A queda do aiatolá: como morreu Khamenei e o que isso significa para o Oriente Médio
Petróleo, o pano de fundo: décadas de confronto entre Irã, Estados Unidos e Israel
28/02/2026
O Supremo Líder do Irã, aiatolá Ali Khamenei, foi morto no sábado, 28 de fevereiro de 2026, em um ataque militar conjunto dos Estados Unidos e Israel, confirmaram autoridades iranianas e ocidentais após dias de tensão e incerteza. A ação, que visou reduzir a liderança do regime teocrático e suas capacidades militares, representará uma das maiores rupturas geopolíticas no Oriente Médio desde a guerra do Golfo de 1991.
Segundo relatos oficiais israelenses, o ataque foi cuidadosamente planejado e executado desde bases aéreas e plataformas de lançamento conjuntas entre as forças dos EUA e de Israel, com início nas primeiras horas da manhã de sábado. O ministro da Defesa de Israel afirmou que Khamenei foi morto no “golpe inicial” da operação, juntamente com outros líderes do regime iraniano e familiares próximos.
Fontes militares norte-americanas relataram que o ataque – identificado por Tel Aviv como “Operação Rugido do Leão” e pelos EUA sob um nome não divulgado – empregou inteligência de alta precisão, drones, mísseis guiados e aeronaves de combate em múltiplos vetores. Eles tinham como alvos instalações militares, centros de comando do Islamic Revolutionary Guard Corps (IRGC) e o próprio complexo de Khamenei em Teerã.
Testemunhas no terreno e imagens de satélite mostraram colunas de fumaça elevando-se sobre a capital iraniana, indicando que o ataque atingiu pontos estratégicos dentro da cidade – inclusive o prédio onde Khamenei estava reunido com membros de sua cúpula.
As primeiras informações e a confirmação oficial
Inicialmente, na tarde de sábado, meios internacionais noticiaram a morte com base em declarações de autoridades israelenses e em relatórios de inteligência ocidental, enquanto o governo iraniano negava a informação, descrevendo Khamenei como “vivo e firme no comando”.
No entanto, na noite de domingo, a mídia estatal iraniana confirmou oficialmente a morte do aiatolá, divulgando um comunicado que anunciou a morte do líder supremo aos 86 anos, além de declarar 40 dias de luto nacional e feriados públicos em sua memória.
Além de Khamenei, informações preliminares apontam que diversos altos comandantes militares do IRGC e familiares de Khamenei – incluindo uma filha, um genro e um neto – também morreram no ataque.
Quem foi Ali Khamenei? A trajetória e o poder concentrado de uma teocracia
Nascido em 1939, Ali Khamenei tornou-se Líder Supremo do Irã em 1989, sucedendo Ruhollah Khomeini, o fundador da República Islâmica após a revolução de 1979. Ao longo de 37 anos no poder, Khamenei consolidou uma teocracia singular, combinando autoridade religiosa com poder político e militar absoluto.
Como chefe de Estado e comandante supremo das Forças Armadas, ele tinha influência direta sobre a política externa, a economia, o judiciário e, especialmente, sobre o IRGC, a força paramilitar que projetou o poder de Teerã em conflitos regionais via grupos aliados — como Hezbollah e milícias iraquianas pró-Irã.
Khamenei se tornou símbolo de resistência à hegemonia americana e israelense, frequentemente centrando seu discurso em oposição a “grande potências” e promovendo influência em áreas estratégicas do Oriente Médio, do Levante ao Golfo Pérsico.
O ataque: “Operação Rugido do Leão” e o golpe inicial
Sucessão no Irã: o que acontece agora?
A morte de Khamenei abre uma lacuna constitucional e política no Irã. A Constituição do país prevê que a Assembleia de Especialistas – um órgão clerical eleito – deve escolher o próximo Líder Supremo, mas o processo nunca foi testado sob condições de guerra aberta e com uma liderança executiva e militar severamente abalada. Especialistas apontam que o poder pode ser interinamente exercido por um conselho de três membros que inclui o presidente, o chefe da justiça e um membro do Conselho dos Guardiões, enquanto a Assembleia de Especialistas organiza o sucessor.
Entre os nomes cotados para a transição está Ali Larijani, atual chefe do Conselho de Segurança Nacional, apontado como um dos poucos com respaldo político e experiência para atuar como figura de unidade.
Por ora, a liderança emergente enfrenta um colapso da coesão interna: protestos celebraram a morte de Khamenei em algumas áreas urbanas, enquanto elementos conservadores do IRGC e setores religiosos reforçam a necessidade de resposta militar e continuidade da teocracia.
Repercussão internacional: polarização e risco de escalada
A confirmação da morte teve impacto imediato na diplomacia global. Países ocidentais, como membros da União Europeia e França, interpretaram o episódio como um “momento histórico” com potencial para reformular o Irã – embora também advirtam sobre instabilidade.
Por outro lado, aliados tradicionais de Teerã, como Rússia e Paquistão, condenaram o ataque como violação do direito internacional e expressaram condolências, sublinhando a gravidade da ruptura nas relações multilaterais.
Grupos armados aliados ao Irã, incluindo milícias no Iêmen e no Líbano, já prometeram vingança, enquanto governos do Golfo Pérsico enfrentam um dilema: condenam a agressão iraniana aos países vizinhos, mas receiam o colapso institucional em Teerã e uma escalada maior de violência que possa arrastar toda a região para uma conflagração aberta.
O pano de fundo: anos de tensões e o choque final
A ofensiva que culminou na morte de Khamenei não foi um evento isolado. Desde o fracasso dos acordos nucleares na década passada, tensões entre Teerã, Washington e Tel Aviv cresciam, com incidentes envolvendo programas nucleares, ataques a navios no Golfo Pérsico, assassinatos de comandantes (como o general Qasem Soleimani em 2020) e uma série de confrontos por procuração no Iraque, Síria e Líbano.
A administração norte-americana, sob o comando de Donald Trump, justificou a ação como um movimento necessário para neutralizar ameaças nucleares e proteger aliados regionais. Já Tel Aviv colocou a eliminação de Khamenei como um “golpe fatal ao eixo do mal”.
O que pode ocorrer a seguir?
As consequências de longo prazo ainda são incertas, mas analistas apontam três cenários principais:
Escalada regional contínua – Iranianos retaliam e expandem fronteiras do conflito com ataques a bases americanas e instalações israelenses na região, trazendo novos países para a guerra.
Colapso interno e transição lenta – a teocracia se fragmenta, opositores ganham terreno e surge uma transição política, embora turbulenta.
Restauração de negociações – sob pressão global por estabilidade e mercados de energia, potências tentam mediar um cessar-fogo duradouro.
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