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Aldo Bona coordena orçamento recorde em ciência e tecnologia em 2026

Recursos previstos de R$ 4,65 bilhões marcam nova fase na política de inovação

30/10/2025
O secretário Aldo Bona de Estado (SETI), ex-reitor da Unicentro: recursos financeiros para transformar o Paraná num grande polo tecnológicoO secretário Aldo Bona de Estado (SETI), ex-reitor da Unicentro: recursos financeiros para transformar o Paraná num grande polo tecnológico

Quando Aldo Bona chegou à reitoria da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), em Guarapuava, a pauta era regional: consolidar uma instituição jovem, fortalecer a pesquisa no interior e garantir que a universidade fosse mais do que um polo de formação – um vetor de desenvolvimento. Dez anos depois, Bona prepara-se para comandar, a partir de 2026, o maior orçamento da história do Paraná para ciência, tecnologia e ensino superior: R$ 4,65 bilhões.

O montante, que representa um aumento de 8,22% em relação ao valor de 2025, consolida o Estado como um dos poucos no País a destinar recursos expressivos e crescentes para o setor em meio a um cenário nacional de contenção orçamentária. Mais do que números, o avanço sinaliza uma estratégia de Estado – uma tentativa de transformar o investimento em universidades e inovação em motor de competitividade econômica. “Esses valores recorde refletem o reconhecimento de que ciência e tecnologia são estratégicas e fundamentais ao desenvolvimento do Paraná”, disse Bona, atual secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI).

Criada em 2019 após uma reforma administrativa, a SETI nasceu de uma estrutura menor – a antiga Superintendência de Ciência e Tecnologia – e ganhou protagonismo sob a gestão de Bona. Desde então, o orçamento do setor vem crescendo de forma sustentada, acompanhando o compromisso constitucional que reserva 2% da receita tributária estadual à área.

O Paraná é o único estado brasileiro com sete universidades estaduais em funcionamento – instituições que atendem cerca de 82 mil estudantes apenas na graduação e que se destacam em rankings nacionais e internacionais por critérios como impacto social e transferência de conhecimento.

“O Paraná tem um compromisso constitucional com a ciência e a pesquisa. Ter o maior número de universidades estaduais é motivo de orgulho, mas queremos ir além”, afirma o secretário da Fazenda, Norberto Ortigara. “Nosso objetivo é transformar essa estrutura em referência de inovação.”

O desafio de distribuir o conhecimento

Desse total, R$ 3,8 bilhões serão destinados ao custeio e investimento nas universidades estaduais. A maior parte será usada para manutenção e expansão de programas de ensino, mas há também uma agenda voltada à interiorização da ciência – levar pesquisa aplicada a regiões fora dos grandes centros e conectar inovação às demandas locais.

Em paralelo, o governo vai ampliar os recursos do Fundo Paraná, principal instrumento de fomento científico do Estado, que passará a contar com R$ 402 milhões. O fundo financiará novas iniciativas em áreas de ponta como inteligência artificial, genômica e agricultura de precisão, campos que unem a vocação agroindustrial paranaense à busca por soluções sustentáveis e tecnológicas.

O papel estratégico do Tecpar

Outra frente prioritária é o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), que terá R$ 40,8 milhões em investimentos – um aumento expressivo frente ao ano anterior. O valor financiará a conclusão do novo Laboratório de Pesquisa e Produção de Insumos para Diagnósticos Veterinários, voltado à fabricação de insumos para doenças como brucelose e tuberculose bovina.

“Esse investimento histórico apoia não só a pesquisa científica, mas também setores estratégicos como o agronegócio e a saúde pública”, afirmou o diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon. “É uma aposta em autonomia tecnológica.”

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O governo do Estado tem afirmado que "recursos não faltam", e que o desafio é ter propostas e projetos. Só isso não basta. É indispensável ter força e vontade político, pois os recursos estão disponibilizados para todo o Paraná e as regiões com mais representatividade acabam levando a maior bolada. E também não é apenas representatividade política ou partidária, e sim o envolvimento de todos os órgãos que fazem a engrenagem do desenvolvimento se movimentar. As universidades são estratégicas para esse objetivo, desde que devidamente enraizadas na sociedade com pesquisa e extensão. 

Onde não ocorre esse envolvimento, é necessário redefinir o papel da universidade dentro do modelo de desenvolvimento regional. Os campi espalhados pelo interior do Paraná são, em muitos casos, o principal motor econômico local, não apenas por empregar e formar, mas por oferecer serviços diretos à população, de clínicas médicas universitárias a projetos de extensão cultural.

Atualmente, 26,7% dos jovens paranaenses entre 18 e 24 anos estão matriculados no ensino superior, o segundo melhor índice do País. A meta, segundo técnicos da SETI, é combinar esse acesso ampliado com uma rede de inovação capaz de gerar retorno econômico.

O próximo passo

A partir de 2026, Aldo Bona estará à frente de uma pasta com orçamento recorde, mas também com desafios proporcionais. O aumento dos recursos traz consigo a responsabilidade de transformar investimento em impacto mensurável – em ciência aplicada, tecnologia produtiva e inclusão social.

Para um professor nascido em Foz do Iguaçu e forjado academicamente em Guarapuava, o desafio é simbólico: provar que a interiorização do ensino superior pode ser também o motor da inovação.

“O futuro do Paraná passa pelas universidades”, costuma dizer Bona. Com o novo orçamento, o Estado aposta que o futuro pode começar agora.

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