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Tornado na Serra do Cadeado: epicentro fica a 15 km da cidade de Guarapuava e a 3 km do distrito de Entre Rios

Socorro imediato no assentamento Nova Geração exigiu logística de mantimentos, gerador de energia, assistência em saúde e maquinários

10/11/2025
Violência dos ventos na Serra do Cadeado, Entre Rios, arrancou árvores com raiz; Prefeitura, Câmara e Cooperativa Agrária foram os primeiros a prestar apoio (Imagem: Luiz Felipe de Lima)Violência dos ventos na Serra do Cadeado, Entre Rios, arrancou árvores com raiz; Prefeitura, Câmara e Cooperativa Agrária foram os primeiros a prestar apoio (Imagem: Luiz Felipe de Lima)

Três dias depois do tornado com ventos que alcançaram 250 quilômetros por hora – o topo da escala Fujita, categoria F2 – a rodovia PR-170 em Guarapuava ainda guarda as marcas visíveis da devastação. Árvores arrancadas pela raiz se espalham ao longo da Serra do Cadeado, próximo ao distrito de Entre Rios, em um cenário que revela a força do fenômeno que atingiu o município na noite de sexta-feira.

Mas é no interior, nas margens da rodovia, que os danos expõem a sua face mais cruel. No assentamento Nova Geração, onde um morador morreu e 22 casas foram completamente destruídas, o silêncio é cortado apenas pelo som dos tratores e dos passos cautelosos sobre os escombros. Cerca de 120 pessoas ficaram desabrigadas. A poucos quilômetros dali, nas encostas da serra, as granjas de suínos da Fazenda Noricum transformaram-se em uma paisagem de ferro retorcido e colunas de concreto tombadas – um testemunho da violência da ventania.

Assentamento Nova Geração: famílias começam a se reconstruir em meio aos escombros (Imagens: Luiz Felipe de Lima)

Enquanto os holofotes se voltam para Rio Bonito do Iguaçu – o que não seria diferente, pois a cidade de 14 mil habitantes ficou quase inteiramente destruída pelo mesmo sistema de tempestades e cinco pessoas morreram –, Guarapuava tenta recompor sua rotina diante do que muitos descrevem como a pior catástrofe climática de sua história recente.

O epicentro da destruição fica a cerca de 15 quilômetros dos 170 mil habitantes que ocupam o centro urbano de Guarapuava, e a menos de três quilômetros de Entre Rios, distrito de origem germânica com cerca de 7 mil moradores.

No assentamento Nova Geração, formado por famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o processo de reconstrução começou com a ajuda de vizinhos e instituições públicas. A Cooperativa Agrária instalou um gerador para suprir a falta de energia elétrica – as torres de transmissão foram derrubadas e a Copel estima ao menos duas semanas para restabelecer o serviço. A Câmara Municipal enviou mantimentos e roupas arrecadados em uma campanha emergencial.

Além da mobilização na noite do tornado, ficando responsável também pela logística de apoio a Rio Bonito do Iguaçu, o prefeito Denilson Baitala esteve pessoalmente no assentamento Nova Geração no sábado, a exemplo do presidente do Legislativo, vereador Pedro Moraes, e da vereadora Professora Bia.

Um rastro de destruição e o esforço para reconstrução (Imagens: Luiz Felipe de Lima)

O coordenador da Defesa Civil de Guarapuava, Tiago Bronoski, disse ao Portal Paraná Central que esta foi a tragédia mais marcante de sua trajetória como socorrista. Ele atuou em duas missões nas enchentes do Rio Grande do Sul e foi responsável por diversas intervenções nos alagamentos na periferia de Guarapuava.

Bronoski contou que os primeiros chamados na noite de sexta-feira vinham de motoristas que seguiam pela PR-170, avisando sobre a queda de árvores na rodovia, na subida da Serra do Cadeado para o acesso a Entre Rios. Naquele momento chovia e ventava muito e novas informações indicavam que a tragédia tinha sido maior, relatando 8 mortes no Nova Geração.

O veterano Tiago Bronoski, coordenador da Defesa Civil em Guarapuava: "Nunca vi nada igual"

Diante do imaginável, a Defesa Civil deslocou um comboio de ambulâncias e viaturas do IML para o assentamento.

Enquanto uma equipe com maquinários da Prefeitura limpava a estrada, para evitar acidentes, outra seguia em direção ao assentamento. Embora ao final fosse constatada uma morte, a dificuldade era chegar até a residência do agricultor José Neri Gemerias (53 anos), a vítima do desastre. Era noite, temporal a pino, um amontoado de escombros, e a casa de Geremias era a última. Os socorristas trabalharam a noite toda para atender feridos.

No dia seguinte, foi possível averiguar a extensão dos problemas causados pelo tornado, no assentamento e na Fazenda Noricum.

As atenções se voltavam para Rio Bonito do Iguaçu, mas em Guarapuava os rastros da tragédia ainda estão intactos, com o dúbio sentimento de pesar pelas pessoas afetadas e a sensação de que a tragédia poderia ter sido bem maior.

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