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Mulheres do MST plantam 10 mil mudas de árvores em áreas atingidas pelos tornado

Manifestações ocorreram em Guarapuava e Rio Bonito do Iguaçu

12/03/2026
Movimento do Mês da Mulher no MST tem como lema Movimento do Mês da Mulher no MST tem como lema "ocupar, resistir, produzir"

Cerca de 10 mil mudas foram distribuídas e plantadas por mulheres do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) durante o Encontro Estadual das Mulheres Sem Terra, encerrado nesta terça-feira (10), no Paraná. As ações ocorreram em Rio Bonito do Iguaçu e Guarapuava, municípios fortemente atingidos pelos tornados que devastaram a região centro-sul do estado em novembro de 2025.

Os plantios integram a Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Sem Terra, realizada em alusão ao Dia Internacional das Mulheres. Neste ano, o lema da mobilização é “Reforma Agrária Popular: enfrentar as violências, ocupar e organizar”.

A programação começou na segunda-feira (9), com uma marcha de cerca de mil mulheres pelas ruas de Rio Bonito do Iguaçu. Com faixas, estandartes e cantos, o ato destacou o enfrentamento às violências contra as mulheres e as críticas ao modelo do agronegócio, apontado pelas manifestantes como responsável por desmatamento e degradação ambiental.

No pré-assentamento Herdeiros da Terra de Primeiro de Maio, uma das áreas mais afetadas pelos tornados, cerca de 700 mulheres participaram de um mutirão que plantou mais de 5 mil mudas de árvores nativas e frutíferas. A atividade faz parte da Jornada da Natureza, iniciativa que promove plantios mensais com a meta de alcançar 1 milhão de árvores na comunidade.

“Esse plantio vai ajudar nossa comunidade e nossas crianças, garantindo um ambiente melhor para as próximas gerações”, afirmou Sandra Alves, da direção estadual do MST e moradora da área.

A comunidade recebeu em janeiro a confirmação de que o governo federal irá efetivar o assentamento de mais de mil famílias acampadas, após uma década de mobilização.

No acampamento Antônio Conrado, também em Rio Bonito do Iguaçu, outras mil mudas foram plantadas em áreas de vegetação nativa e reservas legais destruídas pelo tornado..

Após o desastre climático, o MST organizou uma brigada de solidariedade que atuou por cerca de 50 dias no município. Aproximadamente mil militantes participaram de ações como produção de marmitas, reconstrução de casas, limpeza de ruas e atendimento à saúde.

​Recomeço em Guarapuava 

Em Guarapuava, a mobilização chegou ao assentamento Nova Geração, também atingido pelos tornados. Na entrada da comunidade, duas mudas de ipê-amarelo foram plantadas ao lado de um pinus arrancado pela raiz pelos ventos que chegaram a cerca de 400 km/h – "gesto simbólico de resistência e reconstrução".

Mais de mil mudas foram distribuídas às famílias da região.

“É um recomeço para nós. Depois do tornado, tivemos um momento muito difícil, sem expectativa nenhuma”, disse Maria Etelvina Correa, da coordenação do assentamento. Segundo ela, as famílias têm implantado sistemas agroflorestais e retomado o plantio de espécies nativas.

Durante a atividade também foram distribuídas cestas de alimentos da reforma agrária para famílias atingidas pelos tornados. Os produtos foram adquiridos pelo governo federal em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e a Associação de Cooperação Agrícola e Reforma Agrária do Paraná (Acap).

No centro de Guarapuava, mulheres do movimento também realizaram panfletagem para dialogar com a população sobre a Jornada de Lutas do mês de março.

As atividades contaram com apoio do projeto Semeando Gestão, parceria entre a Cooperativa Central da Reforma Agrária do Paraná (CCA-PR) e a Itaipu Binacional, dentro do programa Mais que Energia.

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