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Cargill suspende exportação de soja do Brasil para a China após mudança em inspeção sanitária

Nova regra do governo brasileiro para certificação fitossanitária dificulta embarques e já leva tradings a interromper compras no mercado interno

12/03/2026

A multinacional agrícola Cargill suspendeu temporariamente as exportações de soja do Brasil para a China e interrompeu novas compras do grão no mercado brasileiro após mudanças no sistema de inspeção fitossanitária adotado pelo governo federal.

A decisão foi confirmada pelo presidente da companhia no Brasil e do negócio agrícola para a América Latina, Paulo Sousa. Segundo ele, o novo modelo de fiscalização implementado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária tem criado entraves para a emissão dos certificados exigidos para o desembarque da carga em portos chineses.

Sem o documento, os navios não podem descarregar o produto no destino.

De acordo com o executivo, a alteração ocorreu após solicitação do governo chinês para que o Brasil adotasse inspeções mais rigorosas na soja exportada. No novo modelo, técnicos do ministério realizam a própria amostragem da carga, substituindo o padrão utilizado tradicionalmente pelo mercado de grãos.

A mudança tem provocado divergências na classificação do produto, o que em alguns casos impede a emissão do certificado fitossanitário. “Isso está gerando discrepâncias e, com elas, os certificados que acompanham as cargas deixam de ser emitidos”, afirmou Sousa.

Sem a documentação, embarques planejados para a China precisam ser redirecionados a outros destinos. Caso a situação não seja resolvida rapidamente, segundo o executivo, existe risco de paralisação mais ampla do fluxo de exportações brasileiras de soja para o país asiático.

Impacto no mercado 

A interrupção das operações pela Cargill já provoca reflexos no mercado doméstico. Corretoras e produtores relataram nas redes sociais queda significativa nas ofertas de compra do grão por parte de tradings nos últimos dias.

A empresa informou que suspendeu suas operações na última sexta-feira, enquanto aguarda uma solução regulatória.

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, discute o tema com representantes do setor exportador, incluindo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) e a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). As negociações buscam definir um método de amostragem e classificação que seja aceito tanto pelo governo brasileiro quanto pelos importadores chineses.

Em nota, a Anec afirmou que há preocupação entre exportadores sobre a adaptação ao novo sistema, sobretudo no período de pico das exportações brasileiras.

​Dependência do mercado chinês 

A China é, de longe, o principal destino da soja brasileira. O país asiático compra cerca de 80% do grão exportado pelo Brasil, maior produtor e exportador mundial da oleaginosa.

Por isso, qualquer interrupção logística ou regulatória no fluxo para o mercado chinês tende a gerar impactos imediatos na cadeia agrícola – da comercialização interna ao embarque nos portos.

Segundo representantes do setor, a prioridade é encontrar rapidamente um mecanismo de inspeção que garanta o controle sanitário exigido pelos chineses sem comprometer o ritmo das exportações no momento em que a colheita brasileira atinge seu pico.

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