Governo libera R$ 2,08 bilhões em obras no Paraná; Região Central volta a ficar de fora de grande pacote federal
Recursos concentram-se no Norte, Noroeste e Litoral do estado; Guarapuava também não recebeu nova unidade do Instituto Federal, apesar de já abrigar campus da UTFPR
12/03/2026
Lançamento do pacote de investimentos no Palácio do Planalto, volume recorde de recursos federais para o Paraná: Região de Guarapuava, com potencial para ser corredor logístico estratégico, novamente de foraO governo federal autorizou nesta quinta-feira (12) um pacote de obras de infraestrutura no Paraná que totaliza R$ 2,08 bilhões, com intervenções focadas em rodovias, porto e aeroporto. O anúncio, feito no Palácio do Planalto com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dos ministros Renan Filho (Transportes) e Sílvio Costa Filho (Portos e Aeroportos), concentra os maiores volumes de recursos no Norte, Noroeste e Litoral do estado – deixando, mais uma vez, a Região Central do Paraná fora de grandes investimentos federais.
Do total anunciado, R$ 730 milhões são do Ministério dos Transportes, distribuídos em duas ordens de serviço: R$ 409 milhões para o início das obras do Contorno Sul Metropolitano de Maringá, na BR‑376, e R$ 321,2 milhões para a conclusão do último trecho da Estrada Boiadeira, entre Serra dos Dourados e Cruzeiro do Oeste – 37 quilômetros que completam a ligação entre áreas produtoras e o litoral.
Segundo o ministro Renan Filho, as obras fazem parte de um ciclo mais amplo de intervenções logísticas no estado. “O Paraná não tinha a Estrada Boiadeira concluída, o Paraná não tinha o contorno da cidade de Maringá, e essas obras começam hoje. Além disso, o estado está recebendo o maior ciclo de investimento de infraestrutura de sua história”, afirmou.
Corredor logístico e porto
No eixo portuário, foi assinado contrato de concessão estimado em R$ 1,23 bilhão para a exploração e administração do acesso aquaviário ao Porto de Paranaguá, no litoral do Paraná. O contrato terá duração de 25 anos e prevê dragagem permanente e ampliação do calado de 13,5 metros para 15,5 metros, o que permitirá a operação de navios maiores.
O porto é o segundo maior do país em movimentação de cargas, atrás apenas do Porto de Santos, e é estratégico para o agronegócio brasileiro, responsável pelo embarque de carnes e grãos e pela entrada de fertilizantes.
“Com essa concessão, por 25 anos teremos dragagem de manutenção anual, o que traz segurança e previsibilidade para o setor produtivo”, afirmou o ministro Sílvio Costa Filho.
Ampliação do aeroporto
O pacote também inclui autorização para licitação das obras de reforma e ampliação do terminal de passageiros do Aeroporto Regional de Maringá, com investimento de R$ 129,1 milhões.
A capacidade do terminal deve saltar de 855 mil passageiros por ano para cerca de 1,4 milhão, praticamente dobrando a área destinada ao público e fortalecendo a malha aérea do norte e noroeste paranaense.
Guarapuava, 206 anos, população oficial em torno de 190.000 habitantes, polo da Região Central do Paraná: potencial como corredor logístico em meio à carência de investimentos estratégicos
Região Central novamente fora
Embora represente o maior volume de recursos federais destinado ao Paraná em um único anúncio recente, o pacote não contempla obras estruturais para a Região Central do estado.
Cidades como Guarapuava, polo regional do Centro-Sul paranaense, ficaram novamente fora da distribuição de investimentos federais em infraestrutura logística. Há um padrão de concentração de recursos em regiões mais próximas do litoral ou de grandes corredores do agronegócio, que se repete agora programas federais.
O município de Guarapuava está sem representação política federal há uma década. O útlimo deputado federal foi Cezar Silvestri, que encerrou seu mandato em 2015. Atualmente, a região é representada pelo suplente deputado federal Rodrigo Estacho, do PSD de Turvo, que deverá deixar o mandato em abril, com o retorno da titular Leandre Dal Ponte ao cargo (ela está como secretária de Estado da Mulher e da Igualdade Racial e deverá se desincompatibilizar para candidatar-se à reeleição parlamentar).
Educação técnica também não chegou
A ausência de investimentos federais na região central também aparece em outra área estratégica: educação técnica.
O recente programa de expansão dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia não contemplou Guarapuava. A cidade já abriga um campus da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, mas especialistas locais defendem que a instalação de um Instituto Federal seria fundamental para ampliar a formação técnica de nível médio.
A estrutura dos IFs integra ensino médio técnico, formação profissional e pesquisa aplicada – etapa que antecede a universidade e poderia dialogar diretamente com o campus da UTFPR existente no município.
A combinação entre ensino técnico federal e ensino superior tecnológico criaria uma base educacional integrada, capaz de ampliar oportunidades de qualificação profissional e estimular o desenvolvimento econômico do Centro-Sul paranaense.
Impacto regional
As obras anunciadas pelo governo federal beneficiam diretamente três áreas do Paraná:
- a região metropolitana de Maringá, com o contorno rodoviário e a ampliação do aeroporto;
- o Noroeste e Oeste do estado, com a conclusão da Estrada Boiadeira;
- o litoral, com os investimentos no Porto de Paranaguá.
O objetivo é reduzir custos logísticos e facilitar o escoamento de grãos, carnes e fertilizantes. Já para municípios do Centro do estado, como Guarapuava, o anúncio reforça a percepção de que grandes projetos federais continuam concentrados em outras áreas do Paraná.
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