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MEMÓRIA

História de Elisabeth Mayer Leh mostra a força da mulher suábia

Agricultora e líder social faleceu em 2009, no distrito de Entre Rios

Quarta-feira, 24 de abril de 2019

Completaram-se nesta terça-feira, 23, dez anos do falecimento da agricultora Elisabeth Mayer Leh, esposa do líder cooperativista Mathias Leh, ex-presidente da Cooperativa Agrária de Entre Rios (Guarapuava). Elisabeth faz parte da geração de mulheres que participaram ativamente da colonização suábia em Entre Rios e ajudaram a escrever uma das páginas mais brilhantes do cooperativismo agrícola no Brasil.

Nascida em 30 de novembro de 1939, na cidade de Illatscha (antiga Iugoslávia, hoje pertence a Croácia, no Leste Europeu). Elisabeth é filha de Anton e Apollonia Mayer, a mais velha de quatro irmãos (três mulheres e um homem), todos sobreviventes de uma das regiões mais conflituosas da 2ª Guerra Mundial.

“Frau Leh”, como era conhecida, chegou ao Brasil em 1951, no começo de sua juventude, integrando uma das levas de imigrantes de Suábios do Danúbio que cruzou o Pacífico- Atlântico para transformar o distrito de Entre Rios num dos “celeiros agrícolas” do Brasil – repetindo o feito de seus ancestrais, que fizeram dos antigos banhados do Danúbio o maior centro de produção antes e depois do Império Austro-Húngaro (início da 1ª Guerra), até serem expulsos de suas terras ao término da 2ª Guerra.

Olhando o desenvolvimento de Entre Rios hoje, é difícil imaginar o sofrimento que os imigrantes tiveram que se submeter. Como todos da sua geração, Elisabeth saiu de uma guerra para conviver durante 7 anos como exilada na Áustria, e partiu daqui para o Brasil num recomeço marcado por grandes dificuldades. Enquanto os pais se instalavam em Entre Rios, Elisabeth foi trabalhar como empregada doméstica em Curitiba, acompanhada de uma tia. Voltou à Colônia Jordãozinho, para junto da família, porque o pai precisava dela para ajudar na casa, lavoura e na criação dos irmãos menores.

SUPERAÇÃO – A pequena Elisabeth cresceu em meio às lembranças de uma guerra sem precedentes, com milhões de mortos, vendo a dor bater a sua porta: seu pai, Anton, foi prisioneiro de guerra durante anos na Inglaterra.

A história dela é a de centenas de famílias que hoje vivem em Entre Rios, em especial das mulheres que exerceram um papel tão importante quanto os homens, fosse dirigindo trator nas lavouras ou servindo como força braçal para empilhar toras de pinheiro e imbuia nas primeiras serrarias.

Mathias Leh e Elisabeth Mayer casaram-se em junho de 1958, formando uma família de 5 filhos, ambos repartindo tarefas para implantação e cultivo de propriedades rurais. Em junho de 1966, Mathias foi eleito presidente da Cooperativa Agrária, cargo que ocupou até sua morte, em 1994. Nesse período, 28 anos, a vida de Elisabeth se dividiu entre cuidar dos filhos, das atividades sociais como “primeira-dama” da Agrária, que lhe exigia atenção diária, e, invariavelmente, fazer frente à rotina de uma proprietária rural numa comunidade agrícola em franca expansão.

O altruísmo de Elisabeth ia além. A partir da década de 1970, ela passou a integrar um grupo de voluntárias que se dedicaram a projetos sociais através de diferentes iniciativas, entre elas a Associação Beneficente das Senhoras de Entre Rios (Abser), com ênfase para atender pessoas em condição de “vulnerabilidade social” e para a formação de jovens.

Três projetos merecem destaque: Vila Degail, Vila Nova Esperança, parceria com a cidade alemã de Rastatt (co-irmã de Guarapuava), atendendo crianças na primeira idade do distrito de Entre Rios; e a implantação do projeto Projeção (hoje com 360 alunos de 9 a 17 anos, em vários cursos, incluindo preparação para o trabalho).

Paralelamente, foi criado um bazar de roupas usadas e de artesanatos produzidos na região, com renda revertida pela Abser para os projetos sociais.

Elisabeh também atuou pela construção e manutenção do Hospital Semmelweis (Colônia Vitória).

Parte desta história está perpetuada no livro “Mathias Leh – Um olhar para o futuro”, do jornalista guarapuavano Paulo Esteche, e no Memorial Elisabeth e Mathias Leh, instalado no escritório particular de Mathias Leh, junto à residência do casal, na Colônia Vitória.

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