Datafolha: Lula na dianteira e o teste de resiliência eleitoral com o caso Jaques Wagner
Escândalo envolvendo aliado do presidente pode virar variável da disputa presidencial
20/06/2026
Presidente Lula e Jaques Wagner: envolvimento de um petista de alto escalão no Caso Master criar cenários na corrida eleitoralA nova rodada do Datafolha, divulgada nesta quarta-feira, confirma um cenário que vinha se consolidando desde maio: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) preserva liderança confortável no primeiro turno e sustenta vantagem também nos cenários de segundo turno. O levantamento mostra Lula com 41% das intenções de voto, dez pontos à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL), que aparece com 31%.
No 2º turno, segundo o mesmo levantamento, Lula tem 47% das intenções de voto , contra 43% de Flávio Bolsonaro. O cenário é exatamente o mesmo de um mês atrás. Na pesquisa divulgada em 22 de maio, Lula tinha 47%, e Flávio, 43%.
Flávio Bolsonaro: coordenação de campanha espera usar denúncias contra Jaques Wagner para conter tendência de queda do bolsonarista
Mas por trás da aparente estabilidade existe um elemento novo que ainda não entrou integralmente na fotografia eleitoral: o desgaste potencial provocado pelo caso envolvendo o senador Jaques Wagner e sua associação ao Banco Master. Wagner não é sólíder do governo do Senado – ele é um dos amigos mais próximos do presidente. Apesar de o senador negar com todas as letras qualquer irregularidade, a coordenação de campanha de Flávio Bolsonaro espera ter diante de si a fórmula tão esperado para conter as denúncias que ligam o bolsonarista ao banqueiro Daniel Vorcaro. Os motivos que levaram à queda vertiginosa de Flávio Bolsonaro nas pesquisas podem ser transferidos agora para Lula, mas só futuras pesquisas poderão atestar essa realidade com mais nitidez.
A principal cautela dos analistas está no calendário.
O Datafolha realizou 2.004 entrevistas entre 17 e 19 de junho, em 139 municípios, com margem de erro de dois pontos e confiança de 95%. O caso Wagner ganhou força política apenas no dia 18, quando vieram a público os desdobramentos da investigação. Isso significa que parte significativa do eleitorado foi ouvida antes que o episódio tivesse circulação nacional suficiente para produzir reação consolidada.
Nesse sentido, o levantamento funciona mais como registro do cenário anterior ao impacto completo do episódio do que como medição de seus efeitos.
O que o Datafolha mostra hoje
O desenho da pesquisa indica uma disputa concentrada em dois polos.
Além de Lula (41%) e Flávio (31%), aparecem:
Ronaldo Caiado: 3%
Renan Santos: 3%
Aécio Neves: 2%
Augusto Cury: 2%
Romeu Zema: 2%
Samara Martins: 2%
demais candidatos: até 1%
brancos e nulos: 7%
não sabem: 4%
Em relação à rodada anterior, Lula saiu de 40% para 41%; Flávio permaneceu em 31%.
O dado sugere estabilidade – mas estabilidade não significa ausência de risco.
O paralelo com Flávio Bolsonaro – e por que o caso Wagner é diferente
Nas semanas anteriores, Flávio atravessou o conhecido desgaste após revelações envolvendo contatos com o banqueiro Daniel Vorcaro e financiamento ligado ao entorno do Banco Master. Pesquisas posteriores indicaram que o senador perdeu tração e deixou de encostar em Lula nos cenários de segundo turno.
Agora, o desafio aparece no campo oposto.
A diferença é que o desgaste potencial não recai sobre o candidato diretamente.
Jaques Wagner não disputa a Presidência – porém, ocupa posição central no governo: líder da bancada governista, ex-governador (Bahia), ex-ministro e aliado histórico de Lula.
Isso dificulta uma operação política clássica de contenção de danos.
Quando o desgaste atinge uma figura periférica, campanhas tentam isolar o episódio. Quando alcança alguém percebido como parte do núcleo de poder, o custo de separação aumenta.
Nos bastidores, o esforço passa a ser impedir que o eleitor converta a percepção de “problema de um aliado” em “problema do governo”.
O teste para Lula começa na próxima pesquisa
O indicador mais importante daqui para frente não será necessariamente a intenção de voto bruta.
Analistas tendem a observar:
- se Lula mantém apoio entre eleitores moderados;
- se cresce associação espontânea entre governo e Banco Master;
- se aumenta rejeição antes de cair intenção de voto;
- e se o presidente continua preservando vantagem no segundo turno.
Pesquisas eleitorais raramente capturam escândalos em tempo real.
Elas costumam medir algo mais lento: se o fato vira narrativa permanente ou desaparece do debate.
O Datafolha deste sábado sugere que, até agora, Lula preservou sua posição. A próxima rodada mostrará se essa estabilidade era resistência política – ou apenas falta de tempo para o impacto aparecer.
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