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Agrária e Ireks confirmam investimento de R$ 1,1 bilhão em Entre Rios

Projeto prevê duas plantas: ampliação da Agromalte e uma unidade para produção de maltes especiais

11/11/2025
Expectativa é de uma nova etapa na industrialização do agronegócio em Guarapuava e transforma cooperativa em pioneira nacional no setorExpectativa é de uma nova etapa na industrialização do agronegócio em Guarapuava e transforma cooperativa em pioneira nacional no setor

A Cooperativa Agrária de Entre Rios e a Ireks do Brasil anunciaram nesta terça-feira (11) um investimento de R$ 1,1 bilhão no distrito de Entre Rios, em Guarapuava, para a construção de duas novas plantas industriais, incluindo a modernização da maltaria existente na Colônia Vitória.

O anúncio oficial – inicialmente previsto para a próxima sexta-feira, dia 14, na abertura da 1ª Festa Nacional da Cevada e do Malte – foi antecipado após a assinatura de um protocolo de intenções entre o governador Ratinho Júnior e o presidente da cooperativa, Adam Stemmer, em cerimônia no Palácio Iguaçu, em Curitiba. O empreendimento será viabilizado dentro do programa de incentivos Paraná Competitivo e promete gerar mais de mil empregos diretos e indiretos durante sua execução.

Autoridades e lideranças empresariais de Guarapuava com o governador Ratinho Júnior na assinatura do protocolo

Com o projeto, a Agrária se tornará a primeira produtora nacional de maltes especiais, como os tipos caramelizados e torrados, hoje totalmente importados pelo mercado cervejeiro brasileiro.

“Estamos falando de um parque industrial de R$ 1,1 bilhão, que vai gerar empregos, fortalecer a economia e consolidar Guarapuava como polo do agronegócio de alta tecnologia”, disse o governador Ratinho Junior durante a assinatura.

A confirmação do investimento agora ocorre dois anos depois da previsão inicial, feita em 2023, quando a parceria com a Ireks – multinacional alemã com tradição centenária na produção de maltes e insumos alimentícios – foi firmada. Na época, a expectativa era de que a expansão começasse ainda em 2024.

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Sede da maltaria Agromalte na Colônia Vitória, em Guarapuava: investimento histórico do agronegócio paranaense, que iniciou sua produção em 1981 como a maior maltaria da América Latina

A defasagem de cronograma, segundo fontes próximas ao projeto, deveu-se à complexidade técnica da transferência de tecnologia e à necessidade de adequar o plano de expansão à nova realidade do mercado global de cervejas artesanais e ingredientes premium.

Mesmo com o atraso, a Agrária manteve o compromisso. As obras devem começar ainda neste ano, com início da produção previsto para 2028. Além das novas plantas, o pacote inclui um Centro de Análises Laboratoriais e um Centro Logístico Integrado, voltados à automação e sustentabilidade.

Havia, também, a expectativa de que o anúncio ocorreria três semanas atrás, quando o governador Ratinho Júnior participou da Festa da Cevada, promovida pela Agrária no Centro de Eventos de Entre Rios. "Hoje é um dia de festa", justificou ele, fazendo questão de servir os participantes, como é tradição entre as lideranças da antiga colônia de "Suábios do Danúbio".

Indústria 4.0 no campo

As novas linhas e a revitalização da antiga maltaria seguem o conceito de indústria 4.0, com automação completa dos processos produtivos. “Aplicar tecnologia com foco em sustentabilidade é o caminho para garantir perenidade e competitividade”, afirmou o diretor-presidente da Agrária, Adam Stemmer, que destacou a transferência direta de know-how da matriz da Ireks, na Baviera.

A parceria, segundo ele, também reforça o protagonismo brasileiro em um segmento dominado até hoje por importações europeias. “Produzir maltes especiais era um sonho antigo. Agora o Brasil vai dominar toda a cadeia, da cevada ao malte”, disse.

Impacto regional e cadeia produtiva

A Agrária, fundada em 1952 por imigrantes da antiga Iugoslávia, considerada uma das maiores cooperativas da América Latina, consolida com o projeto sua posição como motor econômico de Guarapuava – municípiio vocacionado como um dos polos de inovação do agronegócio paranaense.

Para o prefeito Denilson Baitala, o investimento “insere o Paraná definitivamente no mapa global da indústria cervejeira”. Já o diretor da Invest Paraná, Eduardo Bekin, ressaltou o efeito multiplicador do empreendimento: “Esse projeto envolve toda a cadeia – do produtor de cevada ao caminhoneiro. É uma engrenagem completa da economia regional.”

Novo ciclo para o agronegócio paranaense

A ampliação da maltaria ocorre em um contexto de industrialização crescente do campo paranaense, impulsionado por programas de incentivo e pela consolidação de clusters agroindustriais fora do eixo metropolitano.

Com o novo investimento, o Estado reforça sua ambição de combinar escala agrícola e sofisticação tecnológica, integrando pequenas e grandes cooperativas a um modelo de produção sustentável e de valor agregado.

A Agrária, que já opera um dos laboratórios agroindustriais mais avançados da América Latina — com certificações ISO/IEC 17025 e 17043 —, passa a ser símbolo dessa transição.

“O Paraná já é o supermercado do mundo”, disse Baitala. “Agora quer ser também o laboratório do agronegócio.”

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