Aos 97 anos, Dom Giovanni Zerbini celebra 69 anos de sacerdócio em Guarapuava
Ex-bispo diocesano foi missionário no Brasil desde 1956 e hoje vive no seminário onde ainda recebe fiéis e religiosos
29/06/2025
Zerbini veio ao Brasil com a missão de evangelizar no pós-guerraNeste domingo (29), o bispo emérito da Diocese de Guarapuava (PR), Dom Giovanni Zerbini, completa 69 anos de ordenação presbiteral. Aos 97 anos, o religioso vive no Seminário Diocesano Nossa Senhora de Belém, na região central da cidade, onde mantém rotina discreta, dedicada à oração e à convivência com seminaristas e visitantes.
Terceiro bispo da diocese, Zerbini ocupou o cargo entre 1995 e 2000, quando se aposentou oficialmente das funções episcopais. Sua trajetória, no entanto, remonta a um período anterior ao surgimento da própria Diocese de Guarapuava, criada em 1965. Natural de Chiari, na província de Bréscia, norte da Itália, foi ordenado sacerdote em 29 de junho de 1956, aos 28 anos. No mesmo ano, embarcou em missão para o Brasil, cruzando o oceano Atlântico de navio e desembarcando no porto de Santos (SP).4
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A missão evangelizadora no interior do Paraná, marcada por atuação pastoral em áreas rurais e pequenas comunidades, integrou o esforço da Igreja Católica no século 20 de expandir sua presença em regiões de forte imigração europeia.
Na última quinta-feira (26), Zerbini recebeu a equipe do Centro Diocesano de Comunicação (CDC) para uma entrevista especial. Conduzido pelo radialista Tonico de Oliveira, da Rádio Cultura FM 97,3, o encontro foi marcado por relatos sobre o despertar da vocação ainda na infância, a formação no seminário italiano e os primeiros anos no Brasil, além de reflexões sobre os desafios enfrentados durante o episcopado.
A Diocese de Guarapuava divulgou nota neste fim de semana em que agradece o "testemunho fiel e generoso" de Dom Giovanni e pede orações em homenagem à data.
Zerbini é hoje um dos bispos mais longevos do país. Sua trajetória se insere em um período de mudanças significativas na Igreja, que vão do Concílio Vaticano II (1962–1965) à renovação pastoral das últimas décadas.

Missionário da geração do pós-guerra
Por volta de 1956, dezenas de jovens sacerdotes europeus desembarcavam no Brasil com uma missão: ampliar a presença da Igreja Católica em regiões de fronteira agrícola, muitas delas marcadas pela imigração e pela ausência de estrutura eclesial. Era o auge de uma onda missionária no pós-guerra que tentava suprir a escassez de clero nas dioceses brasileiras.
Entre esses missionários estava Giovanni Zerbini, então com 28 anos, ordenado padre na Diocese de Bréscia, norte da Itália. Seis meses depois da ordenação, embarcou num navio rumo ao porto de Santos (SP). O destino final era o interior do Paraná, onde a Igreja buscava se consolidar entre migrantes, pequenos agricultores e comunidades dispersas.
Zerbini foi nomeado bispo da Diocese de Guarapuava em 1995, a terceira pessoa a ocupar o cargo desde a criação da diocese, em 1965. Sua gestão se deu num período de reestruturação pastoral e busca por maior proximidade com as comunidades urbanas e periféricas, marcadas pela migração rural e pela expansão urbana da região centro-sul do Paraná. Deixou a gestão da diocese em 2000, quando apresentou sua renúncia ao Vaticano por limite de idade.
Zerbini é testemunha direta de transformações profundas na Igreja brasileira. Chegou antes mesmo do Concílio Vaticano II (1962–1965), que modificou a liturgia, fortaleceu a atuação dos leigos e incentivou maior inserção nas realidades locais. Atuou durante os anos de expansão das Comunidades Eclesiais de Base e viveu, como bispo, os primeiros impactos da reconfiguração política e social do país no pós-ditadura.
Hoje, sua presença em Guarapuava tem caráter simbólico. Representa a geração que levou adiante o projeto missionário de uma Igreja que, após o fim da Segunda Guerra Mundial, passou a ver na América Latina uma terra de evangelização urgente e estratégica.
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