo a pasta, estudantes já matriculados poderão concluir seus cursos, mas novas ofertas deverão migrar para modelos híbridos ou presenciais.

A medida integra o novo marco regulatório da educação a distância, formalizado pelo Decreto nº 12.456/2025 e pela Portaria MEC nº 381/2025.

Maioria dos cursos com notas baixas é EaD

O Enade avaliou 4.547 cursos de formação de professores. Desse total, 35% receberam conceitos 1 ou 2 — considerados insatisfatórios pelo Inep.

Entre os cursos EaD, 60,5% ficaram nessas duas faixas mais baixas de desempenho.

Ao todo, foram avaliados:

  • 1.127 cursos a distância;
  • 3.420 cursos presenciais;
  • 401 cursos sem conceito, por terem menos de dois concluintes participantes.

Na escala do Enade, os cursos recebem notas de 1 a 5. Os conceitos 3, 4 e 5 indicam desempenho satisfatório.

Universidades públicas lideram desempenho

O balanço também mostra vantagem das instituições públicas sobre as privadas na formação de professores.

Os percentuais de estudantes considerados proficientes foram:

  • 75,9% nas instituições federais;
  • 73,3% nas estaduais;
  • 70,8% nas comunitárias;
  • 46,5% nas privadas.

Para o presidente do Inep, Manuel Palacios, o novo modelo do Enade das Licenciaturas inaugura uma etapa inédita de avaliação permanente da formação docente no país.

MEC promete monitoramento e fiscalização

Cursos com desempenho insuficiente passarão a ser monitorados pelo MEC durante um período de transição de dois anos. A pasta também anunciou o fim da renovação automática de reconhecimento de cursos sem visitas presenciais de avaliação.

A secretária de Regulação e Supervisão da Educação Superior, Marta Abramo, afirmou que os novos critérios criam parâmetros mais claros sobre a qualidade esperada na formação de professores.

O governo aposta que a aplicação anual do Enade permitirá acompanhar a evolução dos cursos e ampliar a fiscalização sobre instituições com baixo desempenho.

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