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À espera da duplicação, BR-277 continua sendo palco de tragédias

Mais um acidente com morte em Guarapuava

14/06/2025
Colisão frontal na última sexta-feira Colisão frontal na última sexta-feira

O grave acidente desta sexta-feira no "Trevo do Goioxim", km 367 da BR-277, em Guarapuava, trouxe novamente à tona o perigo que ronda a rodovia na Região Central do Paraná. Constantes colisões levam vidas, enquanto os projetos de duplicação adormecem nas prateleiras governamentais. 

Na última sexta-feira (13), uma batida envolvendo três veículos — um Volkswagen Gol, um Fiat Fastback e uma Toyota Hilux — deixou um homem morto e três pessoas feridas.

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De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o acidente aconteceu por volta das 18h, horário de intenso movimento no trecho, marcado pelo fluxo de veículos do interior em direção à capital e ao litoral. A colisão foi frontal, seguida de impacto transversal, um tipo de dinâmica que frequentemente indica manobras arriscadas, como ultrapassagens mal calculadas ou perda de controle da direção.

A vítima fatal era o condutor do Gol, um homem de 66 anos que morreu no local. Uma passageira de 59 anos, que estava no mesmo carro, teve ferimentos graves. No Fastback, o motorista de 42 anos também ficou gravemente ferido. Já o condutor da Hilux, de apenas 23 anos, saiu ileso.

O acidente provocou interdição parcial da BR-277, com sistema de “pare e siga” até a liberação completa da via, que ocorreu por volta das 20h. As causas da colisão ainda são investigadas. Segundo a PRF, a ausência de imagens do acidente pode dificultar a reconstrução precisa dos fatos.

Rodovia perigosa

A BR-277 é uma das mais importantes vias federais do Paraná, conectando Foz do Iguaçu ao Porto de Paranaguá. Apesar de sua relevância econômica e logística, ela é também uma das mais perigosas do estado. Dados da PRF indicam que, somente em 2024, até o mês de maio, foram registrados mais de 1.100 acidentes na BR-277, resultando em cerca de 90 mortes e mais de 1.300 feridos.

O trecho de Guarapuava, em especial, é conhecido por ser um dos mais críticos. Segundo levantamento do Observatório Nacional de Segurança Viária, a ausência de duplicação em longos trechos, o tráfego intenso de caminhões e a falta de áreas de escape contribuem para o alto índice de colisões frontais — o tipo de acidente mais letal nas estradas.

A recorrência de tragédias levou à criação do #GRUPOBR277, uma rede de monitoramento formada por motoristas, moradores e colaboradores da PRF que alertam sobre ocorrências em tempo real. Foi por esse grupo que a ocorrência da última sexta-feira ganhou repercussão nas redes sociais.

Infraestrutura precária e risco constante

Apesar de promessas recorrentes de duplicação e melhorias na BR-277, especialmente após a devolução da concessão pela concessionária EcoRodovias em 2021, poucos avanços foram feitos no trecho de Guarapuava. Moradores da região denunciam a lentidão nas obras e a falta de sinalização adequada em pontos críticos.

Nos bastidores, parlamentares paranaenses pressionam o governo federal por um novo modelo de concessão que contemple investimentos robustos em infraestrutura e segurança. Mas enquanto o impasse persiste, motoristas continuam enfrentando riscos elevados numa rodovia que parece repetir tragédias com frequência alarmante.

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