El Niño: Guarapuava monta operação para reduzir danos das chuvas no 2ºsemestre
Prefeitura aposta em antecipação, reforço da infraestrutura e resposta integrada para minimizar riscos à população
17/06/2026
Depois de um ciclo recente de eventos climáticos extremos que expôs fragilidades urbanas e elevou o custo das emergências públicas em diversas regiões do Sul do país, Guarapuava decidiu apostar na antecipação. A prefeitura iniciou uma nova etapa de preparação para enfrentar os efeitos previstos do fenômeno El Niño 2026/2027, que deve começar a influenciar o clima a partir de julho e alcançar maior intensidade entre novembro e dezembro.
Em reunião realizada nesta terça-feira (16), representantes da Defesa Civil, Secretaria de Obras, Secretaria de Defesa Social e Mobilidade e demais órgãos municipais consolidaram um conjunto de medidas preventivas para reduzir impactos sobre a população e preservar infraestrutura urbana e rural diante do aumento esperado das chuvas.
As projeções meteorológicas indicam um cenário de atenção para a Região Sul: precipitações acima da média histórica, maior frequência de tempestades, ocorrência de vendavais, episódios de granizo e elevação do risco de enchentes e movimentos de massa.
Para Guarapuava, os efeitos potenciais já estão mapeados. Entre os principais pontos de preocupação estão o transbordamento de rios e córregos, alagamentos em áreas urbanizadas, escorregamentos em encostas, interrupções no fornecimento de energia elétrica e danos em estradas e pontes que conectam comunidades rurais.
A estratégia adotada pelo município busca inverter a lógica tradicional de resposta emergencial e concentrar esforços antes da chegada do período mais crítico.
Segundo a secretária de Obras, Tatiane Nezi, parte desse trabalho já começou em intervenções consideradas prioritárias. Um dos exemplos citados foi o desassoreamento realizado na região da Primavera, onde, segundo a administração municipal, houve redução dos episódios de alagamento após a intervenção.
“Estamos trabalhando preventivamente. O objetivo é agir antes que os impactos aconteçam e reduzir ao máximo os prejuízos para a população”, afirmou.
Entre as medidas em execução estão a atualização do Plano de Contingência 2026, treinamento das equipes da Defesa Civil, fortalecimento da articulação entre secretarias e ampliação dos canais de comunicação com a população para alertas e avisos em situações de risco.
Outro eixo da operação envolve inteligência territorial. O município realizou o mapeamento das áreas mais suscetíveis a alagamentos e inundações, criando uma base para priorização de monitoramento e resposta rápida durante eventos extremos.
Para o secretário de Defesa Social e Mobilidade, Péricles de Matos, a experiência acumulada em ocorrências anteriores ajudou a redesenhar os protocolos locais.
“Existe uma fase pré-evento, uma fase durante o evento crítico e uma etapa posterior de recuperação. Hoje temos equipes estruturadas, materiais disponíveis e um aprendizado importante dos episódios climáticos registrados no último ano”, afirmou.
Nos próximos meses, a prefeitura também pretende ampliar campanhas de orientação pública. Entre os temas que devem ser trabalhados estão limpeza de calhas, descarte adequado de resíduos, prevenção de obstrução da drenagem urbana e procedimentos de segurança em casos de emergência.
Na infraestrutura, o plano inclui vistorias preventivas em pontes, galerias pluviais, taludes e outras estruturas consideradas vulneráveis ao excesso de chuva.
Além das ações imediatas, o município já articula projetos para buscar recursos junto aos governos estadual e federal. Entre as propostas estão o desassoreamento e manutenção de mais de 31 quilômetros de rios e córregos, reconstrução de seis pontes em concreto, aquisição de uma escavadeira anfíbia e compra de uma nova viatura para a Defesa Civil.
A administração municipal também prepara o Plano Operacional El Niño 2026, documento que deverá consolidar protocolos de monitoramento, alerta, resposta e integração entre os diferentes órgãos envolvidos.
Mais do que enfrentar um fenômeno climático específico, o movimento indica uma mudança de postura da gestão pública diante de um cenário que deixou de ser exceção. Com eventos extremos cada vez mais frequentes, cidades que conseguem planejar antes da emergência tendem a reduzir perdas humanas, econômicas e sociais — e transformar prevenção em política permanente.
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