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Audiência pública define o futuro do zoneamento urbano em Entre Rios

Plano Diretor influencia o modo e a qualidade de vida da população

19/08/2025
Colônia Vitória, sede do distrito de Entre Rios: peculiaridades culturais e econômicas na área colonizada por descendentes germânicos na década de 1950Colônia Vitória, sede do distrito de Entre Rios: peculiaridades culturais e econômicas na área colonizada por descendentes germânicos na década de 1950

A revisão da Lei de Zoneamento, tema da audiência pública marcada para esta terça-feira (19) em Entre Rios, distrito de Guarapuava, está no centro das discussões sobre o futuro do território. Trata-se de um dos pilares do Plano Diretor Municipal, instrumento que orienta o crescimento das cidades brasileiras e precisa ser atualizado a cada dez anos.

O zoneamento urbano é o mecanismo que define onde e de que forma diferentes atividades podem se instalar – se uma área será destinada a residências, comércio, indústria ou preservação ambiental. Também estabelece limites para construções, como altura máxima de prédios, largura de ruas e critérios para ocupação de áreas rurais. Em síntese, funciona como um mapa que organiza a expansão urbana e rural, buscando equilibrar demandas sociais, ambientais e econômicas.

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A engenheira Valéria Lustosa, responsável pelo acompanhamento do Plano Diretor, destaca que a lei não é apenas técnica, mas também social. “O zoneamento é fundamental para que o desenvolvimento respeite a história e as particularidades das comunidades locais. É o que permite pensar o crescimento a curto, médio e longo prazo sem perder a identidade do distrito”, afirma.

Especialistas lembram que a importância do zoneamento vai além da gestão municipal: ele influencia diretamente o valor da terra, a distribuição de investimentos e a qualidade de vida da população. Em cidades que não dispõem de regras claras, a ocupação tende a ocorrer de forma desordenada, resultando em gargalos de mobilidade, pressão sobre serviços públicos e conflitos entre vizinhos.

No caso de Entre Rios, colônias fundadas por imigrantes germânicos e comunidades agrícolas convivem com áreas de expansão urbana. Essa realidade exige uma legislação que dê conta de preservar a memória cultural, ao mesmo tempo em que abre espaço para novos empreendimentos e modernização da infraestrutura.

A audiência desta terça-feira dará continuidade à reunião realizada em julho, quando moradores, vereadores e representantes do setor imobiliário conheceram as primeiras propostas. O encontro será novamente um espaço para que a população sugira alterações, manifeste preocupações e participe da formulação das regras que irão definir os próximos dez anos do distrito.

Analistas avaliam que o processo participativo é decisivo: sem ele, há risco de o zoneamento privilegiar apenas interesses específicos – como os do mercado imobiliário – em detrimento das necessidades coletivas. A construção conjunta, por outro lado, aumenta a legitimidade da lei e amplia as chances de que as diretrizes saiam do papel.

A revisão do zoneamento em Guarapuava, assim como em outros municípios brasileiros, é vista como uma oportunidade de alinhar crescimento econômico e sustentabilidade ambiental. Mas o desafio é transformar o debate público em uma legislação que seja, ao mesmo tempo, técnica, inclusiva e exequível.

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