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Como agia o pedófilo preso em Campina do Simão

Polícia faz alerta: cuidado com seus filhos na internet

04/03/2026
Suspeito de 67 foi preso com imagens de crianças no celularSuspeito de 67 foi preso com imagens de crianças no celular

CAMPINA DO SIMÃO – A prisão de um idoso de 67 anos em Campina do Simão, na região de Guarapuava, reacendeu um alerta que especialistas vêm repetindo há anos: a internet se tornou um dos principais vetores de crimes sexuais contra crianças e adolescentes.

Na manhã desta quarta-feira (4), por volta das 6h, uma equipe da Polícia Civil cumpriu mandado de busca e apreensão expedido pela 3ª Vara Criminal de Guarapuava contra D.P.O., investigado por crimes relacionados à exploração sexual infantil. 

Durante as buscas na residência, os policiais apreenderam três aparelhos celulares. Segundo a corporação, os dispositivos armazenavam mais de 20 mil arquivos de mídia com imagens de crianças, incluindo registros com foco nas partes íntimas das vítimas.

Diante do material encontrado, o investigado recebeu voz de prisão e foi encaminhado à 14ª Subdivisão Policial (SDP), onde permanece à disposição da Justiça. A perícia técnica agora analisará o conteúdo para identificar possíveis vítimas, origem dos arquivos e eventual compartilhamento em redes digitais.

Todo cuidado é pouco: orientação começa dentro de casa

Como criminosos desse tipo agem

Embora cada caso tenha suas particularidades, investigações no Brasil e no exterior revelam padrões recorrentes. Em geral, os envolvidos:

■ Armazenam grande volume de arquivos digitais em celulares, computadores ou serviços em nuvem;

■ Participam de grupos fechados em aplicativos de mensagem para troca de conteúdo ilegal;

■ Utilizam identidades falsas para se aproximar de crianças em redes sociais e jogos online;

■ Fazem uso de técnicas de manipulação psicológica, conhecidas como “grooming”, para ganhar confiança das vítimas.

O ambiente virtual oferece anonimato relativo, facilidade de circulação de arquivos e acesso a crianças cada vez mais cedo conectadas – um cenário que amplia riscos e dificulta a repressão.

O problema no Brasil e no mundo 

A exploração sexual infantil é um fenômeno global. Organizações internacionais apontam crescimento no compartilhamento de imagens abusivas nos últimos anos, impulsionado pela popularização de smartphones e aplicativos criptografados.

No Brasil, operações coordenadas pelo Ministério da Justiça e pelas polícias civis e federais têm resultado em centenas de prisões anuais. Ainda assim, especialistas afirmam que os números representam apenas uma fração do problema real, já que muitos casos permanecem ocultos.

A pandemia de Covid-19, com crianças mais tempo em casa e online, também contribuiu para o aumento de denúncias e investigações relacionadas a crimes virtuais contra menores.

O que é o crime de pedofilia na lei brasileira 

No senso comum, o termo “pedofilia” é usado para designar qualquer crime sexual contra criança. No entanto, juridicamente, o foco está nos atos praticados.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) tipifica como crime:

■ Produzir, reproduzir, dirigir, fotografar ou filmar cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente;

■ Oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir ou divulgar esse tipo de material;

■ Adquirir ou armazenar imagens com esse conteúdo.

As penas variam conforme a conduta. A produção e divulgação podem resultar em reclusão de 4 a 8 anos, além de multa. O armazenamento de material pode levar a pena de 1 a 4 anos de reclusão. Se houver abuso sexual direto, o enquadramento pode incluir estupro de vulnerável, com pena de 8 a 15 anos de reclusão, podendo ser agravada.

O alerta da polícia: pais precisam agir

A Polícia Civil reforça que a prevenção começa dentro de casa. Especialistas recomendam que pais e responsáveis:

■ Acompanhem o uso de celulares, tablets e computadores;

■ Estabeleçam regras claras sobre redes sociais e jogos online;

■ Conversem abertamente sobre riscos e orientem as crianças a não compartilhar fotos íntimas ou informações pessoais;

■ Ativem controles parentais e verifiquem configurações de privacidade;

■ Observem mudanças bruscas de comportamento, isolamento ou medo repentino;

■ Denunciem qualquer suspeita aos canais oficiais, como o Disque 100.

A proteção digital exige vigilância constante. Em um ambiente onde fronteiras físicas não existem, a supervisão ativa e o diálogo franco tornaram-se ferramentas tão essenciais quanto cadeados e portas trancadas.

O caso de Campina do Simão, agora sob análise judicial, é mais um capítulo de uma realidade incômoda: a violência sexual contra crianças migrou para as telas – e exige resposta firme do Estado e atenção redobrada das famílias.

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