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O frio de Guarapuava é o verão do Rio: quando 12 graus quase viram "calor"

Máxima no 3º Planalto (12°C) nesta quinta é menor que a mínima no Rio de Janeiro (13,5°); lá, o dia mais frio do ano

12/06/2025

Enquanto guarapuavanos encaram, nesta quinta-feira, uma máxima de 12°C com casacos reforçados, meias grossas e fumaça saindo da boca nas manhãs, os cariocas, no seu dia mais gelado de 2025, registraram mínima de 13,5°C – e já estavam reclamando da “friaca” como se vivessem em Bariloche.

É ou não é coisa de Brasil?

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A distância entre Guarapuava, no Terceiro Planalto Paranaense, e o Rio de Janeiro, capital do verão eterno, é de 1.106 quilômetros.

Mas no termômetro – e no figurino – a separação parece ser de hemisférios. No mesmo território nacional, convivem luvas e biquínis, névoas e maresia, chimarrão quente e água de coco com gelo.

A cena é quase cômica: enquanto no centro do Rio se veem cachecóis tímidos, mais estéticos do que funcionais, aqui na Serra do Paraná as pessoas praticam  há vários dias o ritual do, fogão à lenha e da lareira, do aquecedor ligado, cobertor na sala e sopa de feijão no jantar. E a máxima do dia – aquela que, em teoria, deveria ser o “pico do calor” – bate nos 12°C e estaciona ali.

Registro do jornal O Globo sobre o "dia maisbm frio do ano" no Rio de Janeiro

Tropicália de temperaturas

O que parece apenas uma anedota meteorológica, na verdade, é um retrato daquilo que antropólogos e sociólogos costumam chamar de “os muitos Brasis dentro do Brasil”. Cada região tem seu clima, seu ritmo, sua roupa do dia, sua estação do ano – às vezes, tudo ao mesmo tempo.

“A amplitude térmica do Brasil é um fenômeno que poucos países tropicais vivem. É possível estar em clima subtropical e tropical no mesmo país, no mesmo dia, com experiências humanas completamente distintas”, explica o climatologista Luiz Roberto Macedo, da UFPR.

Frio na serra, calor na alma

Guarapuava, com seus 1.100 metros de altitude e ventos cortantes, não é exatamente a Noruega, mas poderia ser confundida com uma cidadezinha europeia em manhãs de neblina. Já o Rio, mesmo nos seus dias “gelados”, carrega a alma quente do samba e a herança da Garota de Ipanema – com ou sem sol.

E é aí que mora o charme do Brasil: no contraste entre o pão de queijo e o açaí, entre a serra coberta de geada e o calçadão ensolarado de Copacabana. Quando Vinicius e Tom cantaram “o Rio de Janeiro continua lindo”, talvez não imaginassem que, um dia, o frio de 13°C viraria motivo de cobertor de orelha e memes no Instagram.

Já em Guarapuava, não tem praia nem bossa nova. Mas tem identidade, tem tradição, e tem verso também. Se o Brasil celebra sua beleza em “Garota de Ipanema”, por que não cantar a Terra de Guairacá em prosa e poesia? Afinal, por aqui, o frio também é um jeito de ser "tropicaliente", no sentido mais literal do inverno que ainda nem começou. 

Por isso, a gente sempre repete: Viva Guarapuava!

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