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Incra retoma vistorias no complexo Zattar e avança negociação para assentamento de famílias em Pinhão

Medições marcam etapa decisiva em processo que envolve dívidas da empresa com a União e reivindicação histórica de moradores rurais

04/12/2025
Famílias da localidade Alecrim, que foram despejadas, poderão ser contempladas com a nova área (Imagem: Terra de Direitos)Famílias da localidade Alecrim, que foram despejadas, poderão ser contempladas com a nova área (Imagem: Terra de Direitos)

PINHÃO – O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) retomou nesta semana as vistorias nas áreas pertencentes ao complexo Zattar, em Pinhão (Centro-Sul do Paraná), em mais uma etapa dos procedimentos para eventual desapropriação e destinação das terras à reforma agrária. O avanço reacende a expectativa de dezenas de famílias do Alecrim e de outras localidades rurais que aguardam a regularização fundiária há anos.

A retomada das atividades foi confirmada pelo deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR), que acompanha as negociações entre o Incra, a Fazenda Nacional e representantes das comunidades ocupantes.

Segundo Dirceu, servidores do Incra de Curitiba estiveram na região para realizar medições, coleta de informações e análises preliminares da área. A vistoria, que havia sido interrompida no fim de 2023, é considerada uma etapa essencial para a elaboração do laudo de avaliação do imóvel.

“Essas medições e procedimentos técnicos são fundamentais para que o Incra consiga definir valores e viabilizar orçamento para a compra da área. É um passo concreto para acolher todas as famílias que vivem ali há muito tempo”, afirmou o parlamentar.

Deputado Zeca Dirceu (PT-PR): A vistoria é etapa essencial para a elaboração do laudo de avaliação do imóvel

A propriedade da empresa Zattar, tradicional do setor madeireiro, está inserida em uma negociação judicial que envolve dívidas com a União. Uma das possibilidades em análise é a transferência da área ao Incra como forma de abatimento desses débitos.

Histórico do conflito

O debate sobre a destinação das terras do complexo Zattar se arrasta há décadas, envolvendo disputas judiciais, ações de movimentos sociais e conflitos ocasionais com seguranças privados da empresa. Parte das famílias do Alecrim e de comunidades vizinhas vive no local há 20 a 30 anos, muitas delas dedicadas à agricultura familiar e criação de pequenos animais.

Organizações sociais e autoridades locais defendem que a área seja incorporada ao programa de reforma agrária para garantir segurança jurídica e condições mínimas de produção às famílias.

Pesquisas de preço devem ficar prontas até janeiro

Após a vistoria realizada nesta semana, o próximo passo do Incra será concluir uma pesquisa de valores de terras na região, prevista para ocorrer até janeiro de 2024. O laudo final incluirá avaliação do solo, condições de uso, histórico produtivo e estimativa de investimentos necessários.

“Tudo isso faz parte do acordo estabelecido entre o Incra e a comissão que representa as famílias do Alecrim. Estive presente nessa negociação e seguimos acompanhando cada detalhamento”, disse Zeca Dirceu.

O parlamentar reforça que a definição do valor é etapa-chave para que o órgão possa destinar recursos no orçamento de 2024.

“Queremos garantir a terra a quem está na terra”

Dirceu enfatizou que o foco principal das tratativas é consolidar o direito de permanência das famílias que vivem e produzem na área. “Queremos garantir a terra a quem está na terra, a quem produz, a quem já construiu sua casa. Esse é o sentido da luta”, declarou.

Apesar do avanço, ainda não há previsão oficial para a conclusão do processo, que envolve etapas técnicas, jurídicas e orçamentárias.

Apoio local e mobilização das comunidades

O deputado destacou a atuação de lideranças do município, como a vereadora Vilma (PT), que vem acompanhando as famílias e articulando reuniões com o Incra. “Mesmo em Brasília, sigo de perto o esforço da vereadora e das lideranças locais. O trabalho delas tem sido fundamental”, afirmou.

Para as famílias do Alecrim, a reabertura das vistorias renova a esperança de finalmente obter um desfecho para um problema que atravessa gerações.

“Estamos confiantes, mas queremos que o processo ande. Vivemos aqui há décadas e só queremos trabalhar tranquilos”, relata um morador que prefere não se identificar.

Perspectivas

Apesar da expectativa positiva entre as famílias, especialistas em políticas agrárias lembram que processos de desapropriação de grandes áreas costumam enfrentar entraves burocráticos e disputas judiciais.

Ainda assim, o movimento atual indica mudança no ritmo das negociações. Segundo Dirceu, a orientação é que o Incra dê prioridade ao caso. “O trabalho está andando, e vocês sabem que podem contar com meu apoio enquanto for necessário”, afirmou.

Com a conclusão do laudo de avaliação prevista para o início do ano e a possível inclusão de recursos no orçamento federal, 2026 pode marcar um novo capítulo para a reforma agrária no Centro-Sul do Paraná.

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